A 21 Março de 1999 o Presidente da República Jorge Sampaio e o Governador Rocha Vieira inauguraram o Centro Ecuménico Kun Iam, construído numa ilha artificial junto aos novos aterros do Porto Exterior. A obra foi projectada em 1996 e ficou pronta três anos depois sendo da autoria da arquitecta Cristina Rocha Leiria que se inspirou em Kun Iam, a deusa da misericórdia, que também consubstancia na sua imagem e mensagem o amor, além da compaixão e da solidariedade. A estátua da deusa, com 20 metros de altura, é de bronze (50 toneladas) e assenta numa cúpula de betão em forma de flor de lótus (com 7 metros de altura), por sua vez implantada numa ilha artificial ligada a terra por um istmo com 65 metros. A flor é uma referência na arte e literatura chinesas e faz parte da bandeira da RAEM.
A cúpula, revestida de 16 pétalas, tem um perímetro circular de 19 metros de diâmetro. O Centro tem dois pisos: uma zona lúdica e de lazer, onde se pode ler, ouvir música e adquirir livros e uma área para palestras, exposições e pequenos espectáculos, tendo ainda uma biblioteca e mediateca. Incluído nos roteiros das agências turísticas, é um dos locais mais visitados da cidade. Para a autora o Centro "visa perpetuar o respeito mútuo e a amizade entre todos os povos e civilizações,
sendo um espelho da tolerância religiosa e do pluralismo cultural,
características multisseculares de Macau."
Cristina Rocha Leiria nasceu em Lisboa em 1946 e passou a infância e a adolescência em Moçambique. Formou-se em arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e especializou-se em planeamento no University College de Londres, dedicando-se depois ao aprofundamento de estudos sobre “feng shui” em Macau, China e Japão e sobre electromagnetismo em França. Trabalhou em Portugal, Reino Unido, Moçambique, África do Sul, Zimbabué e Macau. A par da arquitectura, dedicou-se à escultura a partir de 1992, sendo os seus trabalhos concebidos a partir do barro e passados posteriormente para outras escalas, em diversos materiais (cristal, bronze, prata, estanho e pedra). Os seus trabalhos mais emblemáticos são o Centro Ecuménico Kun Iam (1999), “Elan de Mãe”, em pedra branco-mar, no Parque Marechal Carmona em Cascais (2003), “Vela ao Vento”, em bronze patinado, à entrada de Tavira (2003) e “Barco à Vela”, em bronze polido assente numa onda em mármore branco, na Marina de Cascais (2007). Uma reprodução, em bronze polido, com 2,70 m, da estátua de Kun Iam está colocada no jardim da Casa de Macau, em Lisboa, desde 2002.
Helena Vaz da Silva, presidente do Centro Nacional de Cultura, pouco tempo depois da inauguração do Centro Ecuménico Kun Iam, escreveu o seguinte:
![](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEionRXcpj8nLCKHU6oIQgyVn1e3jSWZyMNgMi5HEm7OsUuZtYqL06MkRVkk_LSpPN1uNRKT_XzQkGwfh-Ig_pZoicoFVZRdijmF9lz-0Z1ZqxAE49Pa6zfeojY22Wg1ZQFBd4ZEkcxzQbrR/s400/estatua.bmp)
Parabéns à Cristina Leiria por esta grande obra em Macau! Conhecemo-nos no Quíron… Um grande abraço
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