N. Senhora da Guia — Começou-se a construir esta fortaleza em setembro de 1637, e concluiu-se em março de 1638. O encarregado da sua construcção foi o capitão de artilheria Antonio Ribeiro Raia.
Tem vinte e quatro peças de artilheria de diversos calibres, sendo vinte de ferro e tres de bronze. Duas destas ultimas estão apeadas, e todas as demais estão montadas. É guarnecida por um pequeno destacamento, commandado por um sargento, o qual interinamente commanda tambem a fortaleza.
Dentro ha uma bonita ermida, dedicada a N. Senhora da Guia, onde annualmente em 5 de agosto se faz uma festa, a que concorrem muitos devotos.
Foi nesta fortaleza, por ser a que está no ponto mais elevado e mais proprio, que o Exmo. governador Coelho do Amaral mandou em 1865 construir, sob sua direcção, uma torre-pharol, em cujo machinismo trabalhou desinteressadamente o macaense o sr. Carlos Vicente da Rocha.
É este o primeiro pharol da China. Está na latitude de 22° 11' N: e na longitude de 113° 33' E. G.
A luz eleva-se 101,5 metros acima da superfície do mar nas mais altas marés em tempo bonançoso.
A torre-pharol, desde a extremidade inferior até á superior, tem 13,5 metros. A lanterna é encarnada, e a luz é branca e de rotação, fazendo um gyro completo em 64 segundos. Quando o tempo está bom, avista-se a vinte milhas de distancia, sendo então de 6 segundos a permanencia da luz, e de 58 a do respectivo eclipse. A quinze milhas, vê-se a luz por espaço de 10 segundos, durando 54 o eclipse. A doze milhas, o maior clarão da luz dura 12 segundos, sendo o eclipse, que é de 52, interceptado por uma luz mais pequena, que apparece para quasi instantaneamente se sumir. Finalmente a sete milhas de distancia, a grande luz dura 14 segundos, durando o eclipse 50, e apparecendo egualmente neste intervallo a pequena luz.
Excerto de "Almanach Luso Chinez de Macau para o anno de 1866"
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