sexta-feira, 11 de setembro de 2026

"Tomb of Lord John Churchill at Macau": 1840

Estes desenhos aquarelados feitos a lápis e caneta com tamanho 14x19cm foram vendidos num leilão em Londres em Julho de 2026 por pouco mais de 5 mil libras. Sem indicação do autor é muito provavelmente uma obra de um autor britânico, militar integrado no contingente que na época combatia as forças chinesas em plena primeira guerra do ópio.
O lote incluía: 
- 4 folhas com esboços de figuras humanas chinesas (estudos) 
- uma ilustração da batalha a 25 de Maio de 1841 mostrando ataques ingleses a Cantão a partir das colinas que circundavam a cidade.
- ilustração panorâmica em duas folhas intitulada "Macau/Fort St Francis, June 16th 41'"
- desenho a lápis aquarelado a cores com a legenda "Lord John Churchill's Monument at the burial ground at Macau, 1840"
- desenho a duas folhas com a legenda "Tomb of Lord John Churchill at Macau"
Lord Henry John Spencer-Churchill, foi um oficial naval britânico de alta patente. Em 1839 assumiu o comando do navio de guerra HMS Druid da Royal Navy (Marinha Real Britânica) e um ano depois seguiu para a região de Macau para se juntar à frota britânica que se concentrava para a Primeira Guerra do Ópio. Acabou por contrair disenteria grave a bordo morrendo em Macau a 2 de Junho de 1840, com 42 anos de idade. Foi sepultado no cemitério protestante, um local histórico hoje classificado como Património Mundial da UNESCO. O seu túmulo ostenta o brasão de armas da família Churchill e um monumento erguido pelos seus oficiais em sinal de estima e afecto.
O cemitério remonta a 1815 quando o proprietário e comerciante português Manuel Pereira arrendou/cedeu parte da sua extensão propriedade (o actual Jardim de Camões e Casa Garden) à Companhia Inglesa das Índias Orientais, mesmo nos limites da então denominada cidade cristã. Aliás, parte dos muros que o delimitavam faziam parte da muralha que rodeava a cidade. Desses tempos ficou na toponímia local nomes como a Escada do Muro e rua do Patane. Esta última em chinês designa-se Rua do Muro de Pedra, e não é por acaso...
O desenho mostra ainda a Fortaleza do Monte com a bandeira da monarquia portuguesa e as traseiras da fachada da Igreja Mater Dei (Ruínas de S. Paulo).

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