Durante as celebrações do Ano Novo Chinês, o ritual de queimar incenso (shàngxiāng) nos templos é uma das tradições mais profundas e espirituais, servindo como uma ponte entre o mundo terreno e o divino.
Este ritual, realizado por pessoas de todas as idades, funciona como uma forma de comunicação com as divindades e antepassados, onde o fumo perfumado transporta as preces, os agradecimentos e os desejos de prosperidade para o ciclo que se inicia. Ao segurarem o incenso com ambas as mãos em sinal de profundo respeito, os fiéis pedem protecção, saúde e harmonia familiar, depositando as varetas/paus de incenso em queimadores ornamentados que purificam o ambiente. Esta prática marca a transição entre o passado e o futuro, servindo como um gesto de humildade e esperança que define a atmosfera espiritual das festividades.
| Ilustração criada por IA tendo por base um templo em Macau |
Queimar incenso não é apenas um ato simbólico; é uma forma de comunicação. Acredita-se que o fumo que sobe carrega as preces, os agradecimentos e os desejos de boa sorte dos fiéis até aos deuses e aos antepassados. No início de um novo ciclo lunar, este gesto serve para pedir proteção e saúde para a família, atrair prosperidade e sucesso nos negócios, limpar as energias negativas do ano que passou.
O ritual segue uma etiqueta específica. Os fiéis seguram as varetas de incenso com as duas mãos, elevando-as à altura do peito ou da testa em sinal de respeito. O incenso é colocado em grandes recipientes de metal ou pedra (ding), muitas vezes decorados com dragões ou símbolos auspiciosos, localizados à entrada ou no pátio central dos templos.
O cenário é marcado pelo aroma intenso do sândalo e pelas nuvens de fumo que criam uma atmosfera de solenidade e introspeção, contrastando com a agitação festiva das ruas.
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