sábado, 8 de maio de 2021

Canton Frowns on Portugal's Macao Colony: 1932

Telex da agência noticiosa Associated Press de 2 de Abril de 1932 e depois reproduzido em vários jornais um pouco por todo o mundo. O título em português é: "Cantão desaprova a colónia portuguesa de Macau". Em baixo o excerto em inglês e a tradução que fiz do mesmo.
Canton Frowns on Portugal's Macao Colony
Canton, April 2 (AP). The Canton government is beginning to get vicious about Macao, the Portuguese colony a hundred miles down at the mouth of the Canton river. 
Macao has long been the oriental gamblers' paradise but Canton has announced its determination to forge a 'ring of steel' round the colony so as to 'curb that wicked city's influence upon South China'.
Lives on Gambling
Macao has been a colony hanging on to the skirts of China for 400 years, being given to the earliest Portuguese navigators in return for fighting pirates that then infested the South China sea.
Macao lives solely by opium and gambling monopolies which are auctioned in public annually.
The Chinese is a born gambler and flocks there to try his luck at fan-tan, to smoke a pipe of opium in quiet and peace, and enjoy the free and easy life generally. 
Hong Kong is only four hours away by steamer and every Sunday excursion steamers unload mobs of passengers, out to try their luck on the tables. (...)
Now Macao is adding to its attractions dog racing, with a thin are. the new sport is going like wild-fire, to the disgust of the government in Canton which has warned that any Chinese known to patronize the dogs will be branded a traitor and deprived of his civil rights. (...)
Casa de jogo de Fan Tan ca. 1910/20 (imagem não incluída no artigo)

É cada vez maior a ira do governo de Cantão com Macau, a colónia portuguesa a 160 quilómetros de distância na foz do rio Cantão. Macau é há muito o paraíso dos jogadores orientais, mas Cantão anunciou a sua determinação em forjar um "anel de aço" à volta da colónia, de modo a "refrear a influência daquela cidade perversa no Sul da China". 
Viver de jogos de azar 
Macau foi uma colónia que se manteve à margem da China durante 400 anos, sendo dada aos primeiros navegadores portugueses em troca da luta contra os piratas que então infestavam o mar do Sul da China. 
Macau vive exclusivamente dos monopólios do ópio e do jogo, que são leiloados anualmente em público. 
O chinês é um jogador nato e vai lá para tentar a sorte no fan-tan, para fumar um cachimbo de ópio em paz e tranquilidade e desfrutar de uma vida livre e fácil. 
Hong Kong fica a apenas quatro horas de viagem de vapor e todos os domingos estas embarcações trazem multidões de passageiros, para tentar a sorte nas mesas de jogo. (...) A mais recente atracção de Macau são as corridas de cães. O novo desporto está ao rubro para desgosto do governo de Cantão, que advertiu que qualquer chinês conhecido por patrocinar os cães será rotulado de traidor e privado de seus direitos civis. (...)

sexta-feira, 7 de maio de 2021

O "Relógio da Cidade"

Excerto do Archivo Pittoresco:
Numa das torres da cathedral ha um relogio que se pode chamar monumental porque commemora elevação do senhor D Pedro v ao throno dos maiores. Quando em Macau se festejou este fausto, o bispo D Jeronimo suscitou a lembrança d'uma subscripção para compra e collocação de um relogio que utilisasse a todos os habitantes da cidade porque a cathedral está edificada na parte mais alta da povoação. A idea foi logo acceita e applaudida e em pouco tempo subiu a subscripção a quasi 1 500 patacas ou um conto e quinhenos mil réis. Concorreram com patacas os subditos portuguezes residentes em Cantão e os de Hong Kong com 223 e os habitantes de Macau com o restante.
(...) O relogio foi expressamente feito em Inglaterra pelo acreditado fabricante Thwaites & Reed á vista da planta e perspectiva da torre obsequiosamente e com muito primor tirada pelo macaense C. A. Osorio, que com C. V. da Rocha, depois mui intelligentemenle dirigiu os trabalhos da collocação do mesmo relogio. Foi collocado na torre nos fins do anno passado e devia bater pela primeira vez horas á meia noite de 31 de dezembro, isto é, no solenne momento de começar o novo anno 1858. 
O relogio tem gravada a seguinte inscripcão commemorativa: R.P. V. - AD MDCCCLVII - PME. Ou seja... REGNANTE PETRO V - ANNO DOMINO MDCCCLVII - Populus MACAENSIS EREXIT.
"O plano do accressimo da torre de Santo Agostinho foi ja aprovado e a obra está ajustada. O relogio chegado de Inglaterra é igual em tudo ao da Sé Cathedral com mostradores transparentes que hão de ser illuminados de noite: de sorte que em poucos mezes esperâmos que este melhoramento esteja introduzido na cidade."
A pequena notícia é de uma edição de 1866 do Boletim do Governo de Macau.
Perspectiva do Largo da Sé no início do século 20 e no início do séc. 21

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Macao: A Spot of Schizophrenia In the Far East

Macao: A Spot Of Schizophrenia In the Far East.
Under the wary eye of China, a tiny Portuguese outpost thrives on Western ways. Gambling, strip shows, wheeler-dealer trade make it Asia's fastest-growing economy. Will China let it survive? (...) Here in the Far East is a place that logically doens't exist. A corner of ancient China that Peking doesn't want. A Portuguese outpost where hardly anyone speaks that language. An economy abandoning fish and firecracker for toys and TV's. A society that thrives on gambling but frowns on vices of the flesh. A place where some Communists are campers and some coolies are capitalists. Macao, nevertheless, has survived against reason for more than four centuries and it seems destined to go right (...) Casino's are Macao biggest money maker, ranking on profits of up to 200 million dollars each year. (...)
Only a few trusted insiders of the Sociedade de Turismo e Diversoes de Macau, usually called "the Syndicate", know how many people gamble here, how much they bet and what happens to the money. (...) Few local people frequent the casinos. Government employes are not allowed to bet at the tables except on certain holidays, and low salaries keep most others away. But residents raiser huge sums at weekend greyhound and horse races at the annual Macau Grand Prix that sends powerful Formula One racing cars roaring along roads filled the other 364 days by slow-paced pedicabs. (...)
Plenty of nudity is displayed at Crazy Paris strip shows in the Orient's oldest European-style theater.
Macau: local esquizofrenia no Extremo Oriente.
Sob o olhar atento da China, um pequeno posto avançado português prospera com métodos ocidentais. Jogos de azar, shows de strip-tease e comércio de revenda fazem desta economia a de mais rápido crescimento em toda a Ásia. Será que a China o continuará a permitir? (...) Aqui no Extremo Oriente existe um lugar que pela lógica não deveria existir. Um canto da China antiga que Pequim não quer. Um posto avançado português onde quase ninguém fala essa língua. Uma economia que vai trocando a indústria da pesca e dos panchões pelo fabrico de brinquedos e televisores. Uma sociedade que prospera no jogo, mas desaprova os vícios da carne. Um lugar onde alguns comunistas são campistas e alguns coolies são capitalistas.
Contra todas as probabilidades Macau, no entanto, sobreviveu durante mais de quatro séculos e parece destinada a dar certo (...) Os casinos são os maiores produtores de dinheiro de Macau, obtendo lucros de até 200 milhões de dólares por ano. (...) Apenas algumas pessoas e confiança da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, normalmente designada por "o Sindicato", sabem quantas pessoas jogam, quanto apostam e o que acontece ao dinheiro. (...) São poucos os residentes que frequentam os casinos. Os funcionários públicos não podem apostar, excepto em certos feriados, e os baixos salários mantêm a maioria dos outros afastados. Mas os habitantes locais arrecadam grandes somas nas corridas de galgos e cavalos no fim-de-semana do Grande Prémio de Macau, que leva até ao território carros de Fórmula 1* que rugem pelas estradas ocupadas os restantes 364 dias do ano por lentos riquexós. (...) Muita nudez é exibida nos shows de strip do Crazy Paris no mais antigo teatro de estilo europeu do Oriente.**
Excertos de um artigo da "U.S. News & World Report", 1981
Guy Lesquoi com as dançarinas na década de 1980; o homem que Stanley Ho (STDM) foi buscar à Europa e que se manteve 15 anos à frente do espectáculo.***
* referência às provas desportivas motorizadas; o que mais se aproxima da descrição são os carros da Fórmula 3 e ainda assim a primeira prova só aconteceu em 1983.
** espectáculo que se estreou em 1979 no Teatro D. Pedro V onde esteve em exibição durante vários anos até se mudar para o Hotel Lisboa (sala Mona Lisa) - imagens acima não incluídas na revista referida. Actualmente está patente no Grand Lisboa.
*** Em breve publicarei post sobre a história deste espectáculo.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Sun Yat-Sen em Macau: Maio de 1912

Sun Yat Sen está ligado a Macau por diversas formas e em diferentes fases da sua vida. Passou por Macau pela primeira vez com 12 anos, em Maio de 1878, para apanhar o barco que o levaria até ao Hawai ao encontro do irmão de seu pai. Em 1892, com 26 anos e terminado o curso de medicina, decide vir estabelecer-se em Macau. Escreverá assim: "Acabado o curso de medicina, comecei a exercer a profissão em Macau e em Cantão. Foi em Macau que iniciei a minha carreira a e a minha vida de revolucionário. Ao longo de vários anos, quando não tinha aulas sempre viajava entre Hong Kong e Macau fazendo propaganda revolucionária sem medo nenhum."
Começa a trabalhar, como médico, no Hospital Kiang Wu. Reside no prédio n.º 19 do Largo do Senado e abre consultório no n.º 48 da Rua de Estalagens, praticando medicina europeia, fundando ainda uma Farmácia chinesa, recentemente restaurada e aberta ao público.
Fundada a República na China, em 1911, sendo ele dos fundadores, Sun Yat Sen, voltaria a Macau em Maio de 1912 onde foi alvo de uma grandiosa recepção. Dessa visita existem pelo menos três registos fotográficos: um no Grémio Militar, outro no hospital Kiang Wu e ainda no Yui Yuen, o Pavilhão Iong Sam Tóng da residência de Lou Kao ou Lou Lim Iok (hoje Jardim Lou Lim Ieoc), onde Sun Iat Sen esteve hospedado duas noites.
Esta última é a imagem acima. Na primeira fila, sentados, à esquerda, podem ver-se Camilo Pessanha e, ao centro da foto, ao lado do Dr. Sun Yat Sen, a mulher do Governador de Macau, e o próprio governador, Álvaro de Melo Machado. Do lado esquerdo do Dr. Sun, a filha mais velha, Sun Wan e Francisco Hermenegildo Fernandes, um dos seus grandes amigos macaenses.
No Grémio Militar a 25 de Maio de 1912

terça-feira, 4 de maio de 2021

Padre Joaquim Guerra: 1908-1993

As "Quadras de Lu", conhecidas entre as obras chinesas com o nome de "Primavera-Outono", são uma selecção de documentos dos arquivos oficiais de Lu, referentes aos anos 722 a 481 anteriores à nossa era e compostas por Confúcio. 
O padre Joaquim Guerra - nome chinês 戈振東 - nasceu no Fundão, entrou na Companhia de Jesus em 1925 e foi para a China em 1933, onde ensinou Filosofia no Seminário de Macau, cursou Teologia na Faculdade Pontifícia de Zikawei, em Xangai e em 1940 começou os seus estudos de Chinês. Regressado do Norte da China, trabalhou na Missão de Shiuhing, de onde foi expulso em 1951. Após vários meses de prisão, passando a trabalhar em Macau, onde abriu escolas e centros sociais. Regressou a Portugal em 1959 com problemas de saúde. Foi integrado na Equipe de Emergência enviada à América Latina durante dois anos e meio. Regressado a Portugal, foi professor de Chinês no Instituto de Línguas Africanas e Orientais durante cinco anos e, a partir de 1973 iniciou a tradução dos Clássicos Chineses.
Tradutor de diversas obras clássicas do Oriente e autor de outras, Joaquim Angélico de Jesus Guerra nasceu na aldeia de Lavacolhos (Fundão) em 1908. Integrou a Companhia de Jesus em 1925 e partiu para uma missão em Xangai, na China, em 1933, acabando por passar no Oriente a maior parte dos seus 85 anos.
Em 1951, o regime expulsa-o da China, onde escapou à condenação à morte por três vezes. Depois, em Macau, dividiu-se em actividades de natureza social e docente. Regressou a Portugal para leccionar língua e cultura chinesa no Instituto de Línguas Orientais, de 1965 a 1970, mas continuaria a passar pelo Oriente e a aprofundar a sua obra. Morreu em 1993, em Lisboa, depois ter sido atropelado em Toronto, no Canadá. Entre os seus trabalhos destacou-se um dicionário e a tradução inédita da obra clássica de Confúcio.
Numa entrevista dada em 1992 (publicada na Separata da "Asianostra: Revista de Cultura Portuguesa do Oriente",n.º 1, Maio, 1994) afirmou: “No meio da minha vocação missionária é que veio a minha vocação para jesuíta. Quando me encontrava já no noviciado, a providência de Deus trouxe de Macau, também para jesuíta o Padre Pedro Hui, tio do conhecido advogado Philip Xavier. Foi ele quem me ensinou os primeiros rudimentos de cantonês”.
Sobre a viagem que o levou ao Oriente em 1933: “Embarcamos no D’Artagnan II, com destino a Shanghai, juntamente com muitos outros missionários e missionárias. Em Singapura, na Missão Portuguesa, preveniram-me de que talvez não fosse mesmo para Shanghai pois era muito necessário um Professor de Filosofia no Seminário de Macau. E de facto, ao chegar a Hong Kong, o Padre António Maria Alves, SJ, homem dos cinco continentes, pôs-se-me de joelhos a pedir ajuda. E fiquei no Seminário de S.José dois anos a ensinar Filosofia, Matemática, etc.”.
A guerra sino-japonesa do final da década de 1930 levaram-o novamente a Macau:
Edição de 2004
"Em plena Guerra, atravessando o campo de batalha, regressei a Macau para ensinar, uma vez mais Filosofia, por dois anos. Deixe-me contar-lhe só um episódio. A certa altura da viagem, desesperado, digamos, mais pela sede do que pela fome, pedi a uma mulher que estava a vender, para me preparar um chá. Mas, quando a vi buscar água no rio que eu via pejado de cadáveres e eu me encontrei a beber o chá assim preparado, é que pude avaliar como um homem em necessidade perde ou pode perder a sensibilidade”.
Terminada a guerra regressou à China e ali viveu mais alguns anos até que, depois da chegada ao poder dos comunistas em 1949, seria preso, julgado e condenado à morte. Acabaria por ser solto e contou essa aventura no livro  “Condenado à Morte”, editado em 1963.
Solto na China voltaria a Macau onde fundou o “Colégio Estrela do Mar” em 1955. (ainda hoje existe na Rua do Padre António)
Anos depois volta a Portugal mas já na década de 1970 surge uma hipótese de voltar a Macau:
“Em Janeiro de 1973 a Editorial Verbo de Lisboa, pediu-me algumas traduções dos Clássicos Chineses para a sua Biblioteca Integral de Clássicos Mundiais (…) Correspondi com gosto. Pensei que a melhor maneira de o conseguir era com outros. E para isso tinha de regressar a Macau. Pedi a vários chineses e ao meu amigo Luís Gonzaga Gomes para nos lançarmos à tradução. Mas todos se negaram. Até o famosíssimo Cónego André Ngan, que escrevia como o Padre António Vieira, me respondeu : ‘ ah! esse chinês antigo não é para mim. Isso ultrapassa-me’. Não sei se era por modéstia ou se era por respeito à cultura chinesa”.
Desse seu trabalho resultam por exemplo: “Livro dos Cantares”, 1979; “Escrituras Selectas”, 1980; “Quadras de Lu e Relação Auxiliar”, 5 volumes, 1981-1983; “Quadrivolume de Confúcio”, 1984; “As Obras de Mâncio”, 1984; “O Livro das Mutações”, 1984; “A Prática da Perfeição”, 1987.

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Macau Trotting Club / Macau Jockey Club

No folheto turístico Macau Travel Trade Handbook de 1981 refere-se:
"Horse Trotting” – The Macau Trotting Club has already opened its first harness racing track in Asia on the historical Island of Taipa. All horses purchased in Australia and New Zealand have attained a standard of 2 minutes 14 seconds for the mile. The oval-shaped track is five furlongs in length and 80 feet wide with inner and outer track. The track is 20 feet wider than tracks used overseas, thus allowing more room for overtaking. 
The five-storey stand has a capacity for 15,000 people with restaurants seating 1,5000. Parking facilities are available for 750 cars and 40 tour buses. Public admission tickets cost 3 patacas.
On the day of the races, the Trotting Club will provide transportation to amd from the track at the bridge terminal near the Statue of Governor Ferreira do Amaral, just in front of the main entrance of Hotel Lisboa."
O Macau Trotting Club foi fundado em 1980
Denomina-se Macau Jockey Club desde 1989


domingo, 2 de maio de 2021

Carta de Portugal e suas colonias: 1873


Carta de Portugal e suas colonias, 
Coordenada por Hugo G. de Lacerda*
official de cavallaria (...), Lisboa, 1873

* Exerceu por duas vezes o cargo de Governador de Timor (subordinado a Macau): 1873 a 1876 e 1878 a 1880.

sábado, 1 de maio de 2021

"Calçadas" em 1883 nas "ruas do bairro chinez"

Esta informação consta de um relatório do director das Obras Públicas publicado em Janeiro de 1883. Dá conta das ruas que entre 1881 e 1882 passaram a ter calçada à portuguesa em vez de serem cobertas de terra.
"Tem melhorado consideravelmente a viação pública em Macau. Uma grande parte das ruas do bairro chinez, que eram ainda há pouco uns verdadeiros lameiros quando chovia, estão actualmente calçadas."
Dos topónimos referidos apenas um mudou de nome no início do século 20. A rua Nova d'El-Rei passou a chamar-se Rua de 5 de Outubro. Em baixo a rua da Felicidade onde se pode ver o restaurante Tai San Yuan.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

A visita de Vicente Blasco Ibanez: 2ª parte

continuação do post anterior...

Viagem de Hong Kong a Macau:
“Às primeiras horas da manhã, embarcamos para Macau. Vemos diante do navio numerosos grupos de chineses. Uma força da polícia controla a sua marcha, um a um, sobre a passadeira que une o casco ao cais. Todos são revistados da cabeça aos pés, e só podem seguir em frente quando o agente indostânico ficar convencido de que não levam sequer o mais pequeno canivete. Como êstes homens amarelos se parecem todos uns com os outros pelo fato azul e pelos rostos quási iguais, é difícil distinguir um cooli pacífico que vá tratar dos seus negócios a Macau, de um pirata que prepare com os companheiros o ataque ao vapor, a meio da viagem(…).
Antes de embarcar, tiramos os relógios e as jóias de uso quotidiano. Vem comigo duas senhoras, acompanhadas das suas criadas. Uma das referidas damas, muito formosa e elegante, nasceu em Bombaim, mas é filha de espanhol. É casada com Mr. Stephan, director do Hongkong and Shanghai Banking, a instituição financeira mais importante de todo o Extremo Oriente. O seu director faz parte, por direito próprio, do Conselho de governo de Hongkong, sendo de certo modo o seu ministro da Fazenda. A senhora de Stephan há muitos anos que desejava ir a Macau e nunca se decidiu a fazer a viagem com medo dos piratas. Prudência justificadíssima. Na realidade, não poderiam os bandidos do estuário imaginar um golpe mais frutuoso do que sequestrar a esposa do director do Hongkong and Shanghai Banking. Que resgate de milhares e milhares de libras esterlinas! (...)

Impressões gerais sobre Macau:
“Ao contornar o citado promontório aparece lentamente a velha e interessante cidade de Macau. Tem um aspecto multicolor e ligeiro, de povoação do Extremo Oriente, e ao mesmo tempo, uma estabilidade sólida que revela a origem dos seus fundadores. Os edifícios são, na maior parte, obras de alvenaria, e não de madeira, como nas outras cidades chinesas. A maioria tem um piso superior, com arcadas ou galerias cobertas, e, acima dos telhados, destacam-se os campanários das igrejas católicas. 
Macau, que foi inicialmente denominada ‘Cidade do Santo Nome de Deus na China’ e depois viu esse título substituído por ‘Macau’, de origem indígena, pareceria altamente exótica se fosse possível mudá-la, de repente, para as redondezas de Lisboa. Vista daqui, depois de termos visitado as principais cidades do litoral chinês, recorda-nos o antigo Portugal e parece vir dela um bafo muito longínquo do nosso mundo”. Palavras sentidas de amigo, mas também palavras de um experimentado viajante habituado a ver os contrastes, as afinidades e os pormenores. Depois são “Guiados pelos ajudantes do governador, jovens de grande cultura intelectual, vamos conhecendo a cidade, pitoresca mistura de edifícios chineses e casarões portugueses do século XVII” (...) 
Macau não goza da fama de ser um lugar de virtudes, mas não é por isso que se deve considerar pior que os outros portos do Extremo Oriente. (...)
Vista à Gruta de Camões:
Visitamos por fim o mais interessante para nós, o que nos trouxera a Macau com o atractivo da devoção literária. O governador mostra-nos o jardim onde se encontra a gruta em cujo interior Camões meditava e escrevia, durante as horas de calor desta região quase tropical. Este jardim tem atractivos iguais aos dos móveis que começam a envelhecer. Nos seus alegretes e bosques misturam-se a melancolia das antigas hortas chinesas e a majestade dos jardins portugueses de Sintra. Vemos estátuas de mandarins que têm a cabeça e as mãos de louça; o resto do corpo é feito de plantas a que os jardineiros com as suas tesouras deram forma humana. 
O retiro predilecto do poeta foi desfigurado e banalizado por uma admiração excessiva. A gruta não é mais do que um corredor entre grandes pedras, ocupado agora pelo busto de Camões. Todas as rochas próximas desapareceram sob lápides que têm esculpidos fragmentos poéticos do autor de Os Lusíadas ou versos de autores célebres que o glorificam. Tantas placas de mármore dão a este local, que, com razão, se pode chamar poético, o aspecto antipático de cemitério. 
Alguns moradores de Macau, especialmente casais novos, vêm merendar para o histórico jardim e, ao som de um gramofone ou de um harmónio, dançam diante do busto coroado de louros. Não importa; é fácil suprimir com a imaginação essas fealdades da realidade e ver o antigo jardim tal como foi, com os seus bosques em colina, a sua pequena gruta livre de adornos, e meditando, sob o fresco arco, o fidalgo português que perdeu um olho na guerra, soldado heróico como o manco Cervantes, e desterrado de Goa para um dos pontos mais distantes da monarquia portuguesa, então senhora de colónias nas costas de África, no mar das Índias, e nos arquipélagos situados para além do estreito de Malaca. (...) 
Rua da Felicidade:
Esta Rua da Felicidade é pelo seu tráfico semelhante às que existem em todos os portos de mar, mas aqui oferece o interesse de serem unicamente chineses os que a frequentam, impelidos pelo estímulo da lascívia. Compõe-se de casas estreitas, cujo piso baixo é ocupado inteiramente pela porta. Através da sua abertura vê-se uma espécie de vestíbulo com o renque da escada que conduz às habitações superiores, e alguns assentos chineses, ocupados pelas donas e suas amigas. São mulheres de cabeça volumosa, membros delgados e tronco grosso, com um nariz tão achatado que apenas se torna visível quando mostram de perfil o seu largo rosto, amarelo como a cera. Estas fêmeas maduras, retiradas das pelejas sexuais, fumam grossos cigarros enquanto conversam lentamente. Outras penteiam-se entre elas à luz duma lâmpada colocada diante dos seus ídolos predilectos. (...)

Sobre o governador Rodrigo Rodrigues:
O governador actual, o doutor Rodrigo Rodrigues, é um médico que gosava merecida reputação na pátria antes de entrar na vida política, republicano como os que desinteressadamente combateram a monarquia e que depois tendo triunfado, tiveram de abandonar as suas antigas profissões para servirem a nova República portuguesa.
Durante as horas passadas em Macau pude apreciar o que o meu amigo Rodrigues tem feito em alguns anos de govêrno. Uma cobrança de impostos, bem administrada, deu o suficiente para a construção de um pôrto grandioso.
O governador Rodrigues obsequeia-nos com uma magnífica refeição no seu palácio. Admiro os salões desta residência, que não é velha mas começa a adquirir o encanto do que é antigo. Muitos dos seus móveis vêm de Cantão e têm mais de um século. Nos cantos, há grandes ânforas de porcelana multicolor, como as que fabricavam os chineses noutros tempos”.
Dr. Rodrigo José Rodrigues (1879-1963), formou-se como médico em 1902 ano em que iniciou a sua carreira médica no exército (Cabo-Verde e Goa) atingindo o posto de capitão-médico. 
Político da Primeira República, foi Ministro do Interior do governo de Afonso Costa (1913-1914), governador civil do Distrito de Aveiro (1910) e do Distrito do Porto (1911), deputado (1913; 1918-1922), director da penitenciária de Lisboa e inspector de prisões (1919) e vogal do Conselho Colonial. foi ainda o primeiro governador civil de Macau (de 5 de Janeiro de 1923 a 16 de Julho de 1924) e adido da legação de Portugal na Sociedade das Nações (1924-1927).

quinta-feira, 29 de abril de 2021

A visita de Vicente Blasco Ibanez: 1ª parte

“Se me perguntarem qual a sensação mais profunda e duradoura da minha viagem à volta do mundo, talvez afirme que é a viagem de Macau a Hongkong, sobre um mar adormecido como uma lagoa, sob a cúpula duma noite esplendorosa, com o incentivo de avançar no mistério, rodeando perigos e quase ao nível das águas”.
O excerto faz parte da obra "La Vuelta al Mundo de un Novelista” editada em 1924/25 em três volumes e baseada numa volta ao mundo feita pelo escrito espanhol Vicente Blasco Ibanez (1867-1928) a partir de Outubro de 1923 a bordo do "Franconia". 
O 1.º volume é dedicado aos “Estados Unidos-Cuba-Panamá-Hawai-Japão-Corêa-Mandchúria“; o 2.º é sobre a “China-Macau-HongKong-Filipinas-Java-Singapura-Birmânia-Calcutá“; e o 3º é dedicado a “Índia-Ceilão-Sudão-Núbia-Egito”.
Macau surge no segundo volume.
Em Portugal foi traduzido como "A Volta ao Mundo" e teve a primeira edição em 1931.

Nome maior da arte e cultura espanhola, Blasco Ibanez licenciou-se em direito, foi escritor, jornalista e político. Inicia a sua carreira literária escrevendo em catalão, mas depois passa a escrever em castelhano. Tem alguma actividade política, aderindo ao republicanismo federalista. Desenvolve uma intensa actividade como jornalista e orador, destacando-se na sua juventude como agitador democrático e anticlerical. Em 1891 funda o jornal El Pueblo, criando depois as editoras Prometeo e Sempere, a partir das quais leva a cabo um importante trabalho de divulgação cultural e política entre as classes populares. Em 1909 vai para a Argentina, criando ali duas colónias agrícolas que fracassam economicamente. Em 1914 estabelece-se em Paris e a partir de 1920 faz várias viagens aos Estados Unidos, onde é nomeado doutor honoris causa pela Universidade de Washington. Em desacordo com a política do ditador Primo de Rivera, sai de Espanha e fixa-se em Nice.
Com mais de 40 livros publicados tornou-se mundialmente conhecido devido à adaptação para o cinema de títulos como “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse“/“The Four Horsemen of the Apocalypse), 1921 e "Sangue e Areia" / "Blood and Sand" (com Rodolfo Valentino), 1922.
"Esteve de visita a Macau o conhecido romancista espanhol Blasco Ibanez", é o que escreve a imprensa macaense a 13 de Janeiro de 1924. Em Portugal o Diário de Notícias também dá conta dessa visita: "No dia 13 deste mez desembarcou em Macau o grande escriptor hespanhol Blasco Ibanez. O governador da província, avisado da sua chegada por um telegramma do cônsul de Portugal em Hong-Kong, enviou ao cáes o seu chefe de gabinete, para lhe dar as boas vindas, e offerecer-lhe a hospitalidade que o governo da Republica da colônia entendia dever prestar a tão distincto embaixador da Arte." 
O excerto  também faz parte de um manuscrito intitulado "Notas de Reportagem", sete páginas escritas para o governador de Macau na altura (e revistas por ele), Rodrigo José Rodrigues (1923-1925), que conhecera Ibanez 14 anos antes. Tomé Pires é quem assina o artigo que também seria publicado na edição do jornal brasileiro "A Noite" de 26 de Maio de 1924.
É mais uma prova de que Ibanez se encontrou com Camilo Pessanha e Manuel da Silva Mendes, sendo o próprio governador a acompanhá-lo aos locais mais emblemáticos do território, incluindo o verdadeiro motivo da sua viagem, a Gruta de Camões.
A 12 de Janeiro de 1924 chega a notícia ao Palácio do Governo. Um telegrama do cônsul de Portugal em Hong Kong informa: "Blasco Ibanez chega amanhã Sui An". O Sui An era um dos vapores que assegurava a ligação marítima entre Macau e a colónia britânica.
E assim foi. Às 13 horas de um domingo "luminoso e tépido" desembarcou no Porto Interior tendo à sua espera o chefe de gabinete do governador "para lhe transmitir, com as melhores boas vindas, uma ordem expressa de ficar preso da hospitalidade que o Governo da República na Colónia entendia dever prestar a tão distinto embaixador da Arte."
Ibanez aceita o convite e dirigem-se ao Palácio do Governo de carro através da Avenida Almeida Ribeiro.
À chegada ao palácio, do "grupo de limitadas pessoas escolhidas para lhe fazer companhia durante a permanência em Macau", constam Camilo Pessanha, "o subtil poeta", Manuel da Silva Mendes, "o erudito cultivador e coleccionador da arte chinesa", e António de Meireles, "espírito delicado e vice-presidente do Conselho Legislativo".
Ainda segundo as "Notas de Reportagem" depressa "generalizou-se a conversa em tom de intimidade" com Ibanez a perguntar ao Governador por Bernardino Machado, Afonso Costa, Magalhães Lima, a política em Portugal (onde o escritor ainda iria) e em Espanha...
Ibanez diz que a "A República é uma forma política dentro da qual as conquistas sociais, económicas e outras se podem desenvolver naturalmente sem sobressaltos. É preciso, portanto, que esteja estabelecida a tempo... senão tomam maior vulto as questões que dentro dela se podiam desenvolver. Está a suceder isso com a questão económica. As democracias que se implantaram tarde serão as primeiras a experimentar o atraso que lhe fizeram as classes que o não souberam compreender e adaptar-se". Dá o exemplo da Rússia e teme que o mesmo venha acontecer em Espanha.
"Usa um pequeno bigode (...) não fuma (...) aspecto magnífico" são as palavras das Notas de Reportagem para descrever Ibanez. Fala-se ainda de arte e música. Ibanez adora fado. A certa altura o escritor espanhol vira-se para Pessanha e pergunta: "Estava a ver que me lembrava (Guerra) Junqueiro". E Pessanha responde: "Só exteriormente". Terminada a conversa fica assente que Ibanez só regressaria a Hong Kong (e dali para as Filipinas) à noite, depois de jantar no Palácio do Governo. Até lá, o governador leva-o a passear numa visita guiada pelo território. "Sabe, esta visita a Macau faz parte de um largo plano que trago em laboração. ando numa viagem à volta do mundo, mas não me conduz só o diletantismo. A História, a Arte, a Vida.. são coisas que não se fazem na cozinha, como julgam e fazem tantos outros que escrevem. é preciso senti-las... vivê-las..." confessa Ibanez ao governador no início do passeio marcado por "uma conversa sempre animada e amiga, como entre velhos camaradas", testemunha o autor das Notas.
A primeira paragem é feita no Jardim de Camões onde o governador resume as façanhas dos portugueses até chegarem a Macau no início do século 16. Já na gruta, Ibanez presta homenagem ao poeta "que tão bem conhecia". Um grupo de portugueses ouvia música num gramofone e colocara os chapéus no busto de Camões algo que desagradou ao governador. Nas Notas escreve-se que Ibanez "na sua generosidade esquecerá certamente" o episódio.
Dali a viagem prosseguiu "até à histórica fortaleza do monte" e "pelas obras já concluídas do porto novo" e às "em plena actividade grandes obras do porto exterior". Para o governador "dentro de três a cinco anos Macau poderá voltar a ser um grande entreposto marítimo." Ibanez estranha tal facto não ser conhecido no Ocidente e promete ajudar nesse sentido: "Contem comigo, com a minha pena e as minhas relações..."
"Dali, porque a tarde avançava, foi-se em romagem à Colina da Guia, onde se ergue o primeiro farol que a civilização ocidental, pela mão dos portugueses, acendeu nas praias do Oriente". A vista proporcionada era deslumbrante acentua o governador. "Tombava uma tarde gloriosa de luz, de suavidade e harmonia. (...) Macau oferecia um espectáculo inolvidável, matisada do rubro poente em que o sol se afagava, explodindo entre a Lapa, e Ma-Lau-Chau até à côr glauca do mar e rôxo escuro da noite, vindo das Nove Ilhas e dos montes do Catai, de onde Marco Polo tirou o nome da China."
Fez-se noite e a "cidade salteou-se de luz electrica". Tinham de prosseguir o passeio e "descer para irmos ver as magníficas collecções de arte chineza do Dr. Silva Mendes e para apanhar em flagrante o Macau phosphorescente de fantan (jogo), de culaus (restaurantes) e do ópio."
Ao fim de duas horas, às 8 da noite, estava tudo pronto para o "jantar despido de protocollo" oferecido pelo governador. "À mesa conversou-se como em família. Ibanez falou da guerra e dos seus projectos literários futuros..."
O navio que levaria Ibanez para as Filipinas não tardaria a zarpar de Hong Kong pelo que o repasto foi de curta duração. "Eram dez horas da noite, quando na ponte da capitania * o illustre visitante se despediu do governador e entrou na lancha 'Coloan' do governo, posta às suas ordens para o conduzir a Hong Kong". 
Blasco Ibanez despede-se com um "Adios! Hasta Siempre!"

* ponte-cais nº1, junto ao actual Museu Marítimo.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

"Pequeno reducto proximo do palacio do governo na Praia Grande"

Após os sucessivos ataques dos holandeses ao território nos primeiros anos do século 17 é iniciada a construção do fortim de S . Pedro (logo após 1622) a meio da baía da Praia Grande, junto ao local onde actualmente se encontra a estátua de Jorge Alvares. Estava artilhado e tinha ao centro um mastro "onde em dias de galla é içado o pavilhão real".
Bocarro refere-se a este baluarte em 1635: "Na praya grande está hua plataforma que tem hum terço de canhão de metal que tira bala de dezoito libras de ferro".
As peças da guarnição foram mudando ao longo dos anos. O pintor George Chinnery retratou esta estrutura militar em muitos dos quadros que fez do território, em particular da Praia Grande (dois deles ilustram este post), no período em que viveu em Macau.
"Esteve de visita em Macau esta semana o sr D Heribesto Garcia Quevedo ministro de Ilespanha na China. S. Exa. partiu sabbado para Cantão. Quando o vapor que o conduzia passou em frente da Praia Grande salvou o fortim de S Pedro com quinze tiros." Este excerto é retirado de uma edição de 1870 do Boletim do Governo.
Nos "Apontamentos para a historia de Macau" (1883), J. Gabriel B. Fernandes escreve: "Além das mencionadas fortalezas encontram se mais o fortim de S. Pedro, pequeno reducto proximo do palacio do governo na Praia Grande com 6 peças de artilheria de campanha (...)
O fortim ou baluarte seria demolido ao fim de 3 séculos de existência, em 1934, aquando dos aterros da Praia Grande.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Chronicles in Stone

"Chronicles in Stone" é um livro da autoria de Shann Davies editado pelo Departamento de Turismo de Macau em 1985. Qualquer semelhança com este título não é pura coincidência.
Alguns dos temas abordados: teatro de Dom Pedro V, Museu Luís de Camões, Igreja de Santo Agostinho, Templo da Barra, Hotel Bela Vista, Santa Casa da Misericórdia, Fortaleza de S. Francisco, Leal Senado, Palácio do Governo, Fortaleza do Monte, Igreja de São Domingos, Ilha Verde, Forte de Mong-Ha, Fortaleza da Barra, Templo de Kun Iam, Palacete de Santa Sancha, Igreja de São Paulo, etc...

segunda-feira, 26 de abril de 2021

"Macao Gambling Differs From Las Vegas Variety"

Curioso por saber como era o cenário dos casinos nos primeiros anos da década de 1970, incluindo o ambiente que se vivia no Casino flutuante ou nas salas de jogo do hotel Lisboa?
Fica a sugestão para ler este artigo da autoria de Kenneth Englade (da agência de notícias UPI) publicado no jornal dos EUA, Sarasota Herald-Tribune a 13 de Abril de 1975.
Macao Gambling Differs From Las Vegas Variety
Macao (UPI) - Gambling is a big business in Macao, a tiny flyspeck of an island 40 miles southwest of Hong Kong within spitting distance of China. But de action is not quiet at the Las Vegas pace. (...)

domingo, 25 de abril de 2021

Sabia que...

... o Pavilhão de Macau feito para a Exposição de Sevilha em 1929 esteve para ser reproduzido em Lisboa pouco tempo depois?
Jaime do Inso escreveu um artigo sobre o assunto no Jornal de Macau a 16 de Abril de 1931... depois reproduzido no Boletim Geral das Colónias em Junho desse ano.

sábado, 24 de abril de 2021

Proibição de cortar lenha nas ruas: 1862

Edital
Faço publico pelo prezente, de Ordem do Ilmo e Leal Senado, que desde esta datta em diante não se permitte cortar lenha, ou qualquer madeira nas ruas, nem tão pouco pôr taes objectos ou outra qualquer coiza nas ruas que possão obstruir o livre tranzito. Os Contraventores da prezente determinação serão devidamente multados. E para que chegue a noticia de todos, se mandou publicar este nos lugares do estilo.
Macao Secretaria da Camara 29 de Setembro de 1862
Maximiano Felix da Roza
Escrivão da Camara
in O Boletim do Governo de Macao - 4.10.1862

sexta-feira, 23 de abril de 2021

Avenida Dr. Oliveira Salazar

A Avenida Dr. Oliveira Salazar (corresponde à actual Avenida da Amizade e Av. Dr. Mário Soares) surgiu na década de 1940 - era chefe de governo em Portugal - sendo o nome da via com maior extensão nos então recentes aterros do Porto Exterior.
Começava na Rua da Praia Grande, em frente do Palácio das Repartições Públicas (o edifício do antigo tribunal já desactivado), e seguia junto à linha de água em toda a extensão dos aterros do Porto Exterior, terminando na Av. do Dr. Francisco Vieira Machado, então ministro das Colónias (perto da Rua dos Pescadores), um topónimo também com origens nos primeiros anos da década de 1940.

Década 1950: corpo motorizado da PSP na Av. da Amizade

Discurso de Salazar a 20 de Outubro de 1949 sobre a subida ao poder do Partido Comunista chinês: 
"(...) Macau não é um exemplo de conquista ou domínio militar; é um padrão do primeiro contacto da Europa com o Oriente, respeitado historicamente como um símbolo de possibilidade de compreensão e de amizade entre raças diferentes. Ali se juntam, ali se fundem, ali cooperam em paz e no respeito mútuo. Não pode prever-se qual o comportamento das novas autoridades nem as suas intenções para o futuro imediato. (...)"

A apreensão na metrópole viria a originar o reforço do contingente militar com cerca de 6 mil elementos entre 1949 e 1950.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

Centro de Recuperação Social da Ilha da Taipa

Num outro post abordei  o tema. Agora recordo esta edição: O centro de recuperação social da ilha da Taipa em Macau, da autoria de Sigismundo Revés e Alberto Cotta Guerra, editado pela Agência-Geral do Ultramar, Lisboa, 1962.
O primeiro era o comandante da PSP e um dos grandes impulsionadores da criação deste centro, o segundo o responsável pelos serviços de neuropsiquiatria dos serviços de saúde de Macau e que estavam encarregues dar acompanhamento médico aos que frequentavam o CRS, cujas instalações ficam no quartel militar. 
O médico visitava regularmente o centro e estavam nas instalações em permanência um enfermeiro e um auxiliar. Caso mais graves eram tratados nos hospitais em Macau sendo os pacientes transporte numa vedeta da marinha. Recorde-se que nesta altura não havia ainda uma ponte a ligar a Taipa a Macau. Só seria inaugurada em 1974. Assegurava ligação fluvial em termos de transportes públicos umas embarcações que demoravam cerca de 30 minutos a percorrer a distância e cujos horários estavam dependentes das marés tal era o nível de assoreamento do delta do rio.
Quando o CRS foi criado em  Maio de 1961 'absorveu' o Abrigo de Mendigos e Vadios que já existia e que era da responsabilidade da Administração do Concelho das Ilhas.
 As oficinas do CRS da Taipa
 
Registos fotográficos das várias actividades em que os pacientes internados estavam envolvidos: desde agricultura, ferreiros, costura, fabrico de vassouras e sapatos, etc... Em muitos casos vendiam os seus produtos e as receitas ficavam em pare para eles e noutra parte para o próprio CRS. Também faziam parte do processo de recuperação a prática de desporto.
Recorde-se que a assistência aos toxicómanos em Macau só foi regulamentada em 1946. Até essa data os casos eram tratados de forma avulsa nos hospitais. Com esta legislação foram criados dois centros de tratamento: um no hospital S. Januário e outro na cadeia pública.
Jornal Lodi News-Sentinel: 19.9.1962