O principal festival principal entre os chineses é o dia de Ano Novo. Ninguém se preocupa com negócios e todos se ocupam em banquetear-se. Este dia é por eles considerado como um dia de jejum, o qual se diz ter sido estabelecido para evitar casos de embriaguez. Cada homem veste roupas novas e, mesmo aqueles que vivem em extrema pobreza, aparecem neste dia com algo novo.
Oito dias antes do ano novo, quase todas as lojas começam a decorar-se com artigos novos, tais como flores artificiais, papel de joss, etc., de diferentes desenhos e cores; enquanto nas ruas se vêem flores em vasos, brinquedos, curiosidades e coisas afins. Estas destinam-se todas à venda. Aqui e ali, também se encontram diferentes grupos de chins activamente ocupados no jogo. Na água, os barcos estão todos alegremente decorados com bandeiras. O número de barcos nesta ocasião é muito grande. A música e os foguetes são indispensáveis, tanto de dia como de noite.
Na véspera do ano novo, o concurso de gente e o seu entusiasmo aumentam. O jogo multiplica-se proporcionalmente e não há lugar onde não se veja. À noite, tanto a praça do mercado como o porto tornam-se belos por via de imensas iluminações, naturalmente acompanhadas, especialmente, por música e pelo atroar dos foguetes. Os barcos, quando iluminados, produzem um efeito óptimo. A compra e a venda são extensas, mas nunca deixam de ser acompanhadas, mesmo nesta época feliz, por numerosos furtos.
Assim que chega a meia-noite do último dia do ano, todas as lojas fecham e todo o tipo de trabalho cessa. O festival continua por um número maior ou menor de dias, geralmente não excedendo oito, e estes são os dias que os chins consideram como os principais. Ao nono dia, quando as lojas começam a abrir para o negócio ordinário, há de novo festejos, que consistem simplesmente em soltar foguetes, queimar papel de ritual, e assim sucessivamente.
O segundo dia da segunda lua é o dia dedicado aos deuses domésticos. Esta festa é celebrada em várias partes da cidade por sociedades, sendo as despesas suportadas por subscrição. Cada uma destas sociedades ergue uma tenda no local escolhido para o efeito, e nestas tendas há sempre uma boa exposição de pinturas. Toca-se música dentro da tenda e, no exterior, queimam-se panchões a intervalos. Durante o tempo da festa, oferecem-se sacrifícios na tenda, uns após outros. Quando muita gente se reúne, queima-se um panchão exposto de forma vertical. Assim que este cai, todos se lançam sobre ele, e aquele que o apanhar primeiro ganha um prémio e será considerado feliz durante todo o ano. Mais alguns destes panchões ou grandes panchões são queimados a intervalos, e as partes que os recolhem têm os mesmos interesses que o primeiro.
Os panchões são todos numerados e, consequentemente, a qualidade e o valor de cada um estão indicados. Aqueles que os apanharam são obrigados a apresentar outros semelhantes para o mesmo fim. Para que nenhum dos intervenientes que os apanhou falte ao cumprimento da sua obrigação, os directores tomam nota e guardam um memorando com os nomes dos indivíduos. Sob o nome de cada um, indica-se o número que ele deve fornecer. Estes actos são apenas praticados pelas classes comuns. Os ricos realizam os seus sacrifícios nas suas próprias casas, mas muitos deles aparecem no referido festival como espectadores.
O festival dura habitualmente dois ou três dias e termina com a queima de um outro tipo de fogo-de-artifício, que tem lugar na noite do último dia. Nele são colocadas figuras que se movem pelo fogo, representando personagens dramáticas. O título da peça é representado em caracteres sagrados e o fogo-de-artifício é composto por tantas partes quantos os actos da representação teatral que se pretende imitar. O primeiro acto é representado na parte inferior do fogo-de-artifício e, assim que termina, aparece o segundo acto, e assim sucessivamente até que todos os actos estejam findos.
A festa da deusa Kuonyn celebra-se ao décimo nono dia da mesma lua. Esta festa consiste em sacrifícios realizados nas casas, no mar e nos templos; e nesta ocasião há sempre uma grande quantidade de comida oferecida, além de pequenos pedaços de papel dourado e prateado.
Nos últimos dias da mesma lua, que é o princípio da Primavera, os chins começam a fazer sacrifícios sobre as lápides dos seus parentes falecidos. Estes sacrifícios duram geralmente mais de vinte dias. Colocam-se vitualhas perto das lápides, e queimam-se roupas de papel e pequenos pedaços de papel dourado e prateado. Quando os sacrifícios estão na véspera de terminar, uma parte da comida é distribuída pelos pobres, que nestas ocasiões costumam reunir-se em grande número.
Tradução/Adaptação minha do texto da autoria de Manuel de Castro Sampaio (post de ontem). Ilustrações criadas por IA.

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