sábado, 31 de outubro de 2020

Emissão Marquez de Pombal "Imposto Postal": 1925

A ideia de construir um monumento ao Marquês de Pombal remonta a 1855 ano e a Aires de Sá, vereador da Câmara Municipal de Lisboa. No entanto circunstancias várias fizeram com que só em 1923 a ideia fosse retomada surgindo como fonte de financiamento a emissão de um  “Imposto Postal” em 1925.
Selos de 2 avos

A criação dos selos de “Imposto Postal” serviriam então para custear as despesas da construção do monumento, um projecto do escultor Francisco Santos e dos arquitectos António do Couto e Adães Bermudes. 
Selos de 4 avos em Macau com a sobrecarga 'Multa'.

Assim, a 30 de Julho de 1924, o ministro do Comércio, Henrique Sátiro Pires Monteiro, enviou à Câmara dos Deputados uma proposta de lei que criava dois selos postais, um de $15 e outro de $30 escudos, este último com uma sobrecarga “MULTA”, revertendo o produto da venda para a subscrição promovida pela Comissão Executiva do monumento ao Marquês de Pombal. No caso das províncias ultramarinas estes valores seriam 'adaptados'. Em Macau os selos tiveram como valores faciais os 2 avos e os 4 avos (multa).
Excerto da legislação:
No Artº 2º - A emissão destes selos não excederá a totalidade de 20.000.000, assim distribuídos: 3.300.000 para serem apostos nas correspondências permutadas no interior do Continente e expedidas deste para as Ilhas Adjacentes e províncias ultramarinas; 1.650.000 para serem apostos nas correspondências permutadas no interior de cada arquipélago dos Açores e Madeira e nas expedidas de cada um destes para o Continente e para o outro arquipélago e províncias ultramarinas; 1.750.000 para serem apostos nas correspondências permutadas no interior de cada uma das províncias de Angola e Moçambique e nas expedidas de cada uma destas para a Metrópole, para as outras colónias portuguesas e para as Ilhas Adjacentes, e 1.650.000 para serem apostos nas correspondências permutadas no interior de cada uma das colónias de Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné, Índia, Macau e Timor e nas expedidas de cada uma destas para a Metrópole e Ilhas Adjacentes.


sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Coolie asleep on some steps

"Coolie asleep on some steps, Macao" é o título desde esboço feito a lápis sobre papel da autoria de George Chinnery (1774-1852)
Veja aqui onde muito provavelmente Chinnery fez o desenho (13cmx13cm).

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

12º aniversário com inéditos e passatempo

Em Novembro o blogue Macau Antigo comemora 12 anos de existência. Para assinalar a data serão publicados ao longo do mês de Novembro vários posts com temas e imagens inéditas e será realizado um passatempo junto dos leitores com oferta de livros sobre a história de Macau.
Entre os temas inéditos a abordar destaque para: 
- Revelações sobre o hotel Hing Kee, que ao contrário do que tem sido escrito até hoje, não foi o primeiro hotel do tipo ocidental no território. 
- Memórias de uma família russa que fugiu à revolução bolchevique de 1917 e que na década de 1930 visitou Macau.
- Impressões de uma aristocrata/princesa soviética que visitou Macau, juntamente com o marido, no final do século 19.
- Um conceituado zoólogo britânico que viveu em Hong Kong na década de 1960 aceitou o convite para 'revisitar' as fotografias que tirou em Macau nos anos quentes (1966 e 1967) da revolução cultural chinesa.
- Imagens inéditas/raras da primeira versão do Hospital S. Januário inaugurado em 1874.
- Anúncios publicitários raros de hotéis e casinos.
- Um postal com mais de 100 anos e que não é bem o que aparenta ser... 
- Curiosidades sobre a indústria dos panchões, empresas de navegação da ligação marítima entre Macau e Hong Kong no século 19, etc...
Desenho publicado num jornal alemão em 1878

Desde Novembro de 2008 todos os dias é publicado um novo post - já são perto de 5 mil - fazendo do projecto o maior acervo online sobre a história de Macau. Em média, diariamente, mais de 500 pessoas acedem ao blogue que está muito perto de atingir os 2 milhões de visitantes.
A maioria dos leitores é originária de Portugal (25%), Macau (16%), EUA (14%) e Brasil (10%), perfazendo mais de 1 milhão de pageviews.
Destaque ainda para Rússia (9%), Alemanha (4%), Hong Kong (2º), Itália e França (<1%).
O blogue Macau Antigo está também presente na rede social Facebook.

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

China Merchants Steam Navigation Company

Fundada em 1872 com sede em Xangai, a China Merchants Steam Navigation Company (CMSNC) foi uma das várias empresas de navegação marítima a servir as cidades costeiras chinesas, incluindo Macau, e surgiu como forma do estado chinês tentar quebrar o domínio do sector por parte dos estrangeiros, em especial norte-americanos e britânicos. As famílias Swire, Russel e Jardine eram quem ditavam as regras sendo donos de empresas como a China Navigation Company (de John Swire), Shanghai Steam Navigation Company, Yangtze Steamship Company, China Coast Steamship Company, entre outras...
A navegação do rio Yangtzé  e a rota entre Shangai e Tientsin eram as grandes apostas da CMSNC que pouco depois de ser criada já dominava mais de metade do mercado com uma política agressiva para a época. O forte apoio estatal e o esmagamento de preços depressa fizeram a concorrência estrangeira quebrar. Em Março de 1877 a família Russel vendeu o negócio e em 1878 seria vez da Shanghai Steam Navigation Company também ser vendida  à China Merchants Steam Navigation Company.
Os navios Kian Tung (imagem abaixo) e Kian Ping estão entre os que efectuavam a ligação diária entre Cantão e Macau onde a empresa tinha uma ponte-cais exclusiva, a nº 14.
Notas: 
- Na época já existia a "Hong Kong Canton and Macao Steam Boat Co." mas só operava entre estas três cidades.
- A China Merchants Steam Navigation Company ainda se mantém em actividade. 
Ponte-Cais nº 14 da China Merchants Steam Navigation Company
Macau, Porto Interior: década 1930
S.S. Kiantung

terça-feira, 27 de outubro de 2020

"Someone who Cares"

O título "Alguém que se preocupa" de uma notícia de um jornal dos EUA a 5 de Agosto de 1965 refere-se ao Padre Lancelote Rodrigues, mas também podia aplicar-se ao governo de Macau e ao seu papel em prol dos refugiados ao longo dos séculos...
Someone who Cares - While walking down a street in Macao, Father Lancelot Rodrigues, Catholic Relief Services-NCWC Macao Program Director, stops to check this man’s injured foot. On-the-spot compassion like this is only a minor aspect of the many CRS- NCWC relief programs for the needy in Macao. The overseas aid agency of American Catholics supports and conducts refugee rehabilitation programs, medical clinics and hos pitals, day nurseries and socio-economic improvement projects as well as food and cloth ing distribution centers in 79 countries of the world. (NC Photos)
in "Southern cross" (EUA) - 5.8.1965

Em Agosto de 1964 o mesmo jornal publicava outra notícia onde o tema continua a ser os refugiados chineses mas o 'protagonista' é o padre Luis Ruiz e os que, neste caso, fugiam da  China a nada, atravessando o chamado Canal dos Patos até chegarem junto ao posto fronteiriço da Porta do Cerco:
Everybody Swim MACAO (NC) - "In our village, everybody’s practicing swimming." The speaker was one of five swimmers among 22 escapees from Red China fished out of the "Duck" Canal (Aug. 7) by Macao’s police and taken to Father Luis Ruiz, S.J., at the Casa Ricci, where all newly arrived refugees are given aid. It’s a five to six-hour swim from the young man’s village in Chungshan County on the mainland to Macao.

A fuga de chineses do continente para Macau sempre existiu  mas tornou-se mais frequente na sequência da "revolução cultural" na China.
Veja-se esta outra notícia de Junho de 1962 com o título "Fugitivos Felizes":
Happy Escapees 
Barefoot and in patched clothing’, a group of refugees from Red China sit in the shade of a large tree in Portuguese- ruled Macao. In the background, a priest-official of Cath olic Relief Services-NCYVC, supervises the distribution of surplus food. Each night people risk their lives to escape from famine-ridden China; some swim to Macao, others come by boat, and a few slip across the border on foot. Those caught are sentenced to labor camps for as long as two and a half years.
in The Bulletin (EUA) - 9.6.1962
Tradução:
Descalços e com roupas remendadas, um grupo de refugiados da China Vermelha está sentado à sombra de uma grande árvore em Macau governada por portugueses. Ao fundo, um sacerdote oficial do Catholic Relief Services-NCYVC supervisiona a distribuição de alimentos. Todas as noites, pessoas arriscam a vida para escapar da China assolada pela fome; alguns nadam até Macau, outros vêm de barco e alguns atravessam a fronteira a pé. Os que são apanhados pelas autoridades chinesas são condenados a penas que podem ir até aos dois anos e meio em campos de trabalho."

Nota: No século XX Macau foi por diversas vezes porto de abrigo para milhares de refugiados, muitos da China mas não só. Primeiro foram os que fugiram à revolução bolchevique, depois dos que conseguiram escapar à primeira guerra mundial a que se seguiu a segunda guerra sino-japonesa e guerra do pacífico, a subida ao poder dos comunistas na China em 1949, a revolução cultural chinesa na década de 1960 e nas décadas de 1970/1980, também por causa da guerra, os vietnamitas, que viriam a ficar conhecidos como "boat people".

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Inside Passage to Macao

Na sequência do último post aqui fica o registo - in loco - detalhado de como era a viagem entre Macau e Cantão nos primeiros anos de 1800...

Going to Macao from Canton on the route used by the ships is prohibited and no one goes by it except in a ship private sail boat or native boats used expressly for this unlawful mode of travelling. The price demanded for taking a foreigner from Whampoa to Macao or from Macao to Whampoa varies from twenty to forty dollars.
The inner passage as it is called is the one appointed for boats which carry foreigners down to Macao by a passport or travelling license. In order to go in this manner application is made through a linguist two days previous to the time of departure to the department from whence the passports are obtained. A single boat is hired for about forty dollars which includes every expense and gives a privilege to as many as can be conveniently accommodated of going in it thus making the expense light when distributed among several. A commodious cabin with a raised platform around it covered with mats to sit and sleep upon a centre table and other conveniences render these boats very agreeable to travel in the servants cook and boatmen living on deck and not at all interfering with the passengers. In the narrow passages and in adverse winds or calms the boats are tracked by the crew who run along the shore harnessed to a line which is attached to the mast head while the course is governed by the helmsman with a broad and powerful rudder. To a stranger this mode of travelling is novel and interesting the shores abound with objects of curiosity or in beautiful scenery and it is only as he approaches the sea that the country begins to assume a less inviting appearance the hills being generally very high and either barren or covered with pines. The boat is detained at the town of Hong shan for the indorsement of the passport and inspection of the boat by the officers.

This town derives its chief importance from being the place of rendezvous for the numerous boats employed in the fisheries at the mouth of the river. The repairs and fittings out are conducted here and employment thus given to a considerable population. 
During the period when the ladrones or pirates were most formidable they committed many acts of violence near this place and as a protection against them a number of piles were driven across the channel for the purpose of preventing the passage of their vessels. A small portion of the channel was left open but guarded by an iron chain. The remains of this defence still remain although in a ruinous condition the cause of alarm not having recurred for many years. 
There is a regulation here that if a boat having foreigners on board arrives after sunset it must remain at anchor until the next morning as no officer will come off to examine it after dusk. It is also required of the European passengers to sign their names on the passport but ridiculous or fictitious names are generally substitutedas the Chinese officers are quite ignorant of any language but their own and depart with the autograph of Julius Cæsar or Napoleon to say nothing of others more absurd quite unconscious of the joke which is practised on them Sometimes just before reaching Macao in a part of the channel called the Broadway a war junk is found at anchor and the captain of the boat is obliged to board in order to show his permission to proceed.
No further stoppage occurs during the passage. The distance is difficult to estimate correctly owing to the very numerous bends in the river but it cannot be much less than an hundred and twenty miles Many pagodas are observed on the hills differing from those on the outside channel in having but seven stories while those at Whampoa Second bar & all have nine. Much less insolence and abuse is experienced from the country people than in the neighbourhood of Canton and it is probable that many civilities would be freely offered were it not for the fear the people entertain of the native magistrates who seize upon any demonstrations of kindness to the foreign devils as good grounds to accuse them of disaffection and treasons able intentions! (...)
in  Sketches of China, de W. W. Wood, 1830
PS: sobre este autor e o livro referido darei conta de mais detalhes em futuros posts.

domingo, 25 de outubro de 2020

Canton and Macao Passage Boats

A Canton and Macao Passage Boats foi uma empresa criada pelos britânicos no início do século 19. Os sócios tinham embarcações de pequeno porte que serviam para transportar mercadorias, correio e passageiros entre Macau e a cidade de Cantão. Em baixo um anúncio de 1832 publicado no jornal The Canton Register. Este foi o primeiro em língua inglesa publicado na China desde 1827. Depois passou a ser impresso em Macau e Hong Kong. Diga-se que chegou a ter anúncios em português.
Por volta de 1830 a viagem por passageiro custava 15 patacas. A partida em Macau fazia-se na zona norte da baía da Praia Grande. Transportava-se passageiros, carga e até correio.
Os "Passage boat" que faziam a ligação fluvial entre Macau e Cantão eram embarcações de dimensões reduzidas. Tinham entre 15 a 20 metros de comprimentos e cerca de 4 metros de largura. Podem ver-se nestas ilustrações da autoria de François-Edmond feias em Paris em 1832.
Na edição de 1 de Setembro de 1835 do The Canton Register é publicada uma carta de um leitor e a resposta do editor a propósito deste assunto:
Carta:
MR EDITOR I am resident at Macao I am English and want to come up to your city for a few days on business. I dare say by the sacrifice of from three to four days some of our Indian traders will hospitably and safely carry me up but my dilemma is how am I to get down again and on this I want your advice.
If I go to the hoppo and get a red chop at the expense of dollars 36 or I can get down but at the risk of a bullet or two at my head from the entrance fort at Macao. I am an old man and want nerve to bear this. Now again if I go in one of the passage boats running three times a week my correspondents write me they do not like such doings as the chinese do not allow them and besides these passage boats only allow me to carry a change of line or a bed and not the variety of absolute comforts old age requires after a long residence in a hot climate I fear death equally by bullet or indigestion but I have a greater fear of the censure of my foreign employers as thereby I lose money. Pray advise me I am quinte aground.
Macao 29th August 
Your's ONE IN DOUBT 

Resposta do editor do jornal:
We have some difficulty in advising our on the matter. A chop boat with all it's concomitants of bed board and attendance is more suitable to senile helplessness than any other veyance we know of and we trust Old age and want that illmatched pair do not cause our aged friend mourn. But then the bullet from the musquet of a and be a soldier of the brave Portuguese nation the old faithful and gallant ally of Great Britain should be into consideration. We cannot but consider some mistake must have curred when a chopboat with Englishmen on board fired at from the Bar fort as was reported in the last ter and this mistake we trust the authorities at will feel a pleasure in explaining for they cannot to insult or to offend either their English or friends. We confess we do not understand why correspondents should trouble their heads with the manner of link between Canton and Macao and we consider them to be in error when they say the passage boats traverse Canton river without the permission of the local government. On the whole we recommend One in doubt just to please himself in his future peregrinations but also to peregrinate armed that be may be able to defend himself from all lawless and wanton attacks by whomsoever committed. 

Só em 1838 este transporte foi regulamentado, obrigando por exemplo a içarem uma bandeira, permitindo assim saber os que estavam habilitados para efectuar esta rota.
Ilustração de Harry Edmund Edgell, 1858

Curiosidade: na rota entre Macau e Cantão existia um forte chamado "Macau/Macao" - a 10 milhas da localidade de Whampoa (imagem acima) - e uma zona estreita do rio com o mesmo nome "Macao passage" ou "Broadway". O forte tinha dezenas de canhões e foi ocupado pelos britânicos - está lá a bandeira - em 1858 como forma de garantirem a segurança das embarcações muitas vezes atacadas por piratas.

PS: darei conta em detalhe de como era esta viagem num próximo post num relato da época.

sábado, 24 de outubro de 2020

"Rua de Macau" na exposição Mundo Português: 1940

Há 80 anos decorria em Lisboa a Exposição do Mundo Português.
No Duplo Centenário da Fundação e da Restauração da Nacionalidade (1140 e 1640) portuguesa realizou-se em Lisboa nesse ano de 1940 a Exposição do Mundo Português em que Macau esteve representada na Secção Etnográfica Colonial. (mapa acima)
Rua de Macau: reconstituição de uma artéria da Cidade Portuguesa na China. 
Foto (acima) de Casimiro dos Santos Vinagre em 1940. 
O encerramento das celebrações do Duplo Centenário deu-se a 2 de dezembro de 1940.
Dado o carácter efémero dos materiais com que foram construídos a maioria dos pavilhões estes serias demolidos após o término da exposição. Entre as excepções esteve o arco oriental que dava entrada para a Rua de Macau, actual Jardim Botânico Tropical.
O Padrão dos Descobrimentos foi, numa primeira fase, demolido, e só em 1960, por ocasião das Comemorações Henriquinas (5º centenário da morte do Infante D. Henrique), foi feita uma réplica do Padrão original agora em pedra sendo criado no interior um elevador; só em 1985 foram realizadas as obras necessárias que permitiram o posterior acesso pelo público ao miradouro, ao auditório e às duas salas de exposições.
Macau foi muito muito provavelmente a representação mais exótica de toda a exposição. Em cima outro aspecto da Rua de Macau.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Cesar Von Duben: fotógrafo itinerante

Tal como os pintores, os pioneiros da fotografia - o invento de Daguerre é notícia em 1839 no Canton Press (imagem abaixo) - também se tornaram itinerantes. 
Os primeiros na Ásia (neste caso na China) terão sido os que acompanharam os 'enviados' britânicos durante a Segunda Guerra do Ópio que terminou em 1842. Seguiu-se, em Macau, Jules Itier,  que em 1844 documentou o trabalho que ia fazendo, não só em imagens mas em texto escrito em jeito de diário. Infelizmente a maioria não deixou registo do percurso com excepção dos pequenos anúncios que iam publicando nos jornais das terras por onde passavam. 
Do grupo dos que primeiro rumaram à Ásia conta-se um barão sueco de nome Cesar von Duben (1819-1888) que deixou escritas as suas memórias num livro intitulado "Resemlnnen fran Sodra och Norra Amerlka, Aslen och Afrlka" (Memórias de viagem de Sodra e América do Norte, Ásia e África), publicado em Estocolmo em 1886.  
Há ainda um outro título da sua autoria - "Resor uti Guiana, Mexico, Californien, China och Ostindien, företagna aren 1843-1858" (Viagens na Guiana, México, Califórnia, China e Índias Orientais (1843-1858), publicado em Estocolmo em 1878. 
Duben saiu da terra natal em 1843 e andou primeiro pela Europa. Depois rumou à América e no final de 1849 estava no México. Em 1852 passa por S. Francisco (EUA) seguindo depois para a Ásia e só voltaria a casa em 1858. 15 anos depois...
C. Duben tirou fotografias em Filadélfia, S. Francisco, México, China, Filipinas (1853), Singapura, Burma, Índia (1855), Indonésia, Hong Kong, Macau (1853), Shangai (1852) e Cantão.  

A 26 de Abril de 1853 o jornal "The Friend of China and Hong Kong Gazette" publica um anúncio de Cesar Von Düben intitulado em português e inglês com o título "Daguerreotype Gallery": 
"O abaixo-assinado (C. Duben) tem a honra de anunciar ao publico, que elle se acha estabelecido nesta Cidade na Taverna intitulada Macao Hotel nº 65, Praia Grande (...) e que elle terá muita satisfação de tirar Retratos das pessoas que quiserem honrar com a sua presença". 
O anúncio em inglês informa ainda que Duben, "recém-chegado de Xangai via Manila", tinha  um stock elegante de materiais, adquirido em Londres e Nova York, para tirar retratos e vistas geralmente num estilo nunca antes visto naquelas paragens e de uma qualidade superior às pinturas em termos de realismo. 
Avisa-se ainda os interessados que devem visitar a galeria entre as 8 da manhã e as 4 da tarde e com a maior brevidade possível já que a galeria só estará aberta em Macau durante duas semanas.
De Macau Duben segue para Hong Kong onde publica outro anúncio, a 13 de Maio, informando que fica por 3 semanas no City hotel (D'Aguillar Street) com a sua galeria. Admite-se que a procura terá sido muito já que Duben ficou por Hong Kong, pelo menos, até Julho de 1853 de acordo com os anúncios da época.  Em 1954 há registo da sua passagem por Singapura.
Nota: Até hoje ainda não encontrei as 'fotos' que Duben tirou em Macau.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Teatros e Cine-Teatros: 1964

Teatros: 
D. Pedro V (Largo Santo Agostinho) e Cheng Peng (Travessa do Auto Novo)
Cine-Teatros: 
Capitol (Rua de S. Domingos), Vitória (Rua dos Mercadores), Apollo (Av. Almeida Ribeiro), Oriental (Calçada Tronco Velho), Império (Rua do Campo), Roxy (Rua Ribeira do Patane), Lai Seng (Rua da Barca), Alegria (Estrada do Repouso), Cidade de Ouro (Rua Almirante Sérgio).
in Anuário de Macau, 1964
Largo do Senado: o Cinema Apollo frente aos edifício dos Correios


quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Carte du voyage des ambassadeurs de la Compagnie orientale des Provinces-Unies vers le Tartare

Carte du voyage des ambassadeurs de la Compagnie orientale des Provinces-Unies vers le Tartare, empereur de la Chine, les années 1655, 1656 et 1657, tirée de celle de Jean Nieuhoff / par P. Duval...
Autores: Pierre Duval (1619-1683) e Jan Nieuhoff (1618-1672).
Edição: 1677
Na parte inferior esquerda está assinalada a localização de "Makao".
Por volta de 1700 seria publicada uma outra carta - Carte exacte de toutes les provinces, villes, bourgs, villages et rivières du vaste et puissant empire de la Chine, faite par les ambassadeurs hollandois dans leur voyage de Batavia à Peking / dressée par Jean Nieuhof... présentement mise à jour par Pierre vander Aa - onde Macau surge assim referenciado: "Makao of Makou".
"Makou": Macau em holandês

Sugestão de leitura: 
L'ambassade de la Compagnie Orientale des Provinces Unies vers l'Empereur de la Chine ou Grand cam de TARTARIE faite par les Srs Pierre de Goyer & Jacob de Keyser, Illustrée d'une très exacte description des villes, bourgs, villages, ports de mers, & autres lieux plus considérables de la Chine, enrichie d'un grand nombre de tailles douces. Le tout recueilli par M. Jean Nieuhoff, Maître d'hôtel de l'ambassade, à présent gouverneur en Ceylan. Mis en français, orné, & assorti de mille belles particularités tant morales que politiques, par Jean Le Carpentier, historiographe. À Leyde Pour Jacob de Meurs, marchand libraire & graveur de la ville d'Amsterdam, 1665
Ilustração incluída no livro: representa um ataque dos holandeses a Macau. 
Ocorreram em 1601, 1603, 1607 e 1622.

Excerto do Capítulo XI (da primeira parte) intitulado "Les ambassadeurs ébranlés par une tempête. De la ville de Makao, &c." 

NOTA: a viagem rumo à China continental tinha obrigatoriamente de passar por Macau

(...) Le quatorzième du même mois nous aperçûmes les îles de Makao à 21 degrés & dix minutes d'élévation, & à 24 brasses d'eau. Vers le soir nous vînmes mouiller l'ancre à sept brasses de profond à l'abri d'une belle côte tirant vers l'est. Le lendemain en avançant chemin, nous vîmes une bonne quantité de grands & petits vaisseaux, qui tous saisis de frayeur comme les daims talonnés des chiens, ne savaient où se sauver, tant étaient-ils épouvantés du pirate Koxinga, qui lors par ses brigandages continuels portait l'effroi & les alarmes dans tous les cœurs de ces insulaires, & pour lequel sans doute ils nous prenaient. Nous employâmes deux jours entiers à côtoyer ces îles devant que de voir la ville de Makao, qui est située à la hauteur de 21 degrés & dix minutes. Et quoique l'occasion ne nous permît pas d'y prendre terre, si estce que je ne puis m'empêcher d'en dire quelque chose, & de vous représenter en ce lieu le crayon que j'en ai fait dans notre bateau.
Cette ville (qui depuis plusieurs siècles fut une des plus célèbres & des plus marchandes de toute l'Asie) est plantée au cœur d'une petite île, liée à une autre plus grande, sur une haute montagne, qui semble être à la vérité inaccessible, voire inexpugnable. Elle est de tous côtés environnée de l'Océan, à la réserve d'une petite langue de terre qui se voit au Septentrion. 
La mer qui l'entoure n'est pas profonde, ce qui empêche que les grands navires ne s'y rendent, à moins qu'ils s'y poussent par le havre, qui est défendu d'une belle forteresse, munie de quantité de belles pièces d'artillerie, & de fort gros canons de fonte: aussi je ne pense pas qu'il s'en fasse un si grand nombre ailleurs, ni de si bons; car c'est ici où on en fond journellement de neufs du cuivre qu'on transporte de la Chine, & du Japon, & qu'on en fournit toutes les Indes, non sans un grand profit pour les habitants. Si vous regardez la terre, vous n'y voyez aucun arbre, ni aucun empêchement dans le chemin, tout y est libre, & ouvert. Il y a seulement deux châteaux, qui sont fort bien pourvus, & plantés sur les prochains coteaux, qui assurent extrêmement la ville contre les attaques des ennemis. 
Dans le même lieu, où la ville est bâtie, on adorait jadis l'idole Ama, & parce que le havre était fort propre & commode pour les navires, que les Chinois appellent Gao dans leur langue, c'est de là que s'est formé le mot d'Amacao, au lieu qu'on la devait plutôt nommer Amagao. D'où vint que par contraction, ou corruption, on la nomme en nos jours Macao, voire Makou. Ce lieu donc étant devenu désert & inhabité, à cause peut-être que cet idole y rendait fort peu d'oracles, fut recherché par les Portugais, qui l'ayant jugé fort avantageux pour le négoce, bâtirent de très belles maisons sur ses ruines, non toutefois sans la connaissance, & la permission des Chinois. 
De là vint qu'en peu de temps elle se rendit très fameuse, & très peuplée, à raison du grand nombre de marchandises, & des denrées que les Portugais y amenaient de l'Europe, des Indes, & de la Chine. Ce qui ne fait pas peu à la gloire & à l'avancement de cette ville est, que les habitants ont la permission de se transporter deux fois par an à la foire des Kanton, & d'y séjourner aussi longtemps qu'elle dure. D'où ils avaient accoutumé d'emporter ces dernières années mille trois cents caisses de toute sorte de draps de soie; chaque caisse contenait cent cinquante pièces de velours, de ras, de damas, & d'autres telles étoffes. 
On avait aussi de coutume d'y enlever deux mille cinq cents pains (comme ils les appellent) masses, ou lingots d'or, dont chacun pesait dix toels, comme ils disent, & chaque toel était de la pesanteur de 13 ducatons: de sorte que chaque pain d'or était de treize onces plus ou moins. Ils en apportaient aussi plus de huit cents livres de music, sans parler du fin lin, du fil d'or, de la soie brute, des pierres précieuses, des joyaux, des perles, & d'autres richesses de cette trempe. (...)

terça-feira, 20 de outubro de 2020

"Naval Movements": Outubro 1902

Na edição de 10 de Outubro de 1902 do The Hong Kong News, o correspondente em Macau, informa sobre os "Movimentos Navais", ou melhor, sobre a falta de movimentos. 
Explica que a canhoneira Zaire partira no ultima sábado para Hong Kong onde irá ficar entre um mês a seis semanas para a "instalação da luz elécrica" e que a canhoneira Diu deverá chegar ao território oriunda de Shangai dentro de "um ou dois dias". Uma outra embarcação semelhante, mas francesa, a Argus, deverá chegar a Macau "na próxima semana".
Canhoneiras Zaire e Diu (esta última construída em 1889 - imagem abaixo)

Canhoneira Zaire num modelo à escala. 
Foto Museu da Marinha
Foto de P. Marinho e postal ilustrado pintado baseado no mesmo registo feito em 1900.
Nesta época a divisão naval portuguesa no extremo-oriente - Estação Naval de Macau - incluía ainda os cruzadores "Vasco da Gama" e "Adamastor".

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

"Flores": o primeiro jetfoil 'civil' da Boeing

Por estes dias corre a notícia em Macau e Hong Kong que o primeiro jetfoil do mundo a ser construído deverá ser desmantelado muito em breve. Acontece que este jetfoil, embora tenha sido o primeiro a ser construído pela Boeing (na divisão Boeing Marine Systems), não foi o primeiro a assegurar as ligações marítimas entre Macau e Hong Kong. Esse foi o "Madeira" em 1975 seguido do "Santa Maria"
Mas, vejamos de forma breve como tudo começou...

O lançamento à água do primeiro "929-100" baptizado pela Boeing como "Jetfoil One"
Fábrica da BMS em Seattle (EUA), Março 1974

O modelo conhecido pelo número "929-100" e pelo nome "JetFoil One" começou por ser um projecto com fins militares até que o seu uso para o transporte (civil) de passageiros foi anunciado em Outubro de 1972. 
O jornal The New York Times, na edição de 5 de Novembro de 1972 publica na página 24 uma notícia assinada por Richard Witkin sobre o jetfoil com direito a fotografia. Tem como título "Boeing to build novel 250 passenger hydrofoil for rought water":
"The Russians are operating more than 1,000 such craft, according to William M. Shultz, who directs the Boeing project. In the summer of 1974, a company that operates hydrofoils over the 40‐mile stretch between Hong Kong and Macao plans to put in service a new design its manufacturer likens to a jet airliner.
The new craft, the builder contends, will represent “for the first time a high‐speed boat with a consistently smooth ride, even in rough waves and rough water.” The prediction comes from the Boeing company, the Seattle‐based corporation whose name is synonymous with jet airliners but whose attention is also being increasingly devoted to transportation down at zero altitude."

Nesse mesmo ano de 1972, o primeiro modelo começa a ser construído em Seattle (EUA). Ficou pronto a 29 de Março de 1974 tendo posteriormente começado os testes e serviria de demonstração da nova tecnologia um pouco por todo o mundo jnto de potenciais clientes. Em 1975 começou a operar no Hawai com o nome Kalakaua e só em 1978 entrou ao serviço da Far East Hydrofoil Ltd nas ligações Hong Kong-Macau (duravam 50 minutos) tendo sido baptizado com o nome "Flores" (alusão a uma das ilhas dos Açores - Portugal). Transportava 262 passageiros. Operou até ao ano de 2008 nas águas do delta do rio das Pérolas.
O nome "Flores" no casco 

O aspecto mais recente do Flores. A empresa passou a denominar-se TurboJet em 1999 

domingo, 18 de outubro de 2020

"Changes in Macao": 1902

A 10 de Outubro de 1902 um jornal de Hong Kong publicava uma pequena notícia com o título "Changes in Macao" / "Mudanças em Macau". Que mudanças eram essas?
A primeira dizia respeito a um abastado cidadão de Hong Kong, Ho Tung (que viria a ser Sir Robert Ho Tung). Informava-se que Ho Tung acabara de comprar um terreno na pacata zona da Estrada da "Bella Vista", nas "traseiras da Flora", onde já estava a ser construído "um sólido muro de granito ao longo da estrada". O jornalista avançava com a ideia de que a "enorme casa" iria ter "campo de ténis" e "jardim".
A segunda mudança era a inauguração do hotel Internacional, no edifício antes ocupado pelo hotel "Almeida". Não se refere mas o hotel ficava na Praia Grande, não muito longe da Sé. "uma benção para para os muitos visitantes de fim de semana" no território, pode ler-se.
A terceira mudança, não o era de facto, mas a informação - tendo por base rumores - que a tão falada ligação de comboio entre Macau e Cantão não iria avançar (e nunca foi feita). Tal como também tinha sido cancelado o "bazaar" programado para o sábado seguinte.
Sobre Ho Tung diga-se que esta foi a estreia daquela personalidade na ligação a Macau, uma relação profícua que iria durar décadas.
 

sábado, 17 de outubro de 2020

La Nouvelle Géographie Universelle, la terre et les hommes: 1875

Mapa de Macau da autoria de Charles Perron no livro La Nouvelle Géographie Universelle, la terre et les hommes, de Elisee Reclus, edição de 1875. São 30 volumes. Macau surge no vol. 19.
Entre as várias referências ao território, para além deste mapa, surge a informação de que em 1878 a população de Macau era de 59.959 habitantes: 55.450 chineses e 4.509 europeus.
Excerto:
La colonie portugaise de la «Cidade do Santo Nome de Dios de Macao» (Ngaomen des Chinois), située à l'ouest deHongkong, de l'autre côté de l'estuaire dans lequel se déverse la rivière desPerles, n'est pas officiellement séparée de la Chine. Le gouvernement dePeking n'a.jamais reconnu la domination absolue du Portugal sur cettepresqu'île, et, comme suzerain, 
Edição de 1877
il reçoit un impôt fixé par l'empereur Kanghi à 500 taels, soit environ 3700 francs, par l'entremise d'un mandarin résident. Toutefois l'ancienneté de la possession, qui date de l'année 1557, et les mesures énergiques prises par le gouverneur Amaral en 1849, ont fait de Macao une terre vraiment portugaise et la partie de la ville qu'occupent les Européens a tout à fait l'aspect d'une cité de l'Estramadure avec ses grandes maisons régulières, peintes en rouge ou en jaune, ornéesde lourdes balustrades, et ses vastes couvents transformés en casernes. 
La population dite portugaise, à laquelle s'ajoute une garnison de 1400 hommes, se compose presque uniquement de métis; encore est-elle biené loignée de constituer la majorité des habitants; le principal quartier est celuides Chinois: c'est là que se presse la foqle et que se fait tout le travailde la colonie. 
Même le quartier portugais, Praya-Grande, est partiellement envahi par les enfants de Ilan: il leur est défendu d'y construire des maisons, mais ils achètent celles des anciens maîtres lusitaniens, etremplacent l'image de la madone par l'autel des ancêtres. 
La ville de Macao est bien située pour lecommerce. Elle occupe, au sud d'une grande île du delta, la plage méridionaled'une presqu'île accidentée, de 51 kilomètres carrés, qui se rattache àla terre ferme par un cordon de sable, la «Tige du Nénuphar», jadiscoupé de fortifications; au nord, sur le territoire chinois, on distingue les murailles de la ville de Tsing chan ou du «Mont Vert», à laquelle les Portugais ont donné le nom de Casabranca. La rade, protégée contre les vents du large par des îles montueuses, donne accès aux grands navires etaux jonques venues de l'intérieur, soit par la rivière des Perles, soit par l'estuaire occidental du Si kiang. Pendant près de trois siècles, Macao eutle monopole du commerce de l'Europe avec l'empire Chinois, mais l'ouverture d'autres ports aux échanges internationaux priva la ville portugaise de ses avantages exclusifs, et ses marchands, n'ayant plus à s'occuper de l'expédition des denrées, se mirent à faire le trafic de chair humaine: les barracôes de Macao devinrent les entrepôts des coulis capturés ou achetés dans les îles et sur le littoral, puis expédiés sous le nom d'engagés volontaires au Pérou et dans les Antilles. Les réclamations du gouvernement de Peking mirent un terme, en 1875, à cette hideuse traite, et désormais les engagements des émigrants présentent quelques garanties desincérité; en outre, la plu part des contrats se signent maintenant à Hoang pou, sur terre chinoise. 
C'est à ses maisons de jeu que Macao doit sanotoriété actuelle parmi les cités de l'Extrême Orients. Le commerce local, presque entièrement entre les mains des négociants chinois, a quelque importance pour l'expédition desriz, des thésdes soies, du sucre, de l'indigo; mais presque tout ce trafic se fait par jonques, et peu de navireseuropéens se présentent dans le port: la plupart apportent du sel de Cochinchine. Le conseil municipal ou Leal senado (sénat loyal) est élu par lesuffrage universel.
Macao est fameuse dans l'histoire littéraire. Camoes y sé journa dix-huit mois, en 1550 et en 1560, et l'on dit qu'il y écrivit unepartie des Lusiades. Le propriétaire d'un jardin, «nommé le Parc de la Tourterelle blanche», montre un rocher fendu, formant une sorte de grotteque la tradition a consacrée comme le lieu dans lequel se retiraitle poète: ce serait là le «refuge conforme à ses soucis» où Camôes,se cachant «dans les entrailles du rocher, à la fois vivant et mort, enseveli etvivant», pouvait «gémir sans mesure et sans contrainte». Dans lecimetière de la ville est la tombe de Morrison, un des savants qui ont le plus faitpour l'étude de la langue et de la géographie chinoises. François deXavier, le célèbre missionnaire jésuite qui introduisit le catholicisme au Japonet qui fut canonisé comme «protecteur des Indes», mourut, en 1552, dansune île du littoral voisin, Tchangtchouen ou Sancian, dite Saint-John par les marins anglais. 
Les Anglais de Hongkong ont acquis de nombreuses villas dans les alentours de Macao, pour y jouir de la brise marine qui souffle régulièrement sur les côtes. 
A l'ouest de Macao se succèdent un grand nombre de ports sur le littoral de la Chine, des deux côtés de la péninsule projetée vers l'île de Haïnan; mais un seul havre de la région est ouvert au commerce européen, celui de Pakhoï (Peï haï) ou «MerBlanche», situé au bord d'une lagune, sur une plage méridionale de l'estuaire de Lientcheou, dans lequel remonte le flux du golfe de Tongking: les premiers navires européens ne se présentèrent dans la rade qu'en l'année 1879, et le mouvement des échanges avec l'extérieur n'a plus'élever encoreau niveau de celui des autres ports!; le poisson salé est le principal objet du commerce local. Mais il est certain que Pakhoï prendra de l'importance: là commence une route directe par Lientcheou et Yulin vers les districts fertiles du Yu kiang, dont les denrées s'expédient maintenant vers la mer par le long et pénible. (...)

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Macau e a SGL

Em Lisboa, na Rua das Portas de Santo Antão, para além do Coliseu dos Recreios, está a Sociedade de Geographia de Lisboa (SGL) fundada em 1875 como objectivo de promover e auxiliar o estudo e progresso das ciências geográficas e correlativas, em consequência do aumento do interesse dos países europeus pelo continente africano. A SGL passou para este edifício em 1897.
No primeiro andar fica a Biblioteca, com um espólio bibliográfico composto por cerca de 62.000 obras, inúmeras revistas e aproximadamente 6.000 documentos manuscritos. Noutra sala, a Mapoteca com uma riquíssima colecção cartográfica, desde atlas, mapas e plantas, portuguesas e estrangeiras.
No segundo andar, considerado o andar nobre, fica a "Sala Portugal", destinada ao Museu Histórico e Etnográfico, grandes recepções e sessões solenes. O Museu contém objectos culturais originários da África Ocidental, Central, Oriental, Índia, China (incluindo Macau), Japão e Timor. Na "Sala Algarve" estão as estátuas de Vasco da Gama, do Infante D. Henrique e de Camões, e um grande planisfério luminoso com as rotas dos Descobrimentos, feito expressamente para a Exposição Internacional de Paris de 1931. Na "Sala da Índia" estão os retratos do Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia, com dedicatórias autografadas e um Escudo Nacional de madeira de teca.
Na "Sala dos Padrões" fica o acervo museológico constituído por um conjunto de peças ligadas aos Descobrimentos Portugueses, destacando-se os padrões de pedra colocados na costa africana.
De salientar ainda a publicação ininterrupta desde 1876 do Boletim da Sociedade, publicação de grande prestígio sobre temas como a Expansão portuguesa, História, Antropologia e Etnografia, Ciências da Natureza.
Entre os inúmeros documentos sobre Macau existentes na SGL realço apenas alguns:
- Planta da Península de Macau / Sociedade de Geografia de Lisboa; reduzida e desenhada por António Heitor, Conductor civil Obª Pº Macau; lith. Assumpção; Lithographia da Imprensa Nacional.  Escala 1:5000. - Lisboa : Sociedade de Geografia de Lisboa, 1889 (imagem ao lado).
- O Centenário da Índia 1898: exposição / Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, Sociedade de Geografia de Lisboa. Lisboa, 1998.
- Sessão solemne da Sociedade de Geographia de Lisboa em a noite de 16 de Maio de 1898: presidencia de Sua Magestade o Rei. Lisboa, Imp. Nacional, 1899.
- A Responsabilidade portuguesa na convocação do X Congresso Internacional dos Orientalistas: relatório, G. de Vasconcelos Abreu, SGL, Lisboa, 1892.

quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Postais: "Soldados da Polícia Moura" e "Soldados Chinezes da Polícia"

O postal ilustrado abaixo foi feito tendo por base uma fotografia de estúdio com dois polícias mouros. Faz parte da colecção "Colónias Portuguesas" publicada em Portugal ca. 1900/1910.
Este corpo de polícia foi criado em 1873 tendo sido construído um quartel de propósito, o denominado Quartel dos Mouros (que ainda existe). Por volta de 1880 estavam em Macau 150 soldados indianos, vindos de Goa/Índia Portuguesa, para serviços de patrulha da cidade. Até pelo menos à década de 1940 continuaram a ser recrutados.

Da mesma colecção faz ainda parte este postal (acima) intitulado "Soldados Chinezes da Polícia". O 'cliché' é da A. de Magalhães e foi também feito em estúdio (o cenário é o mesmo).

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Sobrescrito com 5 carimbos: 1876

Na imagem temos um sobrescrito com cinco carimbos. O primeiro carimbo, da esquerda, prova tratar-se de uma correspondência de 1876. Na altura não havia ainda correio oficial em Macau (era assegurado via Hong Kong daí o nome Macao) e nem sequer selos (só a partir de 1884). Já o carimbo da parte superior direita "Pago em Macao" tem não só uma dupla circunferência como ostenta a coroa britânica. 
O carimbo "60" diz respeito ao valor dos portes enquanto o carimbo rectangular "Via de Gibraltar" indica uma das quatro vias pelas quais o correio entre Macau e Portugal (e vice-versa) circulava na época: via de Gibraltar e Suez até Hong Kong por paquetes britânicos (por exemplo, da P&O); via Brindisi (Itália) e Alexandria e depois Hong Kong; via Marselha e Suez e depois Hong Kong através dos paquetes franceses da Messageries Maritimes (ver imagens abaixo); mais raramente, via os navios mercantes ou navios de guerra portugueses, apenas quando o endereço do destinatário era o nome da navio.
Resta acrescentar que esta carta foi recepcionada no correio de Lisboa a 14 de Maio de 1876 (carimbo do lado inferior direito).
Boletim da Província de Macau e Timor - 1877