domingo, 22 de fevereiro de 2026

"Camões no Oriente"

"Camões no Oriente" é o mais recente título da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (ilustrações de Rui Sousa) a integrar a Biblioteca Digital da Fundação Jorge Álvares.
Da colecção "Portugueses no Oriente", vocacionada para o público juvenil, fazem ainda parte os títulos "Missão Impossível", "A Nau do Trato" e "Encontros na Cidade Proibida" – "os quais, além de animadas aventuras dos seus jovens intervenientes, contêm muita Informação histórica de fácil leitura e aprendizagem. Estas edições, não comerciais, foram especialmente encomendadas pela Fundação Jorge Álvares às autoras, tendo sido distribuídos vários exemplares pelas bibliotecas que integram a Rede de Bibliotecas Escolares nacional. A Nau do Trato foi por sua vez traduzida para chinês numa iniciativa do então Embaixador de Portugal em Pequim, José Augusto Duarte."

Excerto:
"No ano 1562 o vice ‑rei, que era D. Francisco Coutinho, conde do Redondo, nomeou Luís de Camões Provedor dos Defuntos em Macau. Este cargo era muito apetecido por ser bem pago pela coroa portuguesa e não só. O Provedor de Defuntos tinha como missão fazer o inventário de todos os bens deixados por portugueses que morressem em Macau. Devia vendê‑los em leilão e guardar o dinheiro que obtivesse para o entregar aos herdeiros ou à coroa, mas tinha o direito de ficar com uma percentagem. Só podia exercer o cargo quem soubesse ler, escrever, interpretar leis. E, naturalmente, convinha que fosse honesto para não dar informações erradas aos herdeiros e à coroa e para não se apropriar daquilo que não lhe pertencia. Já viviam então muitos portugueses em Macau e praticamente todos se dedicavam ao comércio. A exceção era os padres. O imperador da China tinha autorizado os portugueses a instalarem ‑se em Macau para comerciarem em 1557. 
A partir de então a cidade, que fica situada na foz do rio das Pérolas começou a desenvolver‑se não só devido à presença dos portugueses mas também porque muitos chineses foram atraídos pelos negócios que ali podiam fazer. Naquele porto o movimento era cada vez mais intenso. Naus vindas de Goa transportavam produtos europeus, ouro da costa oriental da África, tecidos da Índia especiarias das ilhas Molucas e outros produtos de outras regiões da Índia e do Pacífico. Em Macau tudo isso se vendia com lucro e por lá se compravam porcelanas e sedas da China. A partir de certa altura, passou a haver também comércio com o Japão, onde as naus se dirigiam sobretudo para comprar prata. De modo que, quem fosse corajoso, hábil e tivesse sorte, conseguia enriquecer. Quanto mais trocas se fizessem, mais a coroa lucrava porque as naus tinham de pagar taxas alfandegárias em todos os portos dominados pelos portugueses. (...)
Segundo a tradição, o poeta subia com frequência a colina de Patane e sentava ‑se a escrever no interior de uma formação rochosa, que passaria à história como «penedo de Camões ou gruta de Camões». Ninguém sabe se realmente teria escrito naquele lugar ou não, mas se o fez escolheu bem porque naquele tempo, sem construções em volta, podia desfrutar de uma bela vista e porque em dias de calor e humidade desfrutaria também de sombra e frescura. Quem hoje visita Macau, se passar pela dita «gruta» ali encontrará um busto do poeta em bronze.(...)" 
Todas as obras desta colecção podem ser acedidas e descarregadas no site da FJA. 


No site está ainda disponível informação sobre o concurso "Vale a Pena Ler" para o ano lectivo 2025/26 e que tem como destinatários, nesta edição, as escolas de Portugal Continental e das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.
Para esta iniciativa a Fundação Jorge Álvares "convida todos os alunos e professores a mergulharem nos fascinantes conteúdos da sua Biblioteca Digital e a participarem num concurso único, onde o conhecimento, a imaginação e a criatividade se encontram para dar vida a novas ideias!"
O concurso destina-se a alunos do 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, sendo a participação individual, mas sempre no contexto escolar, com o acompanhamento de um(a) professor(a) responsável.
O período de candidaturas decorre entre 15 de Março e 23 de Abril de 2026.

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