sexta-feira, 19 de julho de 2019

"Macao" (1952): anúncios, folhetos, cartazes e posters


Envolvido em polémicas desde o início da rodagem (teve dois realizadores Josef von Sternberg e Nicholas Ray... só para dar um exemplo), o filme "Macao" foi muito provavelmente dos que mais projectou o nome do território além fronteiras na primeira metade do século 20, embora na época tenha sido considerado um fiasco em termos de crítica e de receitas de bilheteira.

Jane Russell e Robert Mitchum, as maiores estrelas de Hollywood na época, são os protagonistas de "Macao".
Poster de grande formato
Poster 
Beleza, exotismo, mistério, perigo, cinismo, identidades trocadas, corrupção, femme fatale, ironia, sedução... são alguns dos ingredientes desta película produzida pelo conceituado Howard Hughes.
Anúncio de imprensa
Folheto distribuído nas bases militares dos EUA 

O filme estreou nos EUA a 11 de Abril de 1952 (Pittsburgh, Pennsilvania). Seguiram-se as estreias nos seguintes países:  Canadá 23 Mai 1952 (Toronto), Itália 28 Maio 1952, Reino Unido 12 Junho 1952 (Londres), França 12 Setembro 1952, Alemana ocidental 26 Setembro 1952, Suécia 13 Outubro 1952, Angola 25 Novembro 1952, Hong Kong 18 Dezembro 1952, Filipinas 30 Dezembro 1952 (Davao), Finalândia 2 Janeiro 1953, Dinamarca, 2 Março 1953, Austrália 17 Abril 1953, Áustria 1 Maio 1953, Uruguai 26 Junho 1953, Argentina 8 Outubro 1953, Espanha 19 Maio 1955.
As várias traduções do nome do filme consoante o país onde foi exibido.
Nos países de língua francesa; "La Cité ardente" onde também teve a tradução "Macao - Le paradis des mauvais garçons"

 Poster para Inglaterra


Título para o mercado italiano "L'Avventuriero di Macao"

"Peligrosa Aventura": título no México

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Alexander Hamilton e Macau no "New Account"



Comerciante britânico (escocês), Alexander Hamilton (ca.1688 - ca.1733) visitou Macau - escreveu Maccaw -  no início do século 18 deixando as suas impressões do território no livro “A New Account of the East Indies”, publicado em dois volumes em 1727.
O título completo é: A new account of the East Indies, being the observations and remarks of Capt. Alexander Hamilton, who spent his time there from the year 1688. to 1723. Trading and travelling, by sea and land, to most of the countries and islands of commerce and navigation, between the Cape of Good-Hope, and the Island of Japon
Alguns excertos do capítulo L. da página 217:
"This city stands on a small Island and its almost surrounded by the sea. Towards the land it is defended by three castles built on the tops of low hills. Indeed their beautiful Churches and other Buildings give us a reflecting Idea of its ancient Grandeur, for in the Forepart of the seventeenth Century (...) it was the greatest Port of Trade in India or China. (...)
O autor menciona a existência de dois conventos (para mulheres casadas se abrigarem na ausência dos maridos no mar) e cinco igrejas sendo a dos jesuítas, dedicada a s. Paulo, "a melhor". Escreve ainda que “Em toda a cidade havia cerca de 200 homens (...) e cerca de 1500 mulheres, muitas delas muito prolíficas para gerarem filhos sem marido”.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

A inauguração do "Capitol"

Notícia publicada a 24 de Fevereiro de 1931 no "Jornal de Macau" da autoria de T. B. (Artur Tancredo Borges):
"Nesta terra, em que as iniciativas já de si tão raras, nem sempre encontram apoio das entidades de quem depende muitas vezes a sua realização, é para louvar o empreendimento que classificamos de arrojado dum grupo de capitalistas, entre eles, o nosso amigo Sr. Alfredo Maria da Luz, de construir aqui um teatro para exibição de filmes sonoros. O edifício, cuja construção está em vias de terminar, contém, além da plateia que é assaz vasta, um andar superior, bastante amplo, com frisas e camarotes, dando assento a cerca de 800 pessoas.
O sistema reprodutor de som parece ser da casa Western Electric Company que foi a primeira a produzir esses aparelhos, os quais estão hoje montados em mais de 7 500 teatros do mundo, sendo 5 000 teatros na América, 1 000 na Grã-Bretanha, 300 no Canadá, 300 na Austrália, 200 na Europa e 100 na Nova Zelândia.
Na China mesmo, há 11 cinemas sonoros em Shanghai, 2 em Cantão, 1 em Amoy, 1 em Tientsin e 1 em Peking. Os 3 teatros existentes em Hong Kong, todos possuem aparelhos Western, tendo o novo teatro King's contratado também com essa casa, a montagem do seu sistema sonoro.
É, pois, motivo de regozijo para o público de Macau saber que vamos ter em breve um teatro, onde se poderão ver e ouvir os melhores artistas que as Companhias cinematográficas têm conseguido contratar com os estudios, permitindo ao mundo inteiro apreciar os dotes admiráveis da sua voz, ao mesmo tempo que vê desenrolar ante os seus olhos as cenas mais luxuosas que a imaginação pode conceber.
O cinema é uma bela escola, mas convém escolher os filmes, porque em Hollywood há uma nova noção de moral, que será conveniente que não ultrapasse as suas raias...
Os nossos parabéns, pois, à empresa que conseguiu trazer para este cantinho esta nota de progresso, proporcionando aos seus habitantes esses momentos de prazer que uma boa fita sempre pode dar.
Augurando o melhor êxito ao Teatro Capitol, fazemos votos para que a sua inauguração se realize o mais rapidamente possível."
O Capitol - na rua de S. Domingos - seria inaugurado a 13 de Abril de 1931 - com o filme The Love Parade - com a presença do Governador, Comandante Joaquim Anselmo da Matta e Oliveira, e da Banda Municipal, sob a regência de Constâncio José da Silva que tocou o Hino da Maria da Fonte. O acontecimento foi noticiado no "Jornal de Macau" a 21 de Abril:
"S. Exa., acompanhado pelos dignos Directores da empresa, subiu ao palco e abriu o pano de bôca, e, em seguida, dirigiu-se à casa de máquinas e à sala da Direcção, onde por esta lhe foi oferecida uma taça de champanhe".
O jornal publica ainda parte dos discursos. Atente-se no de Alfredo Maria da Luz, um dos sócios do novo cinema:  "Já há muito, Sr. Governador, que em Macau se fazia sentir a falta dum cinema moderno. Não havia, e isto seja dito sem ofensa para ninguém, um edifício digno deste nome. Não data de há pouco a ideia de dotar Macau com este melhoramento. Há nada menos que três anos que a ideia foi lançada e se não foi posta em prática há muito mais tempo foi porque dificuldades de ordem vária a isso se opuseram. Hoje vemos finalmente reali-zado o nosso desejo e não é sem um legítimo orgulho que constatamos o facto. Não queremos pretender que este teatro não tenha as suas deficiências, mas numa terra onde tantas tentativas falham, ele representa um grande esforço da Direcção. Nesta ordem de ideias, ela espera que o público, compreendendo o alcance desta obra, a acompanhe com a sua cooperação, e ousa também esperar de V. Exa., Sr. Governador, a sua valiosa protecção."

terça-feira, 16 de julho de 2019

"Jóia das terras do Oriente" in Panorama (1942)

No número 8 da Revista de Arte e Turismo Panorama de 1942 está incluído um artigo intitulado "Macau, Jóia das terras do Oriente" da autoria do comandante Jaime do Inso.

A "Panorama: revista portuguesa de arte e turismo" publicou-se em Lisboa entre 1941 e 1974. Era editada mensalmente pelo então denominado Secretariado de Propaganda Nacional (S.P.N.) – renomeado Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (S.N.I.) em 1945 – sob direcção de António Ferro (até 1949) e tendo como primeiro director gráfico Bernardo Marques.
J. Osório de Oliveira, Reynaldo dos Santos, Reis Santos, Diogo de Macedo, João Couto foram alguns dos colaboradores. Os números da primeira série (década de 1940) tiveram especial enfoque na pintura, escultura, desenho e arquitectura, sobretudo para sublinhar a acção do Estado Novo, sobretudo as iniciativas do SPN-SNI e as suas exposições.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Bilhete Postal circulado em 1903


Enviado de Macau a 2 de Janeiro de 1903 este Bilhete Postal (ainda do século 19) chegou a Lisboa um mês depois, a 3 de Fevereiro. O conteúdo remete para as características do "correio marítimo", a chamada "mala", que estava nos correios durante vários dias a semanas, recolhendo o vário correio que ali era colocado, até ser expedida, por via marítima.

sábado, 13 de julho de 2019

"Rua Macau" em Almeirim

A 20 de Maio de 1960, no âmbito das Comemorações do Centenário da morte do Infante Dom Henrique (patrono do Liceu), a Câmara Municipal de Almeirim deliberou atribuir o nome de Macau à então denominada Rua número Dois.
Rua Macau em Almeirim: foto de Pedro Cortes


De acordo com o vereador da cultura da autarquia, Eurico Henriques, "nessa época a zona urbana compreendida entra a Rua da Condessa da Junqueira e Rua de Coruche, constituía uma urbanização recente (dos anos trinta desse século) sendo as respectivas ruas designadas por números."
A deliberação do executivo desse dia 20 de Maio de 1960 refere que: "... igualmente em homenagem às nossas províncias ultramarinas e ilhas adjacentes, foi deliberado dar o seu nome a algumas ruas da vila, pelo modo seguinte: ... à Rua Número Dois - Rua Macau."

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Escola de Pilotagem

Criada por Decreto Real em 1862 a Escola de Pilotagem de Macau começou a funcionar em Outubro de 1863. No primeiro ano lectivo inscreveram-se 20 alunos aspirantes a pilotarem embarcações. A escola seria extinta com a abertura do Liceu de Macau em 1893.
 29 Outubro 1863
Dom Luiz por Graça de Deus Rei de Portugal e dos Algarves etc Fazemos saber a todos os Nossos subditos que as Côrtes Geraes Decretaram e Nós Queremos a Lei seguinte:
Artigo 1: É creada uma Escola de pilotagem na Cidade de Macau 
Art 2: O Governador de Macau será Inspector nato da Escola e nesta qualidade velará pela execução da Lei e Regulamentos e providenciará sobre tudo quanto possa interessar ao desenvolvimento e aperfeiçoamento successivo da Escola 
Art 3: O ensino será desempenhado por um Professor nomeado pelo Governo o qual só poderá pertencer á classe dos Officiaes da Armada ou dos pilotos dos navios do commercio e vencerá sendo Official de marinha a gratificação annual de 450 $000 réis accumulados a quaesquer outros vencimentos e sendo piloto de commercio 700 $000 réis de ordenado. Quer seja militar ou paizano gosará de todas as vantagens que são concedidas aos professores dos Lyceus nacionaes. (...)
Mandâmos portanto a todas as Auctoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer que a cumpram e façam cumprir e guardar tão inteiramente como n ella se contém.
O Ministro e Secretario d Estado dos Negocios da Marinha e Ultramar a faça imprimir publicar e correr 
Dada no Paço da Ajuda aos 5 de Julho de 1862
El Rei com rubrica e guarda José da Silva Mendes Leal
Logar do sêlo grande das Armas Reaes Carta de Lei pela qual Vossa Magestade.


Tendo sanccionado o Decreto das Côrtes Geraes de 11 de Junho ultimo pelo qual é creada uma Escola de pilotagem na cidade de Macau o Manda cumprir e guardar tão inteiramente como nelle se contém pela fórma retrô declarada
Para Vossa Magestade ver
Ernesto Germack Possollo a fez.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Regulamento: lugar de mestre de draga (1976)

Draga "Macau"
Regulamento para o provimento do lugar de mestre de draga dos Serviços de Marinha de Macau
Artigo 1.º O lugar de mestre de draga dos Serviços de Marinha de Macau é preenchido por concurso aberto entre os contramestres de draga dos mesmos Serviços, com pelo menos 2 anos de cargo.
Art. 2.º O concurso é de provas práticas e teóricas que versarão sobre as seguintes matérias:
Provas teóricas
a) Agulhas magnéticas, rumos verdadeiros, magnético e de agulhas: declinação, desvio e variação; abatimento e conversão de rumos; sondas e prumos.
b) Manobra de navios - acção das máquinas e do leme em navios com um ou dois hélices; estima de distância e velocidades; ordens para o leme e máquinas em português; fundear e suspender; amarrar e largar bóias, regras para evitar abalroamentos; faróis e sinais regulamentares para navios e embarcações navegando e paradas;
c) Conhecimento dos canais de acesso aos Portos de Macau;
d) Conhecimentos elementares de navegação costeira;
e) Determinação de posições por marcações;
f) Conhecimento geral de dragas, sua aplicação e noções de dragagens.
Prova prática
Manobra com rebocador ou draga.
Art. 3.º As provas serão prestadas perante um júri composto pelo chefe dos Serviços de Marinha, pelo oficial adjunto para a Capitania dos Portos e pelo adjunto de dragagens dos Serviços de Marinha, servindo de secretário sem voto o escrivão da Capitania.
Art. 4.º A classificação final será a média das valorizações arbitradas por cada membro do júri.
1. A escala de classificação dos candidatos será a seguinte:
Muito bom - igual ou superior a 17 valores.
Bom - igual ou superior a 14 valores mas inferior a 17.
Regular - superior a 10 valores mas inferior a 14.
Mau - inferior a 10 valores.
2. Serão considerados reprovados os candidatos que obtiverem classificação inferior a 10 valores.
Art. 5.º Em igualdade de classificação, são condições de preferência:
1.ª - Melhores informações de serviço na categoria.
2.ª - Antiguidade na categoria.
3.ª - Maiores habilitações literárias.
4.ª - Mais tempo de serviço prestado ao Estado.
Art. 6.º O prazo de validade do concurso é de 2 anos.
Serviços de Marinha, em Macau, aos 17 de Março de 1976.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Hotel Carmen / Pousada de Macau

Na imagem o Hotel Carmen. Ficava na esquina da Rua da Praia Grande com a Travessa do Padre Narciso, mesmo ao lado do Palácio do Governo.
O nome advém da fundadora, Carmen Eugénia Ribeiro (1902-1953), filha de Delfino José Ribeiro (1873-1941) que já tivera uma experiência no ramo quando foi gerente do hotel Boa Vista (1903).
O edifício pertenceu a Fernando Rodrigues tendo ali também funcionado a denominada Pousada de Macau - Macau Inn durante as décadas de 1950/60.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Visita do ministro do Ultramar no Verão de 1952


O Verão de 1952 em Macau (passou ainda pela Índia e Timor) ficou marcado pela visita oficial do Ministro do Ultramar, Sarmento Rodrigues, entre os dias 18 de Junho e 1 de Julho. Era o mais alto representante de Portugal a visitar o território desde o século 16.
A visita durou vários dias e ficou imortalizada em centenas de fotografias e livros.
Incluiu revista à guarda de honra; cortejo nas limousines do Estado; cerimónias religiosas; cerimónias no Leal Senado; recepção pública no estádio (Canídromo); inauguração das piscinas olímpicas; visita à Gruta de Camões; desfile da Dança do Dragão frente ao Palácio do Governo; recepção e baile nocturno; parada militar com forças da Legião, Mocidade Portuguesa, tropas Indígenas, esquadrões de carros blindados (cavalaria e infantaria); recepção pela Marinha; visita à Ilha de Coloane e cerimónia aos Combatentes de Coloane; visita à Central Eléctrica; visita à zona da Porta do Cerco junto à China; visita ao Monumento da Explosão da Fragata D. Maria II em 1850; concerto no Teatro D. Pedro V; visita ao Hospital e ao bairro chinês; imposição de condecorações aos dignatários religiosos e civis (europeus e chineses); manobras militares com desfile de Companhia Indígena Africana; tiro de Artilharia de Campanha motorizada; recepção e jantar e Baile de Gala nocturno com oficiais portugueses e ingleses; visita ao clube de vela da Mocidade Portuguesa; visita e entrevista no Rádio Clube de Macau.

 Aspectos da visita de Sarmento Rodrigues a Macau

Manuel Maria Sarmento Rodrigues (1899 - 1979) foi um oficial de Marinha que no desenrolar da 2ª Guerra Mundial (1939-1945) dirigiu as operações de busca e salvamento de 110 náufragos do paquete britânico “Ávila Star”, torpedeado pelas forças navais alemãs, e no salvamento de 118 náufragos dos navios norte-americanos “Julia Ward Howe” e “City of Flint”.
Foi o professor Marcelo Caetano, então Ministro das Colónias, quem lançou Sarmento Rodrigues na vida político-administrativa ultramarina. Sarmento esxcrevia com regularidade na “Revista Militar” sobre estratégias da administração ultramarina e frequentou com notoriedade os primeiros anos do Curso de Administração da Escola Superior Colonial. Adriano Moreira colocou-o a trabalhar com ele, tendo-lhe encomendado a realização do estudo intitulado “O problema prisional do Ultramar”. Este trabalho de investigação veio a receber o Prémio Abílio Lopes do Rego, em 1953, pela Academia das Ciências de Lisboa.

Gov. Marques Esparteiro (atrás) e S. Rodrigues
Sarmento Rodrigues foi também uma das figuras públicas que mais impulsionou, durante o Estado Novo, a celebração das Descobertas marítimas portuguesas do século XV ao apoiar os investigadores Avelino Teixeira da Mota, Armando Cortesão, Charles Boxer e outros.
Foi Director da Escola Naval de Guerra, da Comissão Ultramarina das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, e responsável pela edificação do monumento do Padrão dos Descobrimentos; foi Governador da Guiné de 1945 a 1949; Ministro das Colónias/Ultramar de 1950 a 1955 e Governador-geral de Moçambique de 1961 a 1964.

As suas posições política liberais dentro do regime dirigido por Salazar e os seus contactos com muitos oposicionistas da ditadura fizeram com que fosse atentamente vigiado. Pertencia à Loja Renascença da Maçonaria Portuguesa em 1923, conjuntamente com José Gomes Ferreira, embora durante a vigência deste regime político tenha permanecido formalmente afastado da loja. Morreu em 1979.
A romagem `a Gruta de Camões e a inauguração da Piscina Municipal pela mulher de Sarmento Rodrigues, a 19 de Junho, foram dois dos pontos altos da visita. A imagem acima foi publicada num artigo da revista National Geographic.
The inauguration ceremony of the municipal swimming pool, which was officiated by Madam Margarida Guerra Junqueiro Saramento Rodrigues, spouse of the Minister of Overseas Territories of Portugal, was held in the morning of 19 June 1952.


segunda-feira, 8 de julho de 2019

Carta registada "passed by censor Hong Kong": 1939

Na imagem uma carta registada com carimbo de 19 de Outubro de 1939. Foi enviada pelo Governo de Macau (Repartição Central dos Serviços de Fazenda) e era dirigida ao Cônsul de Portugal em Hong Kong. 
Note-se ainda o facto de ter um carimbo dos serviços de censura de Hong Kong que atesta a chegada da carta no dia seguinte.

domingo, 7 de julho de 2019

Exposição Universal de Paris: 1889

Em 1889 - há 130 anos - os franceses comemoravam o primeiro centenário de Revolução e Paris prepara-se para brilhar como nunca, recebendo a Exposição Universal. 

A Torre Eiffel foi construída para servir de forma efémera como porta de entrada para o evento mas acabaria por sobreviver até hoje tendo-se transformado num símbolo da cidade e de França.
Relatos da época falam de uma cerimónia de inauguração discreta no cimo de uma torre que ultrapassava os 300 metros de altura (324), a edificação humana mais alta à face da Terra. Eram 14h40 de 31 de Março de 1889. 
Entre os cerca de cem convidados apenas uma vintena conseguiram subir os 1665 degraus – a maioria foi ficando pelo caminho – e no final viram Gustave Eiffel (1832-1923) içar uma bandeira francesa. Seguiram-se os foguetes, a salva de 21 tiros, discursos e, claro, champanhe. 
Macau seria integrada na representação de Portugal  - imagens do Pavilhão português neste post - que se pode ver nestas imagens onde também se inclui um "pavillon chinois".
Em 1900, Paris voltaria a receber uma exposição universal...
O Pavilhão chinês na Exposição Universal de Paris em 1889

sábado, 6 de julho de 2019

Histórias Coloniais

"Histórias Coloniais", da Esfera dos Livros, foi lançado no final de 2016 a título póstumo, e é da autoria de Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus.
Os autores recorrem a documentos oficiais para relatar oito episódios de violência e repressão ocorridos nas então colónias portuguesas (Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé, Goa, Macau e Timor-Leste) entre as décadas de 1920 e 1960.
No caso de Macau, a escolha recaiu sobre os eventos de 1966 (Macau: o motim 1,2,3)tendo os autores recorrido ao Arquivo Histórico-Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros (“Incidentes em Macau, 1966-1967”) e Arquivos da Pide (“Macau-Motim 1-2-3, Serviços de Escuta”). Ao longo de 20 páginas são expostos os principais factos dos incidentes com recurso a inúmeros documentos e algumas imagens do AHD, bem como relatos da imprensa.
Tendo por base a informação disponibilizada os autores concluem:
“(...) As responsabilidades por este incidente são, pois evidentes. Autoridades coloniais e forças repressivas atuaram em Macau como o faziam em Angola, na Guiné ou em Moçambique, isto é, com extrema brutalidade e em absoluto desprezo pelas populações. E na ausência do governador, o encarregado de governo terá, então, sido o primeiro responsável, ao mostrar-se intransigente e ao manifestar uma completa falta de tato e sensibilidade para com as especificidades socioculturais do território. Este encarregado de governo era o coronel Carlos Mota Cerveira, «militarão, centralizador, sem sensibilidade política». O próprio ministro do Ultramar, Silva Cunha, terá reconhecido que «não esteve à altura das circunstâncias, dando prova de falta de tato e de não possuir senso político. (...)
No capítulo dos Anexos estão as “Cláusulas do acordo secreto celebrado com as autoridades chinesas”, assinadas pelo governador de Macau, José Nobre de Carvalho, a 29 de Janeiro de 1967, (Fonte: Arquivos da Pide pastas “Macau: Motim 1-2-3) e a “Resposta do Governo de Macau ao protesto que lhe foi apresentado pelos representantes dos habitantes chineses de Macau“, assinada pelo mesmo governador na mesma data.
De acordo com a sinopse da editora "Estes acontecimentos retratam a violência e a brutalidade de uma dominação colonial insensível aos problemas das populações e mostram, ainda, a forma como contribuíram para a formação da consciência nacionalista e como acabaram por acelerar o caminho para a independência dos territórios (ou para a sua integração nos países a que pertenciam). (...) Algumas histórias são praticamente desconhecidas; outras, graças ao acesso a novas fontes encontradas pelos autores, têm aqui versões mais completas do que aquelas que até agora eram do conhecimento público. (...)"

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Barca "Martinho de Mello": 1862

ANNUNCIO 
A BARCA "Martinho de Mello", próxima a seguir viagem para Lisboa com escalla por Mossamedes, Benguella e Loanda, recebe carga para qualquer dos referidas portos: se alguém pretende utilizar-se entenda-se com o Commandante. Macau em 14 de Março de 1862.
In Boletim do Governo, 1862
Ilustração da "Martinho de Mello" na Trafaria, Portugal

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Marcas postais: correio registado em 1951

Carta registada (registo nº 13328) enviada por correio aéreo de Macau às 11h30 de 23.11.1951 tendo chegado a Portugal a 27.11.1951, cinco dias depois. Os selos têm o valor total de 2,40 patacas

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Calçada S. Francisco Xavier

A Calçada de S. Francisco Xavier começa na rua de S. Paulo e vai até à escadaria das Ruínas de S. Paulo aqui retratadas em fotografias de ca. 1880. Ao fundo pode ver-se parte do Templo de Na Tcha e a entrada para o Páteo do Espinho.

terça-feira, 2 de julho de 2019

"Mosaic of very distant territories"

"Portugal is a mosaic of very distant territories, linked by the sea; the assemblage of witch constitutes Portugal" é o título em inglês de um postal de propaganda do Estado Novo publicado na segunda metade da década de 1950. 
Estes postal teve naturalmente também uma versão em português: "A nação portuguesa é mosaico composto por territórios muito afastados, ligados entre si pelo mar e formando, no seu conjunto, Portugal".
São apresentados dados geográficos e populacionais do país e província ultramarinas em 1956, ano em que Macau tinha 16 quilómetros quadrados de superfície e uma população de 187.800 habitantes.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Macau por Silvestre de Santa Martha em 1922

A área superficial da peninsula de Macau e das ilhas adjacentes da Taipa e Colowane, com exclusão da ilha de D. João, onde está fundado um asylo ou Gafaria de leprosos, é de 10.978,'"'57. A sua população, segundo o recenseamento de 30 de junho de 1920 era de 83.984 habitantes, sendo de 79.807 chinezes e 4.177 não chinezes, como se mostra da estatística publicada no Annuario Macaense de 1921. 
No orçamento provincial para o anno economico de 1920-1921, approvado por Portaria do Governador sr. Henrique Correia da Silva, são as receitas calculadas em 2.631.981$26 e as despezas em 2.220:878$34, sendo as despezas ordinárias no montante de 1.636:876$34, e as extraordinárias no de 548:002$00. Para as obras do porto, cujos estudos começaram ha cerca de trinta annos (!) foi destinada a percentagem de 10% do rendimento dos exclusivos na importância de 214.587$00. 
A moeda corrente em Macau, é a pataca, ou peso duro mexicano, peruano, chileno e d'outras proveniências das republicas hespanholas da America, a qual tem o valor legal de $450; e regulando o cambio, embora variavel, d'esta moeda em relação à libra esterlina em Hong Kong, por 2 shellings é 6 pence, pôde comprar-se uma libra por 8 patacas, que equivalem a 35461,40.
O numero de funcionários públicos excede talvez a 300, oriundos uns de Portugal, outros de Macau, outros de Gôa e ainda alguns d'outras procedências, occupando os macaenses logares de menos graduação na escala burocrática, com excepção d'aquelles que estão habilitados para certos serviços com conhecimentos especiaes, como é o estudo e comprehensão da lingua sinica. 
Ora, sendo a receita orçamental de 2.631:981$20, e reduzindo esta quantia a libras esterlinas e estas á moeda circulante em Portugal, ao cambio de 50 escudos por cada libra, virá a dita receita a ascender á avultada cifra 16.449:882$50 em numerário metropolitano, pois, podendo-se adquirir 328:997£65 com 2.681:981$20 (patacas de Macau) e reduzindo-se aquelle numero de libras a escudos (moeda circulante na metrópole) será o producto de 16 449:882$00. E por onde se escôa tanto dinheiro? Apezar de serem tão importantes os rendimentos da fazenda publica, fazemos uma triste figura no extremo oriente, onde é assombrosa a actividade commercial e industrial e o movimento das riquezas e onde não temos nem commercio nem industria nem navegação. Indecoroso contraste. 
A cidade occupa uma superfície muito limitada, embora no seu perímetro se accumule uma população bastante densa, e não obstante ser garrida e vistosa, como um desenho, e espraiar-se cm um bello panorama, não ostenta palácios deslumbrantes, nem jardins suspensos, nem fontes monumentaes, nem maravilhas de architetura, pintura e esculptura. É modesta e sem pretensões. Por onde se escôa, pois, tanto dinheiro? 
É o funcionalismo superabundante que empolga a maior parte das receitas publicas. Lá, como cá, é o grande cancro que corroe as visceras da economia nacional. Queremos, que os funcionários do Estado se metropolijam muito bem pagos, generosamente pagos, para que possam viver desafogadamente, e tenham um fundo de reserva destinado a occorrer a necessidades imprevistas, com tanto que o seu numero não exceda ao que fôr estrictamente necessário para o funcionamento regular dos serviços públicos. 
Uma parte das avultadas receitas da colonia de Macau podiam ser empregadas em obras de fomento local e na fundação de industrias sob a forma de monopolios do Estado ou de exclusivos concedidos a companhias que as quizessem explorar com certas excepções e privilegios, por tempo limitado. Podem estabelecer-se em Macau, com mestres e operários chinezes, fabricas de desfiação e tecidos de sedas, de charões, de chá e d'outras manufacturas que tem consumo na metrópole, e podiam ser d'ahi importadas directamente, como productos coloniaes, mediante certificado d'origem, em vez de as importarmos mais caras de paizes estrangeiros. Diz-se, que os monopolios e os exclusivos "são reprovados pela sciencia económica. Assim é em circunstancias normaes, e quando representam um attentado contra a livre concorrência mas no estado de marasmo profundo em que se encontra aquella colonia longínqua, torna-se necessário e inadiável provocar as energias latentes de raça e estimular as iniciativas individuaes com meios revulsivos, para abrir os olhos aos capitalistas opulentos, que naturalmente preferem empregar o seu dinheiro em jogos da bolsa, em bancos e companhias de seguros. 
Para grandes males grandes remedios. E depois, representa um grande desdouro para a nação deixar cair em abandono e no olvido as brilhantes tradições que nos foram transmitidas pelos antepassados, que, com indómita coragem e a custa do seu sangue, intercalaram uma gloriosa epopêa na historia d'este paiz. 
As tradições rutilantes dos feitos dos nossos antepassados ainda se conservam esboçadas na memoria dos povos orientaes. No Ceylão e em Malaca ainda se encontram famílias indígenas com appelidos portuguezes. É interessante o seguinte caso referido por pessoa fidedigna ao auctor d'estas linhas. Em uma viagem do Oriente para a Europa em um vapor das Messageries M(vitimes que fez escala pelo Ceylão, desembarcaram alguns passageiros em Colombo, capital dos domínios inglezes n'aquella ilha paradisíaca, e para se distraírem, em quanto o navio se conservava ancorado no porto, foram em passeio recreativo até um povoado conhecido por Blacktown para assistirem a uma dança lasciva de mulheres indígenas vestidas segundo o costume da terra. Estava entre ellas uma indígena vestida de saias, que não se arrestava a tomar parte na dança, e perguntando-lhe um matedos dilettanti qual o motivo da sua abstenção, respondeu-lhe que assim procedia, porque era portugueza. Hoje, porém, não se vive de tradições; é o trabalho que engrandece os povos e lhes dá autoridade e preponderância no concerto das nações. 
Os pregões da heráldica avoenga e os echos da tradição mal se deixam ouvir ante o fragor das machinas e instrumentos de producção. É urgente e opportuno um movimento patriótico para reanimar e fazer resurgir para a vida activa aquella colonia somnolenta, illustre por tantos títulos e padrão authentico da energia gloriosa de nossos maiores. Os capitaes que forem empregados nas emprezas industriaes mencionadas serão um revulsivo efficaz para o seu engrandecimento. A distancia não pode serum óbice impeditivo. Quantas emprezas agrícolas e industriaes não temos em regiões affastadas e insalubres da Africa, com a sede da administração em Lisboa e directores technicos nas localidades?! 
Cumpre ao governo iniciar o movimento, convidando os capitalistas a collaborar n'esta obra de resurgimento, ou decretando as providencias necessárias para o estabelecimento provisorio de monopolios por conta do Estado. Fóra a politica partidaria de ambições deleterias! Queremos administração patriótica e fecunda. 
Artigo da autoria de Silvestre de Santa Martha 
in Revista Colonial, Fevereiro de 1922