"A Medicina Tradicional Chinesa em Macau" é o título de um longo artigo publicado no Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Série 83.ª Jan/Mar e Abr/Jun de 1965, da autoria de António Scarpa, Professor da Universidade dos Estudos de Milão.
O autor esteve em Macau onde contou com a colaboração das autoridades locais, dos padres Salesianos do Colégio Yuet Wah e do padre António Carlos Kirchner que "com o seu profundo conhecimento do idioma chinês, da história e dos costumes locais, lhe serviu de valioso e sapiente guia". Na época existiam 34 farmácias chineses na cidade.
Excerto:
Na cidade de Macau, a medicina tradicional chinesa é amplamente praticada, assim como a medicina europeia. São muito numerosas as farmácias que vendem apenas medicamentos tradicionais, entre os quais os mais importantes são o caríssimo ginseng, o chifre de veado, o chifre de rinoceronte, os ossos de tigre e os de tartaruga, etc. Também são vendidos com muita frequência medicamentos obtidos de acordo com as fórmulas da antiga farmacopeia chinesa. Os farmacêuticos chineses não frequentam nenhum curso preparatório; toda a sua aprendizagem é realizada nas farmácias, onde começam como chaiyuk e terminam como kwai min (diretor).
Os médicos tradicionais chineses, pelo contrário, são oriundos de uma família de médicos ou frequentam uma verdadeira escola com duração de 5 anos, chamada Chung i Hók Uén. O ensino baseia-se nas teorias da antiga medicina da dinastia Han. Ao final do curso, obtêm um diploma que os permite exercer a profissão. Existem 4 classes de médicos, a saber: os «herboristas», os que realizam a picada da agulha [acupuntura], os ortopedistas-massagistas e os que praticam o qigong (chih-gong), ou seja, exercícios, geralmente respiratórios, para o tratamento de doenças e para proporcionar longevidade.
Muito importante é também a medicina popular, baseada na terapia mágico-religiosa.
Em Macau já não existe nenhum hospital verdadeiro de medicina tradicional chinesa, mas apenas departamentos ambulatórios entre os quais os mais importantes, devido à sua organização, são os da associação Tong Sin Tong. No geral, pode-se observar que, no distrito de Macau, cerca de 40% da população chinesa ainda segue a medicina de seus pais [a medicina tradicional].
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