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| Loja de vinho chinês em Macau: meados do séc. 20 |
Vinhos de arroz, de sorgho, etc.
Sam-chú, que significa litteralmente vinho queimado, é uma aguardente, muito forte e com um cheiro empyreumatico, que se obtem pela distillação das sementes de algumas gramineas e principalmente do arroz. E' usada em todo o imperio. Segundo Debeaux (de quem tiro estes dados) fabrica-se o Sam-chú molhando o arroz em agua quente, até que os grãos estejam completamente inchados, que é quando se deitam em agua na qual se dissolveu o Péká, preparação composta de farinha de arroz, de raiz de chicorea e alho. O Péká accelera a fermentação do arroz, mas communica-lhe um cheiro particular a empyreuma. Em seguida distille-se o mixto. O Sam-chú é por assim dizer a primeira preparação do excellente Arrack das Indias, que, segundo o mesmo auctor, é distillado em grandes alambiques quer em Java, quer em Goa (sic) ou misturando-se previamente o Sam-chú com xarope de assucar ou com a agua do coco. Segundo o viajante Osbeck, para se obter a aguardente de arroz, ajuntava-se aos liquidos destinados á distillação hastes frescas ou verdes do Holcus saccharatus (Lin), planta cultivada no centro e no norte da China. Os chins tambem usam o vinho de arroz ou d'outros cereaes, fermentado, mas sem ser distillado; emquanto o de uvas é quasi desconhecido, apesar de haver a vinha em muitas provincias do Imperio, cultivada desde a mais remota antiguidade e se referirem os annaes chinezes ao uso d'este vinho. O vinho de cereaes, não distillado, é fabricado por meio do kiu-tzé ou semente de vinho, que é a borra dos toneis em que fermentaram o arroz e outras sementes gramineas. Mistura-se uma pequena porção d'esse kiu-tzé á farinha de arroz (ou de trigo, de milho, de cevada, etc.) que se deita n'umas grandes jarras ou kangs, onde se deixa fermentar tudo. Ao vinho assim fabricado, e especialmente ao de arroz, chama-se Cha-sin-kiú. De maneira que é conveniente não confundir este vinho com a aguardente propriamente dita, que é o sam-chú. Com o sumo do sorgho assucarado, tambem se fabrica vinho e aguardente que contem um oleo essencial, que lhe dá um gosto sui generis. O liu-pun de Macau é uma especie de vinho aguardentado de arroz, muito usado por toda a população china, que tambem tem os deliciosos vinhos de ameixas, de rosas, etc., que são uns verdadeiros licores.
Excerto de "Asia Sinica e Japonica" do frei José de Jesus Maria. Esteve em Macau em meados do século 18. O original é um manuscrito da época dado a conhecer pela primeira vez na publicação "Ta-ssi-yang-kuo: archivos e annaes do Extremo-Oriente portuguez" já no final do século 19. Na década de 1930 Charles Boxer encontrou uma cópia do manuscrito à venda em Lisboa e publicou-o em livro.





































