Páginas

quinta-feira, 12 de março de 2026

Retrato a óleo de Camilo Pessanha por Pedro Barreiros

Retrato a óleo da autoria de Pedro Barreiros, 1976
No canto superior direito o "ex-libris" do poeta
 
A obra serviu como ilustração da capa do livro "Homenagem a Camilo Pessanha", editado pelo Instituto Português do Oriente - Instituto Cultural de Macau, com "Organização, prefácio e notas de Daniel Pires".

quarta-feira, 11 de março de 2026

Dois professores do Lyceu de Macau

Fotografia impressa pelos estúdios "Man-Fook Photographer", localizado no nº 1 e 2 "near the Steam Wharf", ou seja, junto ao Cais dos Vapores no Porto Interior, no Largo da Caldeira.
No cartão fotográfico o texto no topo está escrito da direita para a esquerda, como era tradicional na época.
Chinês: 萬福影相 Transcrição (Pinyin): Wàn fú yǐng xiàng
Tradução: Fotografia Man-Fook (ou "Mil Felicidades")
Na parte inferior 舖在澳門火船頭門牌第二號
Tradução: Loja situada no número 2 do Cais dos Vapores de Macau. (não refere o nº1)

Na fotografia tirada ca. 1899 estão Camilo Pessanha e João Pereira Vasco, na época dois professores do Lyceu de Macau. Tudo indica que se trata do pátio da residência de Pessanha na Praia Grande, junto à Calçada de S. João. Pessanha tem ao seu lado o cão Arminho.

Os dois fizeram parte do primeiro corpo docente do Liceu de Macau inaugurado em 1894 juntamente com Horácio Poiares, Mateus de Lima, Wenceslau de Moraes, entre outros. Em cima, a lista do pessoal docente do Lyceu em 1896.
Pereira Vasco, chegou a partilhar casa com Pessanha, era professor de Geografia e História, a 7ª cadeira do curso do Liceu. Desembarcou em Macau a 12 de Maio de 1894, tendo com ele viajado dois residentes de Macau que regressavam de Lisboa: João Nolasco da Silva, filho de Pedro Nolasco da Silva e Carlos Cabral, filho de João Albino Ribeiro Cabral.
Há outro registo fotográfico dos dois no mesmo local (parte dessa fotografia acima), sabendo-se que chegaram a viver na mesma residência. Pereira Vasco teve um papel muito activo no jornal O Lusitano. Na época existiam outros jornais como o Echo Macaense e A Voz do Crente.

terça-feira, 10 de março de 2026

O "escritor de cartas"

Esta fotografia é um registo de meados do século 20. Numa rua de Macau um "escritor de cartas" protegido do sol por um chapéu de chuva atende uma cliente. No cartaz está escrito em chinês tradicional 寫信. Significa "Escreve-se cartas".
Exemplo de uma antiga profissão que era habitual ver-se na cidade pelo menos até à década de 1980 como pude testemunhar. Fruto dos baixos índices de alfabetização, nomeadamente dos mais velhos, estes profissionais montavam bancas na rua e em troca de algumas patacas redigiam correspondências, preenchiam formulários oficiais ou liam cartas recebidas.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Companhia de Caçadores 2761

Um leitor de Hong Kong enviou-me este fim de semana esta foto - tirada há poucos dias - intrigado sobre o que queria dizer a inscrição em cimento "C.CAÇ 2761". Trata-se de uma 'marca' deixada pela Companhia de Caçadores 2761 (Exército) à entrada da Fortaleza de Mong-Ha onde os militares desta companhia foram colocados no início da década de 1970.

A Companhia de Caçadores - formada por cerca de uma centena de militares do Regimento de Infantaria 1 (Amadora) e 8 (Braga) - desembarcou em Macau a 12 de Dezembro de 1970* - no navio Timor - sob o comando do capitão de infantaria António Ribeiro Laia. A companhia regressou a Lisboa em Janeiro de 1973.
* nesse dia chegou também a Companhia de Caçadores 2760 que ficou aquartelada na Ilha Verde.

domingo, 8 de março de 2026

Campeonato Interescolar: Maio de 1959

Equipas do Instituto Salesiano Colégio D. Bosco e Liceu
Foto e desenho de Delano Pereira

sábado, 7 de março de 2026

Dois documentos com a assinatura de Camilo Pessanha

Requerimento de 1903
(na qualidade de professor)
 

Requerimento de 1903
(na qualidade de Conservador do Registo Predial)

sexta-feira, 6 de março de 2026

O jerinxá/riquexó de Camilo Pessanha

No mês em que se assinala o centenário da morte de Camilo Pessanha aqui fica mais post alusivo ao poeta.
Desaconheço o actual paradeiro do jerinxá/riquexó de Camilo Pessanha, meio de transporte utilizado pelo poeta na sua vida, incluindo segundo consta, nas deslocações até ao Liceu juntamente com o pequeno cão Arminho - no Largo de Santo Agostinho, no antigo Hotel Boa Vista ou no Tap Seac - onde foi professor durante muitos anos e por norma chegava atrasado às aulas. Ensino história e geografia, por exemplo. Terá também sido um riquexó como este usado pelo poeta à chegada a Macau, transportando-o do cais dos vapores Porto Interior, até ao hotel Hing Kee, na Praia Grande, a sua primeira morada no território.

O mesmo riquexó, página de um artigo da revista Macau em 1988.

Após a morte do poeta em 1926, o riquexó viria a fazer parte do espólio do Museu Luís de Camões. Em 1979 o riquexó foi exibido em Lisboa, no âmbito na iniciativa Quinzena de Macau, organizada pelo Fundação Calouste Gulbenkian.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Fotografias de Georg Oddner em 1956

Georg Oddner (1923-2007) foi um dos mais reconhecidos fotógrafos suecos do século 20. Começou por ser músico de jazz e estudante de publicidade na década de 1940 quando teve seu primeiro contacto com a fotografia através de John Melin, director de arte da Svenska Telegrambyrån em Malmö, a maior agência de publicidade da Escandinávia. A partir daí, Oddner começou a trabalhar em diversas áreas da publicidade, incluindo indústria, arquitectura e vestuário, além de trabalhar para a companhia aérea SAS. 
Em meados da década de 1950, Oddner viajou pela Califórnia, América do Sul, União Soviética e Extremo Oriente. Passou por Macau em Abril de 1956 onde fotografou a preto e branco. Recorrendo às máquinas favoritas da Hasselblad e Leica obteve dezenas de registos onde capta essencialmente cenas da vida do quotidiano. Mais do que a paisagem ou os edifícios nota-se a preferência pelo elemento humano. O jornal Notícias de Macau assinalou a chegada dos "jornalistas suecos Georg Mirskij Oddner e Hok Wickman Marianne*, do jornal suéco Vecko Jouralen."
* Marianne Höök Bergström (1918-1970)
Notícias de Macau: 4.4.1956

Oddner fez parte do grupo "Tio Fotografer" ('Dez fotógrafos'), formado em 1958, e da conceituada agência fotográfica Tiofoto. Muitas das suas fotografias fazem parte do espólio do Malmo Museer.
Edifício Skyline e Praça Ferreira do Amaral com a Penha ao fundo

Fotos tiradas da Fortaleza do Monte

Escadaria das ruínas de S. Paulo e Hotel Central

No Porto Interior

Ruas e comércio

quarta-feira, 4 de março de 2026

Postal "Esculturas Contemporâneas": década 1990

Projectado pela artista Dorita Castel Branco (1936-1996), este "conjunto escultórico" foi inaugurado em  Dezembro de 1985. Consiste num paredão, no cimo do qual está um miradouro. O monumento de 300 metros de altura é composto por 6 muralhas com 12 lajes que constituem um enorme painel onde os altos-relevos temáticos abordam diferentes aspectos da vida quotidiana e costumes locais.

Postal de 9 de Outubro de 1999

"(...) a obra foi encomendada pelo Governador Almeida e Costa à escultora Dorita Castel Branco, para representar a amizade luso-chinesa. Macau vivia então um tempo de “vacas magras” pelo que os milhões gastos na encomenda criaram grande polémica, até porque para a acomodar, foi necessário destruir parte da colina até então verdejante. A “Tribuna”, então semanário, divulgou os primeiros desenhos da escultora, e o “Jornal de Macau” chamou-lhe “os calhaus da Taipa”, nome que ficou na comunidade portuguesa e fez com que estivesse abandonado durante alguns anos. Com a chegada do Governador Rocha Vieira, o monumento passou a ter destaque, através de uma iluminação adequada." 
Texto de José Rocha Dinis, director do JTM, num editorial de 23-02-2009
Foto de Lei U Veng

"As Esculturas de Relevo de Taipa, com autoria da escultora portuguesa Dorita Castel-Branco, foram inspiradas na Grande Muralha da China. Este monumento representa a vivência da população de Macau ao longo de cerca de quatro séculos e meio e os pontos de interesse do Território. Utilizando o jogo de luzes, a autora provoca uma sensação tridimensional."
Texto do ICM
 Postal de 1994 a partir de uma fotografia de Ho Kuok Man
A escultura na colina da ilha da Taipa, no final da ponte.

Texto de um roteiro turístico da década 1980:
"(...) O monumento em ziguezague consiste em seis trabalhos de alto-relevo. O mais alto é um astrolábio. A vida quotidiana, a indústria e os costumes de Macau são os temas principais desta obra escultórica. Vêem-se ainda representados em alto relevo os pontos históricos e turístico mais famosos e do leão de Macau: as Ruínas da Igreja de S. Paulo, o Casino do Hotel Lisboa e Monte da Guia. Faz ainda alusão aos meios de transporte mais utilizados antigamente em Macau, como os triciclos, os sampan, os juncos e os barcos de formato ocidental. Os elementos decorativos do monumento representam, para além da animação das festas tradicionais coma as danças do dragão e do leão e a queima de panchões, duas meninas com trajes tradicionais a dançar em frente do Templo de A Má, mostrando aspectos culturais e as festas que animam a população de Macau. Quanto ao Miradouro, dispõe de uma escadaria para subir até ao alto, donde se podia (na altura da inauguração) desfrutar uma panorâmica da península de Macau e era o local privilegiado para ver as duas pontes (então existentes) que fazem a ligação entre Macau e Taipa."

terça-feira, 3 de março de 2026

Instalações da Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II

A Estação Radiotelegráfica de Dona Maria II representa o início da era das telecomunicações modernas em Macau. Inaugurada formalmente a 12 de Junho de 1924, a estação foi instalada no topo da colina de Dona Maria II - junto ao forte com o mesmo nome - para garantir uma melhor propagação das ondas de rádio. 

Inicialmente operada pela Radio Communication Co. do Oriente, a sua entrada em funcionamento permitiu a desactivação da antiga estação de São Francisco, centralizando as comunicações sem fios do território num equipamento mais avançado para a época.
Um dos momentos mais emblemáticos da sua história ocorreu precisamente no dia da inauguração, quando o Governador de Macau, Rodrigo Rodrigues, utilizou as instalações para comunicar com os aviadores portugueses Brito Paes e Sarmento de Beires. Os pilotos encontravam-se então em Kowloon (Hong Kong), na fase final da histórica travessia aérea entre Lisboa e Macau, e a ligação rádio serviu para coordenar a recepção triunfal dos aviadores no território. 
 Torres de Transmissão da Estação Radiotelegráfica Dona Maria. 
Fotógrafo Mei Iun 

Pouco tempo depois, em Fevereiro de 1926, o Governo de Macau adquiriu formalmente todos os equipamentos e antenas da empresa privada, transformando a estação num serviço público essencial.

Ao longo dos anos 30, a estação foi o pilar da radiodifusão local, servindo de base para o que viria a ser o Rádio Clube de Macau. O local não era apenas um centro técnico, mas também um ponto de importância estratégica e militar. A infraestrutura sofreu danos severos durante a Segunda Guerra Mundial, quando a fortaleza foi bombardeada pela aviação norte-americana em Janeiro de 1945, num ataque que visava alvos estratégicos na região. Actualmente a fortaleza é um monumento preservado e um ponto turístico.

segunda-feira, 2 de março de 2026

"Carreiras de Camionetas" em 1948

Na imagem abaixo um bilhete de autocarro do final da década 1940. A viagem começava no cais dos vapores (Poto Interior, junto à ponte-cais nº12) seguia pela Rua da Barra, depois pela Av. da República e Rua da Praia Grande até chegar ao "Aterro da Praia Grande" onde no cruzamento junto ao Jardim de S. Francisco, virava à esquerda para a Rua do Campo, até chegar ao destino final, o Bairro Tamagnini Barbosa (Toi San). 
Companhia de Auto-Ómnibus de Macau
澳門公共汽車公司
UA 7777 20 c. (20 avos)
Cais de vapores de Hongkong e Macau
港澳碼頭
Rua da Barra
媽閣
Avenida República
西灣
Aterro da Praia Grande
游泳場
Portas do Cerco
關閘
Bairro T. Barbosa
台山 
Este bilhete é válido só para uma viagem e é intransmissível
此票祇用壹次不得轉給別人

Terminada a segunda guerra mundial foi reactivado o serviço de transporte público na cidade de Macau. O Leal Senado lançou o concurso ganho pelo Companhia de Auto-Ónibus de Macau (com sede na Rua das Lorchas). Ficou com o exclusivo da operação a partir de 2 de Julho de 1947 e por um período de seis anos. Na prática o serviço só começou no final de Março de 1948 e com dois itinerários, segundo um anúncio publicado no dia 24 desse mês no jornal Notícias de Macau:
Carreiras de Camionetas da "Companhia de Auto-Omnibus de Macau"
com sede na Rua das Lorchas, No. 43
Seguem por enquanto 2 itinerários:
1.º  Partida na Rua Visconde Paço d'Arcos (ao Cais dos vapores), seguindo pela Av. Almeida Ribeiro, Praia Grande, Rua do Campo, Av. Conselheiro Ferreira de Almeida, Av. Horta e Costa e regresso ao ponto de partida pela Avenida Marginal.*
2.º  Partida do mesmo ponto, seguindo as camionetas em sentido inverso do anterior.
As carreiras funcionam todos os dias das 7 às 24 horas, sendo os intervalos entre duas camionetas entre 8 a 12 minutos.
Preço dos bilhetes — 20 avos para qualquer distância dentro dum itinerário.

Na década de 1950 a empresa tinha 25 viaturas ao serviço e cinco itinerários custando cada viagem 20 avos por pessoa. 
* A Avenida Marginal referida é o troço ao longo do Porto Interior: desde a Av. do Almirante Lacerda passando pela Rua da Ribeira do Patane até ao Cais dos Vapores, onde ficava o ponto de partida e de chegada dos autocarros, uma zona muito movimentada por ser a ligação de Macau com o exterior. Em cima uma fotografia da época onde assinalei a paragem dos autocarros, junto à ponte-cais nº 12.

domingo, 1 de março de 2026

1 de Março de 1926

Há 100 anos, a 1 de Março de 1926, uma segunda-feira, morria na sua casa na Rua da Praia Grande às 8 da manhã, o poeta português Camilo Pessanha (1867-1926), que, em Macau, foi durante muitos anos advogado, juiz, professor do liceu e coleccionador de obras de arte.
Duas horas depois parte substancial da sociedade macaense, ainda sem saber da notícia, comparecia para a inauguração do edifício sede do BNU, muito perto da casa onde vivia Pessanha. A cerimónia contou com a presença do governador de Macau, Maia de Magalhães, do bispo D. José da Costa Nunes, "e tudo quanto Macau conta de mais distinto", segundo uma notícia do jornal "A Pátria".
Imagem criada por IA

PS: Existem em arquivo várias publicações sobre os dois temas - basta utilizar o campo de pesquisa - e em breve publicarei mais.