Este anúncio de 1875 do Royal Hotel foi publicado num jornal macaense. O hotel remonta à década de 1860 e estava localizado na Praia Grande, já muito perto do que é hoje o início da rua do Campo. Reflecte parte do comércio de produtos importados de Portugal no último quartel do século 19.
No mesmo espaço vendiam-se bens alimentares (chouriço de Castelo de Vide, paio de lombo, feijão de bico, vinho da Madeira, de Carcavelos...) e material para uniformes militares (botões de infantaria, galões de ouro para divisas de alferes e capitão). Recorde-se que Macau acolhia um contingente militar português.
Os preços eram praticados nas chamadas patacas de prata mexicana (embora não seja referido no anúncio) ou dólares de prata em circulação nas cidades portuárias vizinhas, nomeadamente em Hong Kong.
As medições misturam o sistema imperial britânico e tradicional (libras para peso, jardas para tecidos/galões), reflectindo a proximidade e influência de Hong Kong e do comércio marítimo global.
O hotel enviava encomendas para Hong Kong e Cantão oferecendo um desconto de 5% para compras em quantidade, o que demonstra uma rede mercantil activa no delta do Rio das Pérolas.
ROYAL HOTEL.
HA para venda neste estabelecimento, chegado de Lisboa, o seguinte: —
Produto / Artigo PreçoChouriços de Castello de Vide, 3 libras por $1.
Aguardente d'erva doce, 12 garrafas 4.50
Paios de lombo, em latas de 18 libras 8.
Ditos, em latas de 10 libras 4.
Feijão de bico, 15 libras por 1.
Vinho fino da Ilha de Madeira, duzia 9.
Carcavellos branco, barril de 5.º 23.
Galão d'ouro para divisas de alferes, jarda 2.
Ditos para divisas de capitão, jarda 3.50
Botões grandes de metal para infanteria e marinha, duzia 1.
Ditos pequenos 0.70
Emblema para officiaes do batalhão 1.50
Chapeos de palha d'Italia 2.00
Garante-se a boa qualidade destes objectos, enviam-se para Cantão ou Hongkong, a quem os desejar, abate-se 5 por cento a quem comprar mais de uma jarda de galão, ou uma duzia de botões.

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