sábado, 9 de novembro de 2019

"Macau" no Boletim Geral das Colónias: Novembro 1929

Há 90 anos, a edição de Novembro de 1929 do Boletim Geral das Colónias (publicado em Portugal) foi dedicada em exclusivo a Macau.
A publicação começou por se denominar "Boletim da Agência Geral das Colónias" quando foi criada em 1924. Era o órgão oficial da acção colonial portuguesa e tinha por missão ”fazer propaganda do nosso património colonial, contribuindo por todos os meios para o seu engrandecimento, defesa, estudo das suas riquezas e demonstração das aptidões e capacidade colonizadora dos portugueses”Em 1935 passou a designar-se "Boletim Geral das Colónias" e em 1951 mudou outra vez o nome para "Boletim Geral do Ultramar". acompanhando assim a própria alteração da nomenclatura oficial.
Nesta edição dedicada a Macau incluem-se diversos artigos. Por exemplo, um de Artur Tamagnini Barbosa, governador (O Governo de Macau) e outro sobre a indústria da pesca, da autoria de César Gomes do Amaral, capitão dos portos de Macau.
Excerto:
“É uma das mais importantes (a indústria da pesca) se não a mais importante desta Colónia. Ocupando milhares de homens e representando um volume comercial de perto de 5,5 milhões de patacas, esta indústria faz de Macau o principal centro piscatório do Sul da China. Maior poderia ser a sua importância, se não fôra a pirataria, que flagela a zona marítima compreendida, entre os deltas de Si- Kiang e Chu-Kiang, precisamente a região mais abundante em peixe. Quantas vezes as pobres embarcações de pesca são abordadas por bandos de piratas armados que as despojam de tudo que possa transformar-se em dinheiro! Frequentemente travam-se lutas renhidas entre atacantes e atacados, mas em geral fica vencido o pescador, dada a sua inferioridade em meios de defesa e ataque.
O caos administrativo chinês também contribui poderosamente para a diminuição dos rendimentos desta indústria, em virtude das acções violentas e exorbitantes por parte das autoridades chinesas, que, a título de contribuição, obrigam as embarcações a pagar pesados impostos pelo pescado e o sal que transportam para a salga do peixe. Contudo, apesar destas causas que entravam um maior e possível desenvolvimento da indústria piscatória em Macau, o facto é que ela constitui, ainda assim, uma das principais fontes de riqueza da Colónia e uma receita importante para o cofre da Fazenda Provincial.
Índice:
- O Governo de Macau, por Artur Tamagnini Barbosa, Governador de Macau.
- Padroado Português no Extremo Oriente, por J. da Costa Nunes.
- Vésperas do Ano Novo Chinês, por D. Maria Ana Acciaioli Tamagini.
- A aclamação del Rei D. João IV em Macau, (subsídios históricos e biográficos) por Frazão de Vasconcelos.
- Aspectos e problemas de Macau, por João dos Santos Monteiro.
- Climatologia de Macau, por Morais Palha.
- À maneira de conto, por Félix Horta.
- Uma página para a História de Macau, por Jaime do Inso.
- Traços Impressionistas de Macau, por Bella Sidney Woolf.
- Alguns dados estatísticos sobre a colónia portuguesa de Xangai (referidos a 31 de Março de 1918), por Francisco de Paula Brito Júnior. 
- A Gruta de Camões, por Humberto de Avelar. 
- Alguns dados estatísticos sobre a colónia de Macau (lista dos governadores de Macau e datas de posse, inquérito sobre a população de Macau e suas dependências).
- Lugares selectos da Biblioteca Colonial Portuguesa (O comércio de Macau de 1863 e o princípio de associação como base do progresso) – editorial do semanário macaense TA-SSY-YANG-KUO, n.º 18, de 4 de Fevereiro de 1864.

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