Esta fotografia - colorida por IA - é dos primeiros anos da década de 1960. Ao fundo vista parcial do campo de jogos do Liceu e do edifício residencial Rainha D. Leonor. Do lado direito vê-se parte do Padrão Henriquino, colocado frente à entrada do Liceu (na Praia Grande) nas comemorações do Ano Henriquino em 1960. Não tenho elementos que permitem perceber o evento, mas está por certo relacionado com a Dança do Leão ou a Dança do Dragão. As duas performances fazem parte da cultura chinesa e ocorrem em diversas ocasiões, incluindo no Ano Novo Chinês.
Dança do Leão
A Dança do Leão é um dos rituais mais vibrantes do Ano Novo Lunar, funcionando como uma ferramenta espiritual para purificar o ambiente e atrair prosperidade. É também um ritual noutras festividades ao longo do ano, casamentos, inaugurações, etc...
Ao contrário do dragão, o leão é operado por apenas dois dançarinos que, através de uma coreografia vigorosa baseada nas artes marciais, dão vida a um animal irrequieto. O ponto alto da performance é o ritual Cai Qing, onde o leão "caça" e come uma alface normalmente pendurada à porta de estabelecimentos. Escondido entre as folhas, encontra-se sempre um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro, que serve como oferta de gratidão e pagamento simbólico. Após "comer" a alface e o envelope, o leão 'cospe' as folhas sobre o público, um gesto que simboliza a partilha da fortuna e das bênçãos para o novo ciclo. Todo o espetáculo é ritmado por tambores e gongos constantes, cujo som estridente tem a missão crucial de espantar os maus espíritos.
O Simbolismo e o Ritual
Espantar o mal: O principal objetivo da dança é afastar os maus espíritos e a má sorte acumulada no ano anterior através do som alto dos tambores e da figura imponente do animal.
O Ritual "Cai Qing" (Colher o Verde): Este é o momento mais icónico. O leão "caça" uma alface (ou outra hortaliça) pendurada na porta de lojas ou casas. Dentro da alface há um envelope vermelho (hongbao) com dinheiro. O leão "come" a alface e depois a cospe para fora, simbolizando a disseminação da fortuna e prosperidade para o dono do local.
Diferenças Visuais e Técnicas
Estrutura: Ao contrário do dragão (que precisa de muitos homens), o leão é operado por apenas dois dançarinos: um controla a cabeça (e as pálpebras/orelhas) e o outro 'faz' as costas e a cauda.
Estilos: Existem dois estilos principais: o do Norte, que é mais acrobático e o leão parece um cão peludo, e o do Sul (mais comum em Macau e Hong Kong), que foca na expressão facial e no poder das artes marciais. Tradicionalmente, são as escolas de Kung Fu que realizam as danças, pois os movimentos exigem uma base de pernas (postura de cavalo) extremamente forte e grande agilidade física.
Dança do Dragão
A Dança do Dragão é outro dos espetáculos bastante aguardados nas celebrações do Ano Novo Lunar Chinês, simbolizando poder, sorte e prosperidade. Longe de ser apenas uma performance, é um ritual que visa afastar os maus espíritos e trazer boa fortuna para o ano que se inicia.
Os dragões, figuras lendárias e benevolentes na cultura chinesa, são representados por longas estruturas flexíveis, manobradas por uma equipa de dançarinos. Cada parte do corpo do dragão – da cabeça maciça e expressiva à cauda ondulante – exige coordenação perfeita e força física. Guiados por um "Portador da Pérola" que simula o objecto da sabedoria e do poder, o dragão serpenteia entre as multidões, realizando movimentos que imitam o seu voo e a sua busca por harmonia.
Durante os festejos do Ano Novo, a Dança do Dragão "desperta" a energia da comunidade. Ao som ensurdecedor de tambores, gongos e pratos – que não só animam o ritmo, mas também espantam o azar – o dragão ganha vida, movendo-se com agilidade e majestade. A dança, muitas vezes realizada em procissões vibrantes pelas ruas, atrai multidões, que acreditam que tocar no corpo do dragão traz sorte.
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