segunda-feira, 20 de junho de 2022

O Oriente Portuguez

Criado a 26 de Abril de 1892 "O Oriente Portuguez - Semanário Dedicado aos interesses portuguezes da China e Oceania" tinha 4 páginas. A redacção ficava no nº 1 da Rua dos Prazeres e o administrador era A. V. da Silva. Durou até 1894.
Este título concorria com outro, "O Macaense"
Esta rua deixou de existir com este nome na década de 1950 passando a chamar-se Rua da Imprensa Nacional. Actualmente existe ainda a Travessa dos Prazeres.
Algumas das notícias das primeiras edições

sábado, 18 de junho de 2022

"Pinga" na escadaria das Ruínas de S. Paulo

A fotografia é uma das imagens de marca de Macau até à década de 1960. Uma mulher transporta o que parece ser uma carga de troncos de madeira nas escadaria que dá acesso à fachada da antiga igreja Mater Dei (ruínas de S. Paulo).
Pinga: sistema de transportar objectos suspensos de um varal(de bambú) foi muito comum na Ásia incluindo Macau. Segundo os especialistas a palavra deriva do termo malaio "pungah"
Numa edição de 1978 da Revista Portuguesa de Filologia pode ler-se: "Varal das antigas cadeirinhas ou palanquins , o qual se apoiava no ombro dos cules ou carregadores."

sexta-feira, 17 de junho de 2022

"Kanton und Kantonstrom"

Mapa de origem alemã datado de 1898 cuja tradução é "Mapa de Cantão e do Rio Cantão"
Curiosidade: A legenda "Macao" surge na ilha de "Hong Schan" e também na península que corresponde efectivamente a "Macao" a que é acrescentada a designação "Port", referência a Portugal.

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Fotografias da Praia Grande: 1860 a 1870

Esta primeira fotografia da autoria de Lai Fong/Afong (1838-1890) é anterior a 1865 já que ainda não se vê o Farol da Guia inaugurado nesse ano. O registo foi efectuado no jardim da residência do norte-americano James Bridges Endicott (1814-1870) localizada na colina da Penha.
Foi em Macau que Endicott viveu a maior parte dos 35 anos que esteve na Ásia. Primeiro como comerciante na empresa Russel Co. (Cantão e Macau) e depois na marinha mercante e construção naval tendo sido proprietário de várias embarcações e director da empresa Hong Kong and Whampoa Dock Co. fundada em 1863. 
J. B. Endicott morreu em Hong Kong em 1870 e está lá enterrado embora exista uma placa memorial no cemitério protestante de Macau.
Nesta foto da autoria de John Thomson tirada no mesmo local, pode ver-se o Grémio Militar em construção pelo que a foto é de 1868/69. O Grémio ficou pronto em 1870.
De ca. de 1870 nesta foto da autoria de Lai Fong/Afong já se pode ver concluído o edifício do Grémio Militar. Com estúdio em Hong Kong este conceituado fotógrafo chinês voltaria a Macau em 1874 para testemunhar os efeitos to tufão que assolou o território nesse ano. 

Curiosidade:
"No dia 23 do corrente mez (Outubro 1866) uma commissão de cavalheiros estrangeiros residentes em Macau presidida por Mr HD Margesson visitou a S Exa o conselheiro Amaral com o fim de se despedir de S Exa louvando os seus bons serviços em prol d'este paiz. Como testemunho de apreço do caracter recto e justo de S Exa os mesmos cavalheiros lhe offereceram uma miniatura trabalhada em prata da torre farol que S Exa fez erigir na fortalesa da Guia. Mr Margesson leu e entregou a S Exa o seguinte adresse que publicamos a pedido d'este cavalheiro e dos mais que fizeram parte do committé." 
Entre os membros do comité estava J. B. Endicott. O Governador era José Rodrigues Coelho do Amaral.
O excerto é retirado do "Boletim do Governo de Macau" de 29 de Outubro de 1866.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Frei José Jesus Maria

Foi sobretudo com base na documentação da biblioteca do Leal Senado que frei José de Jesus Maria obteve a maior parte da informação com a qual elaborou "desde o anno de 1740 athé 1745" a que viria a ser a importante obra intitulada Azia Sinica e Japonica. Escrevi "viria" porque a obra só veria a luz do dia muitos anos depois e graças a um 'milagre'. 
Perdida durante décadas foi João Feliciano Pereira quem a encontrou no ano de 1889, em forma de manuscrito de 351 páginas de texto, frontispício e índice.
Capa da edição de 1941 coordenada por Charles Boxer.

Entre os vários motivos de interesse do livro contam-se os documentos dos códices mais antigos do velho núcleo do Leal Senado, que as intempéries e os bichos destruíram, mas a que o autor ainda teve acesso. Nesta edição que conta com notas de Marques Pereira, Charles Boxer e José Maria Braga são apontados alguns erros.

Alguns excertos:
"No anno de 1727 se vio bem embrulhada esta cidade de dezunions entre as justiças, querendo não menos que prender hum ouvidor [Moreira de Sousa] de El-Rey: entrava também o Cappitão Geral [Moniz Barreto] nestas tratadas; que como havia parcialidades [como ainda hoje] logo se havião suscitar desordens e contendas: o Embaixador [Metelo de Sousa] que ahinda aqui se achava quiz com o seu respeito e prudência serenar esta tormenta, mostrando com sua douta litteratura o que podião e não podião fazer; pois que regulados não pellas leis, que ignorão, mas so pellos dictames da vontade e subornos de empenhos, sempre fazendo ao direito torto, obrarão o que quizerão. Com effeito se modificou na prezença o facto, por attenção ao respeito; e obzequiando ao Embaixador que estava quasi de partida, lhe pedirão reprezentasse a El-Rey o mizeravel estado desta pobre cidade, propondo lhe as violências que na alfandega de Goa se faziam aos navios desta terra, pedindo lhe as viagens livres, e licença para cada anno poder hir hum navio ao Rio de Janeiro, e isto por pauta, intereçando se nelle todos os moradores".

No ano de 1745 a sociedade macaense era constituída por "Portuguezes, mistiços, nhons, malaios, canarins, timores, moçambiques, malavares, mouros, cafres e outras naçoens de que este todo se compoem, como também de alguns estrangeiros que aqui rezidem, e aqui cazarão francezes, inglezes, etc., não chegão todos a quatro mil" (...)com pouca difrença oito mil chinas, dos quais, me dizem, que só couza de 40 são cristãos".
(...) "nesta cidade de católicos e dentro das portas deste cerco quatro ou cinco pagodes em que vão adorar os seus ídolos. (...) procissões, comédias e diabólicos festins, não falando já no horrível estrépito de boticas que lhe sofrem nas ocasiões de lua, e muito mais na do seu ano novo, que parece isto um inferno com estrondos, desconcertadas vozes e desentoados instrumentos".
A igreja Mater Dei (antes do último incêndio de 1835).
Pintura de presumivelmente um artista macaense.
Espólio do Museu de Arte de Hong Kong.

Para o autor, escrevendo no século 18, o destino de Macau estava "irremediavelmente perdido" por via das "discórdias, bulhas, pendências e mortes por bebedices, principalmente de gente ordinária e cafre como hoje se está vendo e a cidade o paga". A história viria a provar o contrário.

terça-feira, 14 de junho de 2022

António Correia: 1949-2022

António Correia, o advogado que fundou, juntamente com Rui Cunha, o escritório C&C advogados, em Macau, morreu ontem em Lisboa aos 73 anos. 
António Correia viveu quase 20 anos no território, onde também foi deputado à Assembleia Legislativa entre os anos de 1992 e 1996.
Quando regressou a Portugal, ainda no período da Administração portuguesa, António Correia manteve ligações a Macau, onde também foi colaborador de vários meios de comunicação social e escritor de prosa e poesia.
A actividade profissional de António Correia começou na área da banca, em 1972, no Banco de Angola, tendo ido para Macau a convite do já extinto banco Totta&Açores. Mais tarde enveredou pela advocacia, tendo fundado um escritório próprio e desenvolvido actividade como notário privado. Em 1991 seria nomeado membro do Conselho Consultivo do Governo.
Os projectos profissionais que desenvolveu ao longo da vida mereceram o reconhecimento, em 2000, do então Presidente da República Jorge Sampaio, que lhe atribuiu a Ordem de Mérito, no grau de Grande Oficial. 
António Correia era natural de Resende, no distrito de Viseu, tendo chegado a Macau, pela primeira vez, em 1980.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Dos primeiros estabelecimentos portuguezes na China e especialmente em Macau

Dos primeiros estabelecimentos portuguezes na China e especialmente em Macau

No anno de 1542 já tinham os portuguezes um estabelecimento consideravel na China a que deram o nome de cidade de Niampó ou Liampó na costa oriental do imperio a 30 graus N. Em 1549 fundaram outro estabelecimento em ChimChée e ultimamente vierâo a fundar o de Macâo, na ponta do sul da ilha de Gaoxam (ou Yanxan) em 1557.
Em 1557 a requerimento dos proprios chinas, segundo escrevem os nossos autores, alcançaram dos mandarins de Cantão licença para commerciarem em Macau ficando todavia inhibidos de se alargarem pelos demais portos do imperio concedendo se lhes a faculdade de irem ás feiras de Cantão. 
Em 1583 e 1585 alcançaram os portuguezes estabelecidos em Macau licença do vice rei de Cantão com autoridade do imperador para entre si administrarem justiça aos seus e em 1587 tiveram licença do dito vice rei Chin sung para o mesmo effeito sendo já tão sensivel o augmento e riqueza da colonia portugueza que os nossos lhe pozeram o nome de cidade do Nome de Deus de Macau.
Estas diversas concessões dos chinas feitas aos portuguezes constam de uns documentos a que chamam Chapas de que possuo algumas copias na minha collecção diplomatica bem como das que existem gravadas em uma lapida nas casas da camara de Macau as quaes me foram dadas pelo coronel Lucas José de Alvarenga que foi governador da mesma colonia.
Sinto não ter aqui estes documentos que poriam talvez em melhor luz a natureza das concessões que nos foram feitas pelos chinas porém se bem me recordo não havia entre ellas nenhuma que delatasse de um modo formal e positivo que os chinas houvessem concedido aquelle territorio á corôa de Portugal. Todavia outros documentos de que em seu tempo farei menção parecem demonstrar que os proprios chinas consideram Macau como uma cidade independente e fóra do dominio territorial do imperio
Das noticias que possuimos acerca do nosso estabelecimento em Macau resulta o conhecimento de que não estamos de posse d aquella cidade e territorio por direito de conquista porque se assim fôra não pagaria a dita cidade imposto territorial ao imperador no principio de cada anno. Não se pode affirmar que seja tão pouco uma colonia com todos aquelles requisitos que a constituem tal nem tambem uma doação feita pelos chinas aos portuguezes por isso que até agora não nos consta que se tenha feito convenção de soberano a soberano ou de governo a governo a este respeito.
O que se colhe de mais positivo do exame das noções que temos é que o estabelecimento portuguez de Macau é uma continuada concessão dos chinas aos nossos mercadores que alli residem. (...)
in Memoria sobre o estabelecimento de Macau: escripta pelo visconde de Santarem (...), Lisboa,1879

domingo, 12 de junho de 2022

Sciences et Voyages: 19 Julho 1934

A edição nº 777 da revista "Sciences et voyages" publicada a 19 Julho de 1934 tem na capa uma imagem de Macau - juncos, sampanas e tancares num porto de abrigo - e o título "A Macao, Terre Portugaise de Chine" / "Em Macau, Terra Portuguesa na China".
No interior está um artigo da autoria de Christian de Caters intitulado: "Macao, terre portugaise de Chine ou l’on fabrique pétards, allumettes et bâtonnets d’encens"
"Macau, terra portuguesa na China onde são feitos fogos de artifício (panchões), fósforos e paus de incenso". 
E assim era, só faltou a referência à pesca que era também uma actividade económico muito importante no território.
Curiosidade: Caters traduziu em 1944 a obra "As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis.

sábado, 11 de junho de 2022

Restaurante / Casa de Chá Xing Xiang no Largo da Caldeira

Desde os primórdios e até à década de 1960, o Porto Interior foi a porta marítima de entrada e saída de Macau. Em baixo uma vista parcial de uma mapa da década de 1920/30 onde estão assinaladas a "Ponte dos vapores da carreira de Cantão", a "Ponte da carreira de Cantão" e a "Ponte da Carreira de Hong Kong".
Entre as actuais pontes-cais nºs 12 e 16 ficavam localizadas as "pontes das carreiras dos vapores" que faziam a ligação marítima com Hong Kong e Cantão. A zona era em tempos remotos conhecida por Largo da Caldeira, um topónimo que deixou de existir.
No meio náutico Caldeira é uma "espécie de doca para embarcações pequenas". Ou seja, uma pequena enseada que pode ser vista em mapas antigos - veja-se um exemplo abaixo num documento do século 18. 
Existiam várias 'caldeiras' ao longo do Porto Interior, até pequenas praias, e que desapareceram com os aterros feitos ao longo da segunda metade do século 19. Aliás, estes dois postais ilustrados - um a cores e outro a preto e branco, publicados em Hong Kong por M. Sternberg - nos primeiros anos do século 20 já mostram o resultado desses aterros e não as enseadas.

Sendo a zona mais movimentada da cidade era aqui que ficam por exemplo, alguns hotéis e também um restaurante/casa de chá muito conceituado denominado Xing Xiang Cha Lou - 杏香茶樓. É o edifício que está ao centro da imagem acima da década de 1870
Em alguns postais ilustrados desta zona da cidade surge a legenda "Praya of Macao". Foi também neste largo que funcionou durante muitos anos o estúdio de fotografia de Man Fook: ficava no piso superior da primeira arcada do edifício do lado direito.
Na mesma imagem ainda se pode ver de forma parcial uma torre prestamista - demolida após um incêndio no ano 2000 - localizada na Travessa das Virtudes.

sexta-feira, 10 de junho de 2022

"The city of Macao is interesting in various ways"

Duas fotografias, uma da Praia Grande e outra da Gruta de Camões, ilustram este artigo que seleccionei para assinalar o "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas". 
Foi publicado em Janeiro de 1918 num jornal dos EUA. Numa altura em que a Europa ainda estava em guerra, os turistas norte-americanos viajavam sobretudo para o Oriente e muitas das vezes passavam por Macau.
In these years of war when Europe is closed to the tourist, thousands of American travelers are turning to the Orient, and most of those who reach the coast of Asia get a glimpse at least of the oldest foreign colony In China. This is the Portuguese colony of Macao, at the western entrance of the Canton river and only 40 miles from Hongkong, the great British base. Macao is perched on a peninsula which Is itself a part of the Island of Hlangshan, separated from the mainland by a narrow arm of water. It was occupied by the Portuguese In 1557 and has been held ever since by that once great maritime nation. For nearly three hundred years the Portuguese paid ground rent to China for the colony, and in 1887 the sovereignty of Portugal was recognized by China. But the extent of the territory has never been settled, for China has always disputed the right of the Portuguese to the Islands of Taipa and Kolowan and to the coastal waters. Commissioners were named in 1909 for the dellmlnatlon of the boundaries, but they could not reach an agreement. 
The city of Macao is interesting in various ways and, despite its age, much of it is well built and not unhandsome. Along its curving water front, known as the Praya Grande, is a long row of fine residences and other buildings. Among the most imposing of these is the three-story house of Ah Fong, the Chinese millionaire, who lived in Honolulu for so many years and, after marrying his beautiful daughters to naval officers, departed with all his wealth to his mother country. Several miles inland is Ah Fong’s birthplace, the village of Wong-rao-sl, and there he has created a magnificent estate which Is his favorite place of abode In his old age. 
San Paulo and Camoens’ Grotto. 
In the most ancient part of the city are the ruins of San Paulo church. This was the collegiate church of the Jesuits and dates from the sixteenth century. In 1835 It was destroyed by fire, but Its great front wall still stands. There Is also an old castle that Is worth seeing, and several Portuguese forts that are garrisoned In ordinary times by 500 soldiers, and visitors of a commercial bent will wish to Inspect the cotton, canning and oil factories and the brick and cement works that, aside from fishing, comprise the chief industries of the place. 
To the literary tourist the place of most Interest In Macao Is the grotto of Camoens. The author of the Lusiad, the epic poem of Portugal, when he was banished from Lisbon In 1547 because of a love affair, first fought against the Moorish pirates on the Barbary coast and then, after being pardoned and again banished, betook himself to Macao and took up his residence In a house with a beautiful garden. There, In a rocky grotto, he composed the latter part of his great epic, and In the same recess now stands a bust of the poet who did so much for the literature and language of his country. 
Its Gambling Houses. 
If you say Macao to the ordinary globe trotter or the sailor whose voyages take him to the Orient, the name means chiefly a place where he can gamble, for the city Is one of the few places where the goddess of chance may still be wooed with the sanction of the law. 
Gambling licenses and opium supply the greater part of the colony’s revenues, and such a sign as “FirstClass Gambling House” is frequent on the main street. Naturally, one result of this Is that Macao swarms with lawless characters from all parts of the world and deeds of violence are rather frequent. The gambling dens are conducted by Chinamen, and fan-tan is the game usually played. It is apparently the simplest of all games, and one at which It should be Impossible to cheat. A sheet is spread on a table or on the floor, and the banker sits with a bowl full of copper coins in front of him. These he counts out by fours, and the gamblers stake their money on there being three, two, one or none remaining at the end In the bowl. Chinamen with a practised eye can tell while there are still a great heap of the coins In the bowl how this final counting will result, and the banker has probably a keener eye than any of the Chinese gamblers, and has seen before them what the count will be.
Some of the copper coins are really three coins Joined together, and a blow from the stick with which the banker counts out the coins will turn one coin into fwo or three if required. To counteract the possibility of the banker not being too honest, Europeans who gamble in large sums put their notes into envelopes before they throw them down on the divisions of the sheet. A man can back all four numbers if he will, one envelope containing notes for hundreds of dollars, while the others may each contain a note for a small sum. The banker, however very often guesses In which envelope is the big sum of money, and the division on which It Is laid Is not very likely to be the one to win.
Newcastle News (EUA), 16.1.1918

quinta-feira, 9 de junho de 2022

"Your Trip to Macau"

 










Guia turístico em português, inglês, chinês e japonês editado em 1967. Desdobrável com mapa de Macau e principais pontos de interesse turístico, da agência de viagens Estoril Tours - da STDM - criada em 1965.

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Montepio Oficial

O diploma orgânico do Montepio Oficial de Macau - Associação de Socorros Mútuos e respectivo estatuto foram aprovados pelo diploma legislativo nº 283 de 21 de Março de 1933 e portaria provincial nº 1.
(imagem ao lado)
Na década de 1960 teve novos estatutos aprovados pela Portaria n.º 8919, de 21 de Dezembro de 1968.
Tem como fins, entre outros, "a concessão de benefícios de segurança social e de saúde, destinados a reparar e a prevenir as consequências da verificação de factos contingentes relativos à vida e saúde dos associados e seus familiares e dos beneficiários por aqueles designados, valores cuja importância aumenta cada vez mais na sociedade em que vivemos, urge adequar os seus estatutos à realidade actual, com vista ao melhor funcionamento e aproveitamento das potencialidades desta associação mutualista."
Documento da década de 1980

terça-feira, 7 de junho de 2022

"Illuminação Pública d'esta Cidade": 1881

Nos termos do Edital do Leal Senado da Câmara, de 31 de Março de 1881, anuncia-se que a portaria que manda passar para a administração camarária a iluminação pública da cidade, começará a vigorar no 1.º de julho desse ano, e o mesmo Leal Senado está a organizar o competente cadastro a fim de poder proceder a distribuição do respectivo imposto, o que será graduado em oito classes, cujo máximo será do $8 e mínimo, de 50 avos.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

"Opium: shipment from Macao"

Em 1938 dois terços das receitas do Governo de Macau eram provenientes dos impostos sobre o jogo (fantan e lotarias) e da taxação do comércio do ópio
Num relatório internacional da época pode ler-se: 
"On April 3, 1938, a shipment of 1,100 chests of Iranian opium was landed at Hak Sha Wan near Macao from an armed Japanese vessel."
"A 3 de Abril de 1938, um carregamento de 1.100 baús de ópio iraniano foi desembarcado na praia de Hac Sa, perto de Macau, de um navio japonês armado."
Ao todo o carregamento era superior a 2 mil cestos. O local da descarga referido é a Praia de Hác Sa sendo a carga depois enviada para o BNU. Ou seja, com o consentimento do governo. Pedro Lobo era o responsável pelo comércio em nome das autoridades locais.
Notícia do The New York Times a 3.6.1939
"Japan is accused of Big Opium Sale. 300,000,000 Chinese Dollars Is Said to Be Sought Yearly in Invaded Territory". 
"O Japão é acusado de grande venda de ópio. Diz-se que 300 milhões de dólares chineses são transacionados anualmente no território invadido".
A referência ao "território invadido" era Macau. Embora oficialmente nunca o tenha sido, na verdade os japoneses tiveram entre 1937 (desde a invasão da China) e 1945, uma influência decisiva na forma como o território era governado.
"Geneva Body Is Informed That Smuggling Here Results From Macao Shipments
GENEVA, June 2.--Victor Hoo Chi-tsai, Chinese representative on the League of Nations Advisory Committee on Opium and Other Dangerous Drugs, cited at its meeting today a Japanese statement showing that Japan expects to obtain (...)"

O assunto seria debatido na Liga das Nações (Suíça) e notícia em todo o mundo. A notícia acima é de Julho de 1938 publicada num jornal da Nova Zelândia. Era sobre o "alegado" desaparecimento de 33 toneladas de ópio de Macau no valor de 600 mil libras.
Sugestão de leitura: "Macau 1937-1945: os anos da guerra", João F. O. Botas, IIM, 2012

"Macau 1937-45 - Os Anos da Guerra é um estudo sério, abrangente e metodicamente organizado sobre um do períodos mais conturbados de todo o percurso histórico de Macau. O livro é um importante contributo para um melhor conhecimento da forma como aqueles anos duríssimos foram vividos pela população de Macau, bem como das políticas públicas então prosseguidas neste derradeiro reduto de paz, permanentemente ameaçado pela sangrenta presença nipónica em seu redor, provocando tremendas convulsões em vastas áreas do Extremo Oriente." 
Texto do site do IIM

domingo, 5 de junho de 2022

Candeeiros na frente das casas: 1847

No dia 20 de Setembro de 1847, um Edital da "Câmara"/Leal Senado convidava os habitantes da cidade que ainda não tivessem colocado candeeiros na frente das suas casas a seguir o exemplo de muitos outros que já o fizeram, lembrando-lhes as vantagens da iluminação pública. 
Dois anos depois, em Portugal  a Rainha incube o Leal Senado de regular a iluminação pública da cidade de Macau ficando abolida uma anterior postura que obrigava os "chinas" a trazer lanterna transitando de noite.
Em 1866 já havia iluminação pública a gás. 

sábado, 4 de junho de 2022

Vista do governador de Hong Kong em Junho de 1866

Notícia do correspondente em Hong Kong do jornal "The London and China Telegraph" na edição de 11.6.1866 sobre a "curta" visita do governador da colónia britânica de Hong Kong a Macau. 
O clima de Macau, a questão da soberania e o tráfico de cules são os temas em destaque. O governador de Macau na época era Coelho do Amaral.

sexta-feira, 3 de junho de 2022

"Carte des Isles du Japon..."

 
Mapa incluído na obra "Histoire Générale des Voyages, ou nouvelle collection de toutes les relations de voyages par mer et par terre", publicada em Paris em vários volumes. O primeiro é de 1745.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Prata para comprar Chá em 1798


Saturday 29th December 1798
HMS Intrepid convoyed the Company’s ships to Macau on 5th November. She brought nearly £1 million in silver in case the contraband receipts continue small. That amount of silver is more than sufficient to buy the entire year’s supply of tea. 

Sábado, 29 de dezembro de 1798
O HMS Intrepid escoltou navios da Companhia* para Macau no dia 5 de novembro. Trouxe quase 1 milhão de libras em prata para o caso de as receitas de contrabando continuarem pequenas. Essa quantidade de prata é mais do que suficiente para comprar o fornecimento de chá para todo o ano. 

* A empresa que se refere é East India Company - Companhia das Índias Orientais - empresa privada a quem a coroa britânica concedeu os direitos do monopólio do comércio britânico com a China. Essencialmente exportava chá para a Europa e importava ópio da Índia para a China.
O HMS Intrepid era um dos vários navios de guerra da Royal Navy (Marinha Britânica) que asseguravam escolta aos navios de carga comercial da East India Company (1600-1874). Tinham ainda, por exemplo, o HMS Arrogant e o HMS Virginie.
Na China um dos responsáveis da empresa era o escocês James Matheson que, tal como todos os estrangeiros, tinha de viver cerca de seis meses por ano em Macau.
Foi ali que criou o jornal The Canton Register em 1827 (mais tarde passaria a ser publicado em Cantão). O jornal era essencialmente sobre comércio marítimo: cargas, produtos, preços, carregamentos, partidas e chegadas de navios, etc...
Com o fim do monopólio da East India Company, Matheson juntou-se a outro escocês, William Jardin e os dois fundaram em 1832 em Cantão a Jardin Matheson Co.  Os primeiros carregamentos de chá para Inglaterra feitos por esta empresa ocorreram em 1834. Para a China importavam ópio. Cinco anos depois a empresa mudou-se de Macau para Hong Kong onde permanece até hoje sob o nome Jardine Matheson Group.

Curiosidade: Ao despedir-se de Macau a 10 de Março de 1842, James Matheson ofereceu ao Governo de Macau cinco mil patacas espanholas como forma de agradecimento ao governador  (na altura era Adrião A. da Silveira Pinto) e à população de Macau pela sua permanência no território durante muitos anos.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Carta para Nathaniel Russell Sturgis

Carta lacrada de ca. 1836 enviada de Cantão para Macau no navio "Union". Tendo em conta a informação contida, foi enviada por Russel Sturgis, comerciante dos EUA, à mulher. Tal como todos os estrangeiros na época, vivia seis meses em Cantão e os outros seis meses em Macau, onde residia a mulher, Mary G. Sturgis (as mulheres não podiam sequer viajar até Cantão). Tem o carimbo "BOAT OFFICE - 10 Cents - MACAO". Sobre esta "marca postal" em breve publicarei um post.
Nathaniel Russell Sturgis nasceu em 1805 em Boston (EUA). Exerceu advocacia nos primeiros anos da carreira e viajou para Cantão em 1833 a convite do negociador de ópio John Perkins Cushing. Abdicou do nome Nathaniel e viria a ser sócio de várias empresas - Russell & Sturgis Manila; Russell, Sturgis & Co. Cantão; Russell & Co.), e em 1842 tornou-se sócio maioritário. Dois anos depois decidiu regressar aos Estados Unidos. Em 1851 quando já estava de regresso à China fez escala em Londres e na ocasião foi convidado para ser sócio sénior do banco Baring Brothers (1762-1995) e aceitou o convite. Morreu em 1887 em Inglaterra.
Curiosidade: Em Macau, George Chinnery pintou um retrato de Sturgis juntamente com 3 dos 4 filhos, da segunda mulher, Mary Greene Hubbard, que morreu em Manila em 1837. Viria a ter uma terceira mulher.