quinta-feira, 28 de junho de 2018

Ruínas de S. Paulo: edifícios junto à escadaria


Actualmente os 68 degraus da escadaria frente à imponente fachada da igreja Mater Dei, vulgo ruínas de S. Paulo, apresentam uma vista desafogada. Mas nem sempre foi assim. Até ao incêndio de 1835, que destruiu a igreja e o convento de S. Paulo, o lado direito das escadas era ocupado por algumas edificações. Veja-se acima a prova num desenho de George Chinnery (viveu em Macau entre 1825 e 1852) comparado com uma fotografia já do século XXI.

Depois do incêndio foram feitas novas edificações como prova, por exemplo, a fotografia de John Thomson, por volta de 1870 (imagem acima). Essas construções foram tendo várias versões - a da imagem desapareceu após o tufão de 1874 (imagem abaixo) até ao final da década de 1950, altura em que todos os edifícios foram demolidos, sendo 'aberta' do lado direito da escadaria uma nova rua denominada Calçada de S. Paulo.
Destruição após o tufão de 1874
Postal 'colorido' do final do século XIX já produzido depois do violento incêndio de 1835 que destruiu a igreja Mater Dei - ficou apenas a fachada - e o Convento de S. Paulo.
Final século XIX


ca. 1900
ca. 1910
1930's 
1940's
 1970's
1960's

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Traje da Mulher Macaense: da Saraça ao Dó


O Traje da Mulher Macaense:
Da Saraça ao Dó das Nhonhonha de Macau
Autor: Ana Maria Amaro
Editora: Instituto Cultural de Macau, 1989
Capa e ilustrações de Lok Tai Tong.
Começando por abordar o traje feminino na rota do Oriente, passando pelo Islão e por Goa, este ensaio dá conta da moda feminina na Europa dos séculos XVI e XVII, para finalmente se debruçar, de-pois de devidamente contextualizado, sobre os trajes das mulheres de Macau e a sua evolução.

"Nos primeiros tempos da ocupação de Macau pelos portugueses as mulheres asiáticas ou euro-asiáticas que os acompanhavam usavam um trajo original que se vulgarizou em todas as cidades do Oriente onde estes se fixaram. Este trajo nem era aquele que usavam as mulheres portuguesas da Europa nem o trajo próprio de nenhuma das etnias asiáticas. Como teria nascido este trajo que, no Oriente, era conhecido por saraça-baju ou pano-quimão?"
 
 
Por ocasião de luto, as mulheres cristãs de Macau usavam uma saraça (origem malaia) negra na cabeça que imitava o véu das religiosas. No entanto, dado que por influência da moda ocidental o véu preto passou a ser considerado um sinal de distinção, as senhoras macaenses das classes privilegiadas transformaram a saraça numa mantilha de renda ou de seda negra que conservou as características da saraça e adquiriu, pelo seu uso original, a designação de dó.
Nhonhonha: corruptela de 'senhora'.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Infante D. Henrique: "Talent de bien faire"

O Infante D. Henrique de Avis, duque de Viseu e 1.º senhor da Covilhã, nasceu a 4 de Março de 1394, no Porto. Morreu em Sagres a 13 de Novembro de 1460.
Selo emitido em Macau em 1994: 6º centenário do nascimento do Infante D. Henrique, o patrono do Liceu de Macau.

A emissão foi regulada pela Portaria n.º 3/94/M: "Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária “6.º Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique”.
Nesse ano a mesma emissão foi feita em Portugal e no Brasil.
Troço da Av. Infante D. Henrique, vendo-se o Liceu. Década 1960
Padrão henriquino colocado em 1960 frente à entrada do Liceu. Actualmente no Jardim Jorge Álvares. E se mais mundo houvera lá chegara." Excerto do Canto VII da Estância 14ª de Os Lusíadas.
Em 1960 assinalou-se em Macau com pompa e circunstância o 5º centenário da morte do Infante. Em Janeiro desse ano o governador Jaime Silvério Marques determinou que se compilasse um opúsculo contendo as principais actividades e celebrações levadas a efeito, nesse Ano Henriquino. O livro seria editado do Leal Senado da Câmara de Macau e publicado em Dezembro de 1960, com impressão da Tipografia da Missão do Padroado.
As Comemorações iniciaram-se a 4 de Março de 1960 com o hastear das bandeiras Nacional e da Cruz de Cristo em todos os edifícios públicos que durante as festas ficaram “enfeitados”, por “iluminação de gala”. Desse vasto conjunto de iniciativas fez ainda parte uma emissão filatélica especial. (imagens abaixo)

No túmulo do Infante D. Henrique, por entre os símbolos das Armas do Reino, da Ordem da Jarreteira, a mais antiga Ordem de Cavalaria de Inglaterra e da Ordem de Cristo, há uma frase em francês que diz: Talent de bien faire. Esta máxima estava exposta nas paredes do Liceu, quer o do Tap Seac quer o da Praia Grande. Em baixo um troço da Av. Infante D. Henrique no séc. XXI.

domingo, 24 de junho de 2018

Monumento da Vitória: imagens


Artigo publicado no boletim do Governo em Junho de 1870
"Collocou se no dia 23 do corrente ás 6 horas da manhã a primeira pedra do alicerce sobre que ha de aleventar se um padrão de gloria que recorde á posteridade um dos mais brilhantes feitos dos nossos maiores Foi S Ex o Governador celebrar esta ceremonia e vio á rorla de si quasi todos os funecionarios civis e militares que annuiram solícitos ao convite de S Ex patenteando assim a sua veneração por tudo que signifique gloria das armas portuguezas desde tanto acostumadas a vencer Teve lugar a solemnidade na Praça da Victoria junto da Flora Macaense na estrada que por S Lazaro conduz á porta do Cerco.
Depois de leitura do auto que foi assignado por todos os funecionarios presentes foi elle encerrado n um cofre com as moedas nacio naes como é d uso praticar se nestes actos Em seguida S Ex o Governador deitou a primeira colher de cal para segurar ao solo a pedra fundamental de todo o alicerce e apoz elle algumas outras aucto ridades praticaram egual ceremonia Foi uma festa toda patriótica e que assignalou um dia nunca esquecido pelo povo de Macau. 
No sitio destinado a receber o monumento já existia uma pilastra de pedra que commemorava o feliz resultado da brava peleja travada ali pelos moradores de Macau no dia 24 de junho do anuo de 1622 contra uma expedição hol landeza que tentava assenhorear se desta cidade como que desconhecendo quanto valor e brio usam os portuguezes mostrar sempre que o amor da pátria os incita ás mais arrojadas empresas para defesa da sua nacionalidade e reivindicação de seus sagrados direitos.
 O monumento foi mandado construir em Lisboa por iniciativa do leal senado e ouvimos que se espera no primeiro transporte vindo d aquella cidade Será dia de grande festividade para os macaenses aquelle em que se inaugurar um dos padrões de suas passadas glorias eo nosso pequeno paiz abrindo aos contemporâneos mais uma vez uma das paginas brilhantes de sua historia dará ideia da grandesa de seus fastos e do quanto avalia as suas tradiçõas que se perpetuam brilhantes sempre apezar dos muitos revezes que ultimamente têem pretendido anniquila-lo."

sábado, 23 de junho de 2018

SCM: reactivação em 1951

Fundado em 1926, o Sporting Clube de Macau teve uma forte actividade até à década de 1940, altura em que o território sofreu os efeitos da guerra do Pacífico.

Em 1951 o clube foi reactivado por António Conceição, Adelino Serra, Major Acácio Cabreira Henriques e Mário de Abreu, entre outros. São eles que estão nesta fotografia onde o governador Albano Rodrigues de Oliveira se encontra, sentado, ao centro. 
Jorge Eduardo Roberts identifica ainda na imagem: Com. Samuel Vieira (ex-encarregado do governo), dr. Gustavo Nolasco, o Cap. Palleti, Mário Abreu, Alfredo Silva, Com dos Bombeiros Pina, António da Conceição. Major Cabreiras Henriques,Dr. Alberto Pacheco Jorge, D. João de Vila Franca, o Matos (junto à bandeira)... Em baixo o árbitro é Manuel de Jesus (Manecas).

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Rua do Padre Luis Frois S. J.

A imagem é do final década de 1920. Av. da Praia Grande e Rua do Padre Luis Frois S. J.; do lado esq. o Palácio das Repartições: o edifício do lado dto. corresponde ao local onde está actualmente o hotel Metrópole.


O que se conhece hoje por Rua do Padre Luís Fróis começou por serchamar Calçada do P. Fróis. Depois mudou o nome para Calçada do Governador e já mais recentemente recuperou o nome deste jesuíta que viveu algum tempo em Macau. 
O padre Luis Fróis nasceu em 1532, provavelmente em Lisboa e morreu no Japão em 1597. A sua “Historia de Japam” é uma das fontes mais importantes para a história do Japão do séc. XVI. A rua como seu nome começa na Rua da Praia Grande e termina na Rua Central, em frente do Beco do Gonçalo.
Emissão de selos em 1997 nos "400 anos da morte do Padre Luis Frois"
Nasceu em Lisboa, em 1532 e com 16 anos conclui os estudos na área de Humanidades ingressando depois na Companhia de Jesus. Ao fim de dois meses de noviciado, embarca em Lisboa a 17 de Março do mesmo ano, numa viagem para a Índia, sem nunca mais voltar a Portugal. Chega a Goa a 9 de Outubro de 1548. Entre 1548 a 1561, inicia os seus estudos no Colégio de São Paulo distinguindo-se pela forma como descreve as actividades dos missionários em Goa e Malaca. Ordenado padre em 1561 será em Goa que terá diversos encontros com Francisco Xavier - o último em 1554 - que iriam marcar profundamente a sua vida. Parte para Macau em 1562 e dali inicia a sua viagem para o Japão como missionário da Companhia de Jesus.
Chega a Yokoseura, (na actual Província de Nagasaki), em Junho de 1563, no período de apogeu da missão jesuíta no Japão e um mês após o baptismo do primeiro dáimio japonês, (Bartolomeu) Omura Sumitada. Ali começa a escrever uma longa série de cartas e variadíssimas relações e tratados, nos quais descreve em detalhe as actividades dos padres e da Missão. O valor histórico destas cartas é inestimável e são os documentos que encerram mais detalhes sobre a vida quotidiana dos missionários no Japão. Após a sua chegada a Kyoto, conheceu o shogun Ashikaga Yoshiteru, e privou mais tarde com Oda Nobunaga, (o shogun que iniciou o processo de centralização e unificação do poder no Japão e pôs fim a um longo período de guerra civil) tendo inclusivamente em 1569 permanecido por um breve período de tempo na residência privada de Nobunaga, em Gifu, enquanto escrevia os seus livros.
Em 1577, passa pelo reino de Bungo, (actual província de Oita). Durante esse período, o dáimio local, Otomosorin, converteu-se e é batizado com o nome Francisco de Bungo. Mais tarde, em 1581, Fróis é novamente chamado a Nagasaki, como secretário do Vice-Provincial, o Padre Gaspar Coelho.
Nessa altura, e a pedido de Alexandre Valignano, iniciou a sua Historia de Japam, que ainda hoje é uma importante fonte para os estudiosos da História do Japão e da missão jesuíta entre 1549 e 1593.
Luís Fróis acompanha o Padre Gaspar Coelho como intérprete na importante visita efectuada ao novo líder do Japão (1586), o shogun Toyotomi Hideyoshi, que precede a emissão do decreto de expulsão de todos os missionários no Japão, editado no ano de 1587. Hideyoshi considerava a missão evangelizadora do missionários jesuítas um entrave à reunificação política do país.
Após a expulsão dos religiosos por parte das autoridades japonesas, Luís Froís continua a desenvolver o seu trabalho como missionário na clandestinidade e consagra a maior parte do seu tempo à redacção do manuscrito da sua História do Japão.
Em 1592, e a pedido do Padre Alexandre Valignano, viaja como seu secretário para Macau, onde termina o relato da organização da viagem de uma embaixada japonesa a Roma: iniciada em 1582 e composta por 4 jovens samurais, que chegam a Lisboa em 1584, e depois partem para Roma, onde são recebidos por Gregório XIII. Esta embaixada deixou a Europa em Abril de 1586 e chegou ao porto de Nagasaki, em 1590. Nessa altura dá por concluída a sua História do Japão, episódio documentado numa carta enviada ao Padre Acquaviva. Mas o seu estilo de escrita não agrada a Valignano, o qual critica severamente muitos dos aspectos de uma obra que é considerada actualmente como referência indispensável a todos os que estudam a História do Japão.
Todo o trabalho que desenvolveu teve como base a sua experiência pessoal. É um testemunho directo e, de certa forma, autobiográfico desse momento histórico do Japão e da presença missionária da Companhia de Jesus.
O seu estado de saúde fragiliza-se. Luís Fróis receia que o seu manuscrito se perca em Macau e, para que a sua História do Japão fosse salva, decide fazer o sacrifício e volta doente e exausto a Nagasaki, no ano de 1595. Na última fase da sua vida deixa-nos os escritos daquela que é talvez a sua melhor obra, O Relato da Morte dos 26 Mártires de Nagasaki, de 15 de Março de 1597. O texto foi enviado passando pelas Filipinas, escapando assim à censura do padre Valignano, mas assim que este tomou conhecimento da ação, solicitou a Roma o arquivo do referido documento, que apenas será publicado em 1935.
Já na última etapa da sua vida, e com 62 anos, Fróis escreve talvez uma das suas melhores obras: a Relação da morte dos 26 Mártires de Nagasaki (a 15 de Março de 1597), onde mais uma vez demonstra o seu profundo conhecimento da cultura japonesa. Este texto serviu para esclarecer certos aspectos discutidos entre os historiadores japoneses em torno da identificação do local exacto do martírio, e foi só no ano de 1956 que o local, a colina de Nishizaka, foi declarado histórico na cidade de Nagasaki e erigido um monumento representando os 26 mártires na ordem que Froís descreveu.
Terminada a obra, o estado de saúde de Luís Fróis agravara-se. Morre no Colégio de São Paulo em Nagasaki, a 8 de Julho de 1597. 
Luís Frois foi figura primordial na primeira evangelização do Japão e um nome inegavelmente ligado à vida cultural e religiosa de Nagasaki. Pode ler-se gravado no monumento a ele erigido no Parque dos Mártires uma frase que resume a sua vida: «Ele escreveu a História do encontro entre Portugal e o Japão».
Texto elaborado a partir de um artigo da embaixada de Portugal no Japão (Tóquio).

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Setting Off from Macau: Essays on Jesuit History during the Ming and Qing Dynasties

Setting Off from Macau - Essays on Jesuit History during the Ming and Qing Dynasties. Edição de 2015
Sinopse:
It is impossible to understand the early history of the Society of Jesus and the Catholic Church in China without understanding the preeminent role played by the island of Macau in the Jesuit missionary endeavor; indeed, it can even be said that Catholicism would not exist in China if there was no Macau. This book seeks to restore Macau to its proper place in the history of Catholicism and the Jesuit missions in China during the Ming and Qing dynasties by offering a unique insight into subjects ranging from the origins of Jesuit missionary work on the island to the history of Jesuit education and Catholic art and music on the Chinese mainland.
Tang Kaijian was born in Hunan province, China. He is Professor of History at the University of Macau. His research focuses on the history of Macau, Chinese Catholic history, and the history of Chinese borders and ethnicities.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Polícia Militar: história resumida

A Polícia Militar é a corporação que exerce o poder de polícia no âmbito interno das forças armadas tendo sido criadas na década de 1950. Em Portugal cada um dos ramos das Forças Armadas Portuguesas dispõe da sua própria polícia militar: Polícia do Exército (PE) - até 1975, chamada "Polícia Militar (PM)" -, no Exército Português; Polícia Aérea (PA), na Força Aérea Portuguesa; Polícia Naval (PN), na Marinha Portuguesa.

Entre 1962 e 1975 (com a extinção do CTIM) existiram 8 unidades da PM em Macau num total de 435 militares. No transporte de e para Macau usaram navios como o "Timor" e o "Niassa", entre outros. O último pelotão foi e regressou por via aérea. Entre outras funções, asseguravam a guarda do Palácio do Governo. Foram mobilizados em média por tempos superiores aos habituais dois anos de comissão de serviço.
Dezembro 1962: desfile junto ao Palácio do Governo
Pelotão de Polícia Militar 38 - 17 Julho 1962 a 23 Outubro 1964: total de 41 militares durante 739 dias; tinha como mascote, o “Átila”, um cão de raça Pastor-alemão. Todos os elementos do PPM 38 foram distinguidos com a Medalha Comemorativa da Expedição a Macau, de acordo com o despacho ministerial de 2 de Abril de 1963.
Pelotão de Polícia Militar 932 - 5 Agosto 1964 a 22 Junho 1966.
Pelotão de Polícia Militar 1084 - 12 Abril 1966 a 27 Julho 1968.
Pelotão de Polícia Militar 2027 - 16 Abril 1968 a 19 Setembro 1970.
Companhia de Polícia Militar 2428 - 12 Agosto 1968 a 3 Fevereiro 1971.
Pelotão de Polícia Militar 2228 - 4 Junho 1970 a 16 Outubro 1972.
Pelotão de Polícia Militar 3124 - 2 Julho 1972 a 5 Julho 1974.
Pelotão de Polícia Militar 8275 - 28 Maio 1974 a 3 Outubro 1975.



 Frente ao Palácio do Governo
Na Estrada de S. Francisco

terça-feira, 19 de junho de 2018

Ou Mun: Coisas e Tipos de Macau

Ninélio Barreiro estava em Macau na década de 1950. Foi nessa altura que escreveu um conjunto de crónicas (1952 a 1955) que seriam depois publicadas entre Fevereiro e Junho de 1957 no "Sábado Popular" o suplemento do vespertino Diário Popular.
Esses textos seriam reunidos na década de 1990 num livro intitulado “Ou-Mun – coisas e tipos de Macau”, editado em 1994 e integrado na colecção “Rua Central”, do Instituto Cultural de Macau. A capa e direcção gráfica é de Victor Hugo Marreiros (imagem ao lado).
Do índice fazem parte:
- Seis figuras típicas de Macau: tancareira, barbeiro de rua, narrador de histórias, cule, vendedores ambulantes e cantadeira;
- templos chineses: Ma Kok Miu, Lei Tong Pan, Kun Iam Tong e Lin Fong Miu;
- Festividades: Bolo Lunar e Ano Novo Chinês;
- Ritos e tradições: o casamento chinês e os funerais;
- Minivocabulário português - cantonense.

Excerto do livro onde Ninélio Barreiros dá a conhecer as origens da obra:
"A razão de ser deste volume surgiu recentemente de sugestões que me foram feitas, no sentido de reunir todas as crónicas escritas e publicadas em ‘Sábado Popular’ – suplemento do Diário Popular – no ano de 1957 de Fevereiro a Junho, isto é, dois anos após o meu regresso de Macau. Decidi fazê-lo, não tanto pelo valor dessas crónicas, breves apontamentos sobre as figuras típicas, os costumes e o exotismo chinês, mas pelo que tudo isso representa, pelos conhecimentos adquiridos in loco, pelo impacto que todas aquelas figuras, todos aqueles costumes, todo aquele sortilégio provocaram em mim, despertando não só a minha curiosidade como o interesse em pesquisar para entender, em decifrar para transmitir.
Nos muitos dias ali passados, no dia a dia intensamente vivido, cada vez mais me sentia preso ao sortilégio emanado das coisas e das gentes e, de tal sorte que hoje, volvidos trinta e sete anos, nem o tempo, nem a distância me fizeram esmorecer o carinho, a paixão e a saudade com que acompanho a vida de Macau, qual ente querido, cuja ausência se sofre e se lamenta.
Tendo percorrido algumas zonas de duas grandes partes do mundo, a Ásia e a África, tendo vivido em terras de costumes e falas diferentes das do continente em que nasci, nenhuma delas se enraizou mais em mim, nenhuma delas me provocou maior sedução, nem outra ficou mais presa à minha vida e aos meus sentimentos, do que essa encantadora e fulgurante terra de Macau. E de tal modo ela se arraigou, de tal maneira se prendeu que, ainda hoje, de vez em quando, sonho que estou em Macau. E a cada despertar corresponde uma triste desilusão… Publicar estas crónicas é, pois, não só um dever de divulgar as suas belezas, o seu encantamento e sortilégio, mas antes de mais, uma forma de retribuir um pouco do muito recebido. É este o meu tributo a Macau."

segunda-feira, 18 de junho de 2018

"Tea Party" no hotel Riviera em Junho de 1930

Factura de uma "Tea Party" passada em nome do "Reitor do Liceu Central de Macau". O documento não o menciona mas quem ocupava o cargo na altura era o Dr. Telo de Azevedo Gomes (1892-1974). O recibo nº 05971 tem a data de 13 de Junho de 1930 e foi emitida pela gerência do "The Hotel Riviera". Ao todo a "festa de chá " custou 23,30 patacas. Na época o Liceu funcionava no nº 89 da rua Conselheiro Ferreira de Almeida - na zona do Tap Seac, actual edifício do Instituto Cultural de Macau. 
A instituição teve várias classificações - entre Nacional e Central. Em 1937, até chegou a ter como patrono Luís de Camões, mas por pouco tempo, passando a ser denominado Liceu Nacional Infante D. Henrique.
Curiosidades: 
19 Abril 1930 - instalação de um telefone no gabinete do reitor; 
23 Outubro 1930 - instalação eléctrica no edifício.
Entrada do edifício com busto de Camões

domingo, 17 de junho de 2018

Travessa da Praia

A Travessa da Praia (onde fica o restaurante O Porto) é uma das transversais da Estrada da Areia Preta e o topónimo remete para os tempos em que ali existiu de facto uma praia...
Travessa da Praia: foto da década 1920
Montanha Russa, Colina de Mong Há e Praia da Areia Preta: vista a partir da Estrada de D. Maria
 No livro "Macao: The Holy City - The Gem of the Orient Earth", da autoria de J. Dyer Ball editado em 1905, pode ler-se sobre a praia da Areia Preta: "Just before reaching the Barrier a short distance is the bathing place, the whole coast line here forming with the sandy beach on the seaward side a magnificent roughly semi-circular bay. Many large fishing stakes are seen with the hovels of their owners perched up amongst the rocks."


Estrada e Praia da Areia Preta num postal ca. 1900

Sobre esta praia Luís Gonzaga Gomes escreveu: “Um dos sítios outrora mais procurados pelos chineses pela razão da sua beleza era a magnífica praia da Areia Preta. Incrustada numa pequena angra era ali que nas tardes de Verão os habitantes desta cidade concorriam em grande número para se divertirem, quer nadando quer gozando a fresca aragem vinda do mar. Frente à enseada, as escalvadas Nove Ilhas e a Lêng-Têng quebravam a monotonia do extenso horizonte com as suas recortada s silhuetas, disfrutando-se assim da praia um admirável e inspirador cenário. Enterradas na praia, os recifes e os penhascos, brunidos e exalviçados pela ressaca das vagas, forneciam outra nota de graciosidade ao local já de si tão aprazivelmente encantador.”

sábado, 16 de junho de 2018

Uma carta de Zanzibar

Este envelope é raro a vários níveis. Primeiro porque foi remetido de Zanzibar (ao largo da costa da Tanzânia, em África e depois porque surge apenas com o nome do destinatário e sem a morada respectiva. Claro que estamos a falar de uma correspondência de 1954 numa altura em que Macau não tinha tanta população como hoje... e, não menos importante, Fred Gellion, era um nome sobejamente conhecido no território. Era nada mais, nada menos que o Presidente da MELCO.