quarta-feira, 12 de junho de 2019

Projecto de Nota de 100 patacas: 1977

Em cima um projecto curiosa para uma nota de 100 patacas na década de 1970 que nunca chegou a ser impressa e muito menos com denominação "Banco Central de Macau".
Note-se, no entanto, que para a nota que veio a ser impressa (1973) - imagem abaixo - foi 'aproveitada' a ideia de um junco. 



terça-feira, 11 de junho de 2019

Mapa das ilhas da boca do rio Cantão

 

"Kort over øerne I mundingen Af Floden Canton udkastet efter de sejlendes observationer af N.B. Ing. de la Marine" é o título em dinamarquês de um mapa sem data e sem autor, mas ao que tudo indica será do século 18 e tem muitas semelhanças com os de Nicolas Bellin, nomeadamente os que estão incluídos na obra "Histoire Général des Voyages", de Antoine François, editado em Paris entre 1746-1761. Em suma, será uma versão dinamarquesa.
Em português o título é: Mapa das ilhas da boca do rio de Cantão desenhado a partir das observações do marinheiro da N. B., engenheiro da marinha.
"Kort over øerne I mundingen Af Floden Canton udkastet efter de sejlendes observationer af N.B. Ing. de la Marine" is the original title in danish.
In english: Map of the islands in the mouth of the the river Canton draft by the seamen's observations of N. B. Marine Engineer".

No identifying text as to engraver or publisher. The style is similar to those by Nicolas Bellin found in Abbé Prévost's 'Histoire Général des Voyages' published in Paris between 1746 and 1761.

18th Century Danish map of Islands at the mouth of the Canton River (China)
Macau location. 
Localicação de "Staden Macao", "Cidade de Macau"

domingo, 9 de junho de 2019

Pinturas de P. T. Pang

Este post foi suscitado por um leitor que me contactou solicitando informações sobre o autor deste conjunto de quadros - todos a óleo sobre tela, excepto um - em que assina como P. T. Pang. Quem tiver mais informações agradeço que envie para o email: macauantigo@gmail.com
 USS Mindanao Hong Kong China 1939
USS Mindanao Hong Kong China 1933
N.R.P. (cruzador) República em Hong  Kong China 1925, 1926 1927 (a guache)
 N.R.P. (canhoneira) Pátria Macau 1928
 "Pátria" numa versão ligeiramente diferente
Um 'clipper' com bandeira portuguesa (república) sem indicação de nome
N.R.P.  (Cruzador auxiliar) Gil Eannes: primeiros anos do século XX

sábado, 8 de junho de 2019

As antigas praias da Guia e de Cacilhas

A Praia de Cacilhas entrou para a história de Macau em 1622. Foi ali que se deu o desembarque dos holandeses que tentaram conquistar Macau. Ficava no sopé da colina D. Maria na zona do Ramal dos Mouros. A construção do Reservatório na década de 1930 acabou com a enseada e a praia. Uma das várias que existiam no território.

“Lembra-me perfeitamente de que me contaram que no sítio da Bocca do Inferno, próximo da Praia de Cacilhas existia uma espécie de caverna ou furna por onde o mar entrava produzindo um ruido retumbante; e que no fundo d´essa caverna estava enterrada no lodo uma peça que, na vasante, se apresentava meio descoberta, comida de azabre ou de ferrugem, e era proveniente dos hollandezes que na fuga precipitada para os seus barcos a deixaram ali abandonada. Bastantes vezes perguntei a pessoas vindas de Macau notícias da Bocca do Inferno e da tal peça, sem que nenhuma d´ellas mostrasse conhecer taes cousas. Já estava persuadido de que tudo não passava de fantasia infantil, quando, há tempos, tendo comprado n´um dos alfarrabistas de Lisboa uma valiosíssima planta de Macau, (que me parece autographa e inédita) de que nunca até então tivera notícia, lá vi marcada a norte da Praia de Cacilhas a já tão esquecida Bocca do infreno. Da peça é que não reza o papel. Que investiguem se existe ainda tal curiosidade os meus patrícios de Macau, se a água do mar a não comeu já de todo, ou se as ostras e mexilhões a não converteram à laia de rochedo ou pedregulho”
Excerto de um artigo publicado no Ta Ssi Yang Kuo Archivos E Annaes Do Extremo Oriente Portuguez, 1899.
Fortim D. Maria II (1852) e Lazareto (à esq) e a Praia de Cacilhas à direita
Postal "Cacilhas bay, near the bathing place". ca. 1890/1900
Mapa de 1921 com a localização de algumas praias: 
A: Praia da Areia Preta B: Praia de Cacilhas C: Praia da Guia D: Praia Grande

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Baía da Praia Grande: Smirnoff e Hildbrandt

Em 1945 George Smirnoff fez uma cópia (imagem abaixo) da aguarela pintada pelo alemão E. Hildbrandt em 1863 (imagem acima). O motivo do quadro é a baía da Praia Grande vendo-se do lado esquerdo, entre outros motivos, o Fortim de S. Pedro.
Das pouco mais de 60 obras sobre Macau que Smirnoff deixou e que fazem parte do acervo do Museu de Arte de Macau actualmente, esta é provavelmente a única não original.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Testemunho de uma refugiada de guerra

Irene Smirnoff Garfnkle, foi uma entre os milhares de refugiados que Macau acolheu durante a Segunda Guerra mundial. Aqui fica o testemunho desses tempos, da filha do pintor russo George Smirnoff.
During the last year and a half of the Japanese occupation of Hong Kong during World War Two, my father, George Smirnoff, with some other Russian refugees, decided to move his family to the only safe place we could get to, the small neighbouring Portuguese colony of Macao. As White Russians, we lived in a form of limbo during those years. We were stateless, and so were no-one’s responsibility. The Japanese categorised us – along with others, such as the numerous Portuguese born in Hong Kong, as “Third Nationals”. We were not Allied nationals – therefore liable to internment and at least some food and sustenance in the camps. Neither were we citizens of nations allied to Japan, such as Germany or Italy; nor were we Neutrals, like the Irish, the Swiss or the Swedish. White Russians in China existed in a diplomatic no-man’s-land in those years – the charge of no-one. And as we were no-one’s concern, we had – somehow - to fend for ourselves as best we could. It was a very difficult time. We lived wherever we could – for a time even in the French Convent in Causeway Bay. After one of the American bombing raids over Hong Kong, when our house at Tsim Sha Tsui was destroyed, we finally had to leave. Macao was the only place we could go.
My father and I went first on the Hong Kong-Macao ferry; this was then a four hour journey. We arrived in Macao with virtually nothing, except what little we could carry with us. Some time later, my mother followed with her two other small children, my sister and brother. She also arrived in Macao with very little and had to give up her gold wedding band as a last minute bribe to get on the ferry before leaving Hong Kong.
Our first home in Macao was the lounge-dining room in the Bela Vista Hotel. Formerly one of Macao’s better hotels, beautifully situated on the foundations of an old fort overlooking the Praya Grande, the wartime Bela Vista was far from luxurious, but provided a welcome refuge. Along with other places, like the Macao Club, the Bela Vista was used as accommodation for the hundreds – perhaps thousands – of refugees who came across from Hong Kong. All the children slept side by side on the floor, packed in like so many small sardines; it didn’t matter - we were all just so glad to be away from immediate danger.
My father sought lodgings for his family in the town and eventually found the top floor of a house in a courtyard known as Pátio de Seis Casas – “Courtyard of the Six Houses”, down a quiet back lane not far from one of Macao’s lovely old churches.
Having been asked over the years for biographical information about my father, I learnt that, in the main, he had experienced a terribly disrupted, unsatisfying life. My father George Smirnoff and Yul Brynner had both been born in the same city - Vladivostok, far eastern Russia – some ten years apart. Thereafter, their stories were so different.
Yul Brynner wound up in the United States as a stage and movie star, a very gifted performing artist and a household name in every country. After years of movement from danger, from Vladivostok to Harbin and on to Tsingtao, then to Hong Kong and Macao and back again to Hong Kong, our family trailing along with him, George Smirnoff was never able to leave China. After years of such a life he is buried in Hong Kong, ironically in Happy Valley.
The year and a half that we spent in Macao during World War Two was probably the most peaceful and rewarding period of George Smirnoff’s sad life. During that period we had nothing of any material substance. But our family was intact, the people of Macao were wonderful to us and generously gave all kinds of help and support, and we had food on the table every day.
My sister Nina and I attended school – the locally-famed Santa Rosa de Lima on the Praya Grande – and as far as those wartime circumstances allowed, we had a normal life. There was no motor transportation around Macao then - we went everywhere on foot. Everyone did – and we thought nothing of it. It was a happy time.
It was a happy time for my father, too, probably the most personally satisfying period in his short life. Dr. Pedro José Lobo, then one of Macao’s leading business and political figures, commissioned him to paint a series of views of the city as it then was. He was free to paint whatever he liked – churches, fortresses, seascapes and street views. By means of Dr. Lobo’s generous patronage, he was released for the first time from immediate financial cares. Father Albert Cooney, one of the teachers at the Salesian school near where we lived, provided some paints and a supply of paper - and a lasting friendship.
George Smirnoff could spend days sketching and painting or staring at scenes he would later depict on paper or board (there was no canvas) or just fishing and thinking. That dark period, with war always just over the horizon, was almost the only time in his life that my father was truly at peace with himself and his surroundings.
I also used to follow my father when he went on scouting trips for his watercolours. He would sit for a long time and stare at the muddy waters or at junks out in the channel or some angle of Macao hills and water from the Praya Grande which in those days was the road around the peninsula on a retaining wall and now, due to large amounts of reclamation is far inland. It was peaceful and relaxing. For once, after all our lives in China, war and disorder hadn’t followed us. After our rambles around the city we would go home, and later that night he would sketch and colour what he had seen earlier that day from memory. If you matched what he painted to the real setting, it was almost like a photograph. I thought that was how every artist and watercolourist worked.
Sugestão: 
Na edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa  (até 16 de Junho) pode encontrar no stand da livraria do Turismo de Macau vários livros sobre os temas abordados neste post incluindo "Macau 1937-1945: os anos da guerra", da autoria de João Botas, edição de 2012 do Instituto Internacional de Macau que descreve assim o livro: "É um estudo sério, abrangente e metodicamente organizado sobre um do períodos mais conturbados de todo o percurso histórico de Macau. O livro é um importante contributo para um melhor conhecimento da forma como aqueles anos duríssimos foram vividos pela população de Macau, bem como das políticas públicas então prosseguidas neste derradeiro reduto de paz, permanentemente ameaçado pela sangrenta presença nipónica em seu redor, provocando tremendas convulsões em vastas áreas do Extremo Oriente."
A Livraria do Turismo de Macau fica no pavilhão B13, situado na fila adjacente ao relvado central, do lado direito de quem sobe a partir do Marquês de Pombal.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Carte De L'Entree de la Riviere de Canton

Este mapa gravado em cobre mostra a foz do rio Cantão (Rio das Pérolas) dando especial destaque à "Isle de Macao" (que corresponde ao território chinês) e à cidade de Cantão. A península de "Macao" está representada a vermelho. Inclui algumas indicações úteis para a navegação marítima.
"Carte De L'Entree de la Riviere de Canton"
Da autoria de Jacques-Nicolas Bellin, ca. 1760 (Paris)

 Detalhe da localização de Macau

terça-feira, 4 de junho de 2019

Tiananmen: 1989-2019

A 4 de junho de 1989 (30 anos) o governo da China reprimiu violentamente milhares de jovens estudantes que protestavam há várias semanas na Praça de Tiananmen (Paz Celestial) em Pequim. Os manifestantes exigiam mais transparência e democracia na política das autoridades chinesas.
As notícias do massacre depressa correram mundo e em Macau milhares de pessoas saíram à rua nessa data em solidariedade com as vítimas. Números oficiais do governo chinês apontam para cerca de 200 mortos mas fontes diplomáticas internacionais, nomeadamente o embaixador britânico em Pequim, referiu "pelo menos 10 mil mortos civis" num telegrama que enviou para Londres a 5 de junho de 1989.
Desde essa data, todos os anos,  não só em Macau, como também em Hong  Kong (regiões especiais administrativas da China), ocorrem vigílias para evocar o "banho de sangue" nas palavras da imprensa da época. São mesmo os únicos locais da China onde tais manifestações são permitidas.
Over seven weeks in 1989, student-led pro-democracy protests centered on Beijing’s Tiananmen Square became China’s greatest political upheaval since the end of the Cultural Revolution more than a decade earlier.
Corruption among the elite was a key complaint, but the protesters were also calling for a more open and fair society, one that would require the ruling Communist Party to relinquish control over many aspects of life, including education, employment and even the size of families.
This year marks the 30th anniversary of the bloody crackdown that ended the protest. The Chinese government has never given a clear account of how many were killed. Some oficial documents refered around 200 but international diplomatic sources, including the British embassador in Beijing wrote a telegram to London on 5th june 1989 mentioning "at least 10,000 civillians were killed."

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Visita a Macau a 12 de Março de 1967 de John Hansen: exclusivo Macau Antigo


John Hansen em 1967 na Fortaleza do Monte e o visa 'tirado' no Consulado de Portugal em Hong Kong para poder entrar em Macau.
John A. Hansen vive actualmente no Texas (EUA). A 12 de Março de 1967 visitou Macau na companhia da mulher, Nancy. Foi apenas um dia de estadia que imortalizou em slides que agora são dados a conhecer em exclusivo no blogue Macau Antigo, incluindo o Visa que teve de tirar no Consulado de Portugal em Hong Kong e que inclui o carimbo da PSP da autorizar o desembarque em Macau.
Clicar nas imagens para ver em tamanho maior.


"At that time I was a civilian radio engineer employed by a US Army contractor in Vietnam. I took an early morning hydrofoil (“Flying Albatross”) and upon arrival hired a car and driver for the day, visiting various points of interest.
I enjoyed the visit very much, especially fascinated by the Sao Paulo cathedral. The downtown areas seemed to be very quiet and sleepy in the afternoon. The colonial architecture had a Mediterranean appearance much like that of old Saigon. Or, much like the older parts of Lisbon, which I visited a few years ago.I went aboard a floating casino, where the gambling activity was incomprehensible to me!
Most interesting for me was the historical context of Macau, having been under Portuguese influence for far earlier than the British arrival in Hong Kong. I’ve also been to Malacca, which has a similar history to that of Macau. I understand that Vietnam’s written language, in Latin characters, was developed by Portuguese Jesuits.
Regrettably, despite several visits to Hong Kong in more recent years, I have not been back to Macau since 1967. Perhaps it is best remembered as it was then!"

"Naquela época eu era engenheiro de rádio e trabalhava para para o Exército dos EUA no Vietname. Em Hong Kong apanhei o hydroplanador "Flying Albatroz" e à chegada a Macau alugámos um carro com motorista durante o dia visitando vários pontos de interesse. Gostei muito da visita. Fiquei especialmente fascinado pela catedral de São Paulo. A zona do centro da cidade parecia muito tranquila e até 'sonolenta' à tarde. A arquitectura colonial tinha uma aparência mediterrânea semelhante à antiga Saigão. Muito parecido com as partes mais antigas de Lisboa, que eu visitei há alguns anos. Cheguei a entrar no Casino Flutuante, onde a actividade de jogo era incompreensível para mim!
O mais interessante foi o contexto histórico de Macau, tendo estado sob influência portuguesa desde muito mais cedo do que os britânicos em Hong Kong. Também estive em Malaca que tem uma história semelhante à de Macau. Tanto quanto sei a linguagem escrita do Vietname, em caracteres latinos, foi desenvolvida por jesuítas portugueses. Lamentavelmente, apesar de várias visitas a Hong Kong nos anos mais recentes, nunca mais voltei a Macau desde 1967. Talvez seja melhor ficar com a recordação de como era então! "
Porto Interior
Ruínas de S. Paulo
Hydrofoil Flying Albatroz
Cruzamento da Praia Grande ao fundo (BNU) e fábrica de panchões no P. Interior
Vendedor de gelados
Penha
Vista sobre o Porto Interior
Templos: Kun Iam Tong e A-Ma (Barra)

domingo, 2 de junho de 2019

"Moedas Chinezas"

"Moedas Chinezas" é o título de um pequeno artigo publicado no jornal português "Archivo Pittoresco - Semanário Illustrado" em 1857 com uma ilustração das ditas moedas:

O governo na China só faz cunhar uma única espécie de moeda. É de cobre, misturado com zinco c chumbo, e tão frágil, que chega a desfazer-se com a circulação. No centro tem um buraco quadrado, como se vê na estampa, onde esta moeda está desenhada no tamanho natural. Os chins chamam-lhe tsin, mas em Macau dão-lhe o nome de sapecas. O furo no centro serve para as enfiar n'um cordel ou junco, para mais fácil transporte e contagem. Vêem-se ás vezes os chins, que andam a compras, trazerem uma longa enfiada de sapecas ao pescoço. Usam tambem ordinariamente enfial-as aos centos, e correm como entre nós os cartuchos de pequenas moedas de prata. Dez cachas, peso infimo da prata, fazem um condrim de prata; dez condrins compõem um maz, e dez mazes um tael, que é a unidade máxima do peso para regular a prata ou ouro; metaes de que não se cunha dinheiro, mas que correm como tal, em barra ou pedaços, que tem uma certa forma, e que são tomados a peso em todas as transacções. O tael representa uma onça chincza de prata fina, e vale aproximamente 1:400 réis da nossa moeda. Note-se que desde tempos immemoriaes usam os chins do systema decimal, assim nos pesos, corno nas medidas lineares, o qual apenas agora começa a generalisar-se na Europa. 
As patacas hespanholas são o dinheiro europeu que mais concorre aos portos da China, onde é livre o commercio com a Europa. São ellas recebidas como dinheiro ou prata corrente ao peso de sere mazes e dois condrins, que é o de uma boa pataca. Apenas qualquer chim recebe patacas, logo as carimba com a firma ou signal de que usa, ou o seu estabelecimento, de modo que dentro em pouco o cunho totalmente desapparece, e tornam-se n'umas informes chapas de praia, que por si mesmas se quebram, ou que se panem quando ha necessidade de dar trocos com mazes e condrins. Reduzidas a este estado, chamam-lhe prata quebrada, que é o que mais gira era Macau. 
Por isto é raro ver na China uma pataca perfeita, ou limpa, como lá dizem, isto é, sem carimbos; mas nem por isso as que ha tem mais valor que a prata quebrada, à excepção das do cunho de Carlos IV, de Hespanha, que para os chins tem mais valia, e não querem outras no mercado de Shangae. 
A relação entre a pataca e as sapecas, que são a raiz ou bilhão do systema monetário chinez, varia segundo o estado das transacções com o commercio europeu, e a maior ou menor abundância de prata na China. Actualmente abunda esta, porque muita vae da Europa, e trocam-se as patacas em Macau somente por 1:100 sapecas, correspondendo assim cada uma d'estas a oito décimos de um real; mas de ordinário ainda menos valem. Apesar de tão infimo valor, ha cousas que se compram por uma sapeca, principalmente comestíveis. Este systema de moeda permite o commercio dos infinitamente pequenos, e qualquer chim, em possuindo algumas dúzias de sapecas, improvisa-se em negociante.

sábado, 1 de junho de 2019

Imperii Sinarum Nova Descriptio: 3 versões do mesmo mapa


Mapa da China incluído na obra Introductionis in Universam Geographicam, de Philipp Clüver, Leiden, publicado ca. 1650. Incluí ainda o detalhe da localização de Macau.

Em baixo o mesmo mapa mas da autoria de Joh van Loon publicado em Amesterdão ca. 1660

Em baixo mapa atribuído a Martino Martini e Joan Blaeu. Publicado ca. 1655 na obra Novus atlas sinensis editada em Amesterdão.

A localização do título e do autor muda consoante a versão; nos cantos inferior e superior, esquerda e direita; neste caso é o de Joh Van Loon.