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sábado, 31 de outubro de 2015

Jornal Tribuna de Macau: 33º aniversário


Ao longo de 33 anos, o JTM foi um fiel observador do quotidiano de Macau e marcou a vida do território e da comunidade portuguesa com notícias, entrevistas e reportagens que seriam impossíveis de reproduzir numa única edição. Aqui ficam algumas das que se destacaram nas mais de quatro mil edições publicadas. Noutra altura será interessante contar mais umas igualmente muito interessantes.
A 30 de Outubro de 1982, um Sábado, era publicado o número inaugural do novo jornal em língua portuguesa do território, a Tribuna de Macau. Fundado por Jorge Neto Valente e José Rocha Dinis(só mais tarde teve que passar a assinar Diniz com z), o semanário juntava-se aos seis jornais em língua chinesa e dois em língua portuguesa que já existiam no território, afirmando-se como um “espaço de diálogo” e rejeitando o papel de “órgão oficioso de um qualquer grupo de pressão (política ou económica)”. “Este semanário pretende, no fundo, colaborar no progresso e desenvolvimento do Território, num clima de harmonia e bom entendimento entre toda a população e tornar-se um veículo para que esse desenvolvimento seja correcto e socialmente justo”, escrevia o Director José Rocha Dinis, no primeiro Editorial. Com uma equipa de jovens redactores, a Tribuna tinha, entre os colaboradores da primeira hora, o Padre Manuel Teixeira, o advogado João Lourenço e o comentador radiofónico Alfredo Andrade. “Aperitivos” era o título da coluna do Padre Manuel Teixeira que a inaugurou com uma incursão à história nem sempre pacífica da imprensa portuguesa em Macau. A começar pelo antiquíssimo “A Abelha da China”, no século XIX, fiel às causas dos liberais portugueses, e que acabou queimado pelo novo Governo Conservador à porta do Tribunal. Ou passando pelo “Petardo” que surgiu com o propósito de “bombardear o governador Tamagnini Barbosa mas que também teve uma “morte macaca” com os redactores deportados para Timor. “Aparece agora a Tribuna que, como o nome indica, será não o órgão de um partido, mas o porta-voz dos cidadãos desta Leal Cidade”, afiançava Manuel Teixeira. 
A primeira manchete versava sobre a proposta de aumento para a função pública que andava “na boca e na mente de toda a gente”. Em “De Fonte Limpa” dava-se conta da possibilidade de ser contratado um treinador de Hóquei em Campo paquistanês com um ordenado de mil dólares Americanos, mais alojamento, para além do “opíparo jantar” que antigos estudantes de Coimbra iriam organizar no restaurante “Portas do Sol”. Numa das primeiras edições, o antigo Governador Garcia Leandro reflectia sobre as dificuldades que encontrou no cargo no pós 25 de Abril de 1974. “Foi difícil não tanto por Macau mas pelo período que se vivia. Vim para cá em Novembro de 1974 e realmente havia uma certa incerteza, uma indefinição em relação ao futuro que tinha consequências na situação económica. A situação financeira era péssima, nessa altura. Em termos políticos tudo o que se passava em Portugal tinha repercussão aqui. A nível de Macau, nós conseguimos sempre (e havia uma certa desconfiança da população chinesa e da própria China em relação ao futuro) ir ganhando essa confiança”, recordou, sustentando que o futuro de Hong Kong não estaria necessariamente ligado ao futuro de Macau. Na rubrica “Divagasom”, dedicada à crítica musical, eram passados em revista os mais recentes trabalhos de ícones do “rock da pesada”, os de The Clash, até à música electrónica dos Kraftwerk. Na edição de 27 de Novembro do mesmo ano, isto é a primeira grande cacha: o jornal anunciava em primeira mão a saída do Governo dos Secretários-Adjuntos Amaral Lopes e Almeida Viana, uma edição que “fez história” e que terá mesmo “esgotado nas bancas”, escreveu-se no número seguinte. Na realidade, tratava-se do que se denomina “uma notícia pura e dura”, pois o jornal conseguira confirmar a saída junto de um dos Secretários-Adjuntos, apresentando as suas declarações sem qualquer comentário. O Governador Almeida e Costa, contudo, não estava habituado a estes “devaneios” jornalísticos e acusou o jornal de querer intrometer-se na composição do seu Governo. Uma situação que na altura era ridícula mas que ajudou a clarificar ao que vinha a “Tribuna de Macau”: um projecto de jornalismo profissional. Com a sua atitude, o Contra-Almirante Almeida e Costa fazia a propaganda do jornal… estava-se então apenas no quarto número!
Artigo da autoria de A. J. in JTM de 30.10.2015

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Seven Rockers


Os Seven Rockers numa actuação no Clube Recreio (Kowloon - Hong Kong) em 1957
Foto de Família Senna Fernandes
Da esquerda para a direita: Carlos "Sony" Gomes Jr., Nuno de Senna Fernandes, Leonel "Neco" Barros, Mário Siqueira, Alberto de Senna Fernandes, João "Jóni" Reis e Jorge "Giga" Robarts. 
Da indumentária destaque para a camisa branca, gravata preta e blazer vermelho com o monograma “R” bordado a fio dourado ao peito. As calças e os sapatos pretos completavam o conjunto.
A estreia daquele que terá sido o primeiro grupo de rock macaense - Seven Rockers - ocorreu no hotel Riviera. Depois passaram também a actuar no Café Amélia onde animavam as noites de fim de semana. Nos outros dias era a juke box, uma novidade na altura, que fazia as delícias da juventude. 
Eram os anos de músicas de sucesso como Johnny B. Goode (Chuck Berry), Jailhouse Rock (Elvis Presley), Rock Around The Clock (Bill Haley & His Comets), Whole Lot of Shakin' Going On (Jerry Lee Lewis), Summertime Blues (Eddie Cochran), Why Do Fools Fall In Love (Frankie Lymon & the Teenagers), Little Darlin' (Diamonds), entre outros.
Ruby de Senna Fernandes (irmão do Nuno e do Alberto que faziam parte dos Rockers), conhecida pelas suas interpretações de fado, chegou a actuar com os "sete magníficos". Muitos elementos viriam a transitar para outros grupos musicais que entretanto surgiriam ao longo da década de 1960 e participaram em vários festivais. #

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Presença histórica dos portugueses em Macau “é fascinante”

O actor norte-americano Robert De Niro considerou esta terça-feira "fascinante" a presença histórica dos portugueses em Macau, numa conferência de imprensa com outras estrelas de cinema que participam num filme promocional do novo casino do território. "É fascinante. Os portugueses vieram para cá há 500 anos", afirmou o actor norte-americano quando questionado sobre o que pensa de Macau. 
O filme "The Audition", realizado por Martin Scorsese e produzido por Brett Ratner, é uma das atracções na inauguração, hoje, do "Studio City", o novo empreendimento da Melco Crown Entertainment em Macau, que também inclui um concerto de Mariah Carey. 
Robert De Niro, que até hoje "só tinha estado um dia em Macau, no empreendimento 'City Of Dreams'", também da Melco Crown Crown, é uma das estrelas do elenco do "The Audition", a par de Leonardo Di Caprio e Brad Pitt. 
Também Martin Scorcese destacou "a arquitetura do Macau antigo" e o papel da cidade como "ponte entre o Oriente e o Ocidente". "Percebi a dimensão da presença de Portugal e Espanha", disse Scorcese. O realizador falou também das filmagens para o novo filme "Silence", que segundo o Internet Movie Database (IMDB) aborda a missão jesuíta enviada para o Japão no século XVII e é inspirado no romance de ficção histórica do autor japonês Shusaku Endo. A história do filme também está ligada à presença dos jesuítas em Macau: "Começámos a filmar em Taipé em Fevereiro e recreámos o Macau de 1640", disse Scorcese. 
in Agência Lusa 27.10.2015

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

NYTimes de 16 Outubro 1938: "Macao also is isolated"

Na primeira página da edição de 16 de Outubro de 1938 o jornal The New York Times destacava o isolamento de Hong Kong e Macau face ao avanço das tropas japonesas em Cantão. A 2ª guerra sino-japonesa estava em marcha e iria alastrar-se ao conflito mundial - que se vivia até então apenas na Europa - quando no final de Dezembro de 1941 o exército japonês invadiu a então colónia britânica.
A partir de um telegrama da agência de notícias Associated Press o jornal norte-americano titula:
Hong Kong Cut Off from Canton Area by Japanese Drive - Communications on Railway, road and River are ended by South China Fighting - Macao also is isolated - 40,000 invaders press on from Bias Bay - spokesmen Threaten Foreign Areas.
A notícia reporta o isolamento de Hong Kong em termos de comunicações - por estrada, caminho de férreo e via marítima - fruto do avanço do exército nipónico que tinha naquela zona cerca de 40 mil homens. As tropas estavam a apenas 25 milhas de distância...
Também Macau viria a ficar isolado do mundo adivinhando-se dias negros...
All comunications between this British crown colony and Canton were interrupted tonight, as Japanese forces broadened their onslaught on the South China coast. Railway and highway bridges have been destroyed at several points by aerial bombardments. The air raids shielded Japanese expeditionary forces surging toward Canton and across its links with the coast. Booms have been placed in the Pearl [Canton] river to guard the city of Canton from direct naval assault. A Japanese landing on the west shore of the river delta cut a highway connection between Canton and Portuguese Macao, opposite Hongkong at the river mouth. The Japanese were reported to have struck on the west delta shore - apparently the second major land. ing operation of the week-under cover of an intense aerial bombard. The highway was cut before provincial defenses in that sector could be organized. A Japanese column, part of the model army of 40,000 which landed Wednesday at Bias bay, was thrust. ing westward from the captured and ruined village of Tamshui. One re- port placed this spearhead twelve miles from the Canton-Kowloon railway. This railway is a vital link between Hong Kong and Canton. 
 Sugestão de leitura: Macau 1937-1945: os anos da guerra

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"Chapas Sínicas" candidatas ao Programa Memória do Mundo

O Senado da Câmara de Macau foi criado em 1583, com a constituição inicial de três vereadores, dois juízes ordinários e, hierarquicamente superior, o procurador. A este competia ser o interlocutor e representar os interesses portugueses nas relações diplomáticas com as autoridades chinesas, e ao longo do tempo foi ganhando poderes administrativos, judiciais e diplomáticos. 
Por Decreto de 20 de Agosto de 1847 a procuratura do Senado passou a estar na dependência da Secretaria do Governo de Macau, passando o procurador a depender hierarquicamente do Governador. Recebeu regulamento próprio em 1852. Por Decreto de 5 de Julho de 1865, o cargo de procurador passou a ser de nomeação régia mediante proposta do governador, com a designação de Procuratura dos Negócios Sínicos. Foi objecto de mais dois textos regulamentares datados de 20 de Dezembro de 1877 e 22 de Dezembro de 1881. A Procuratura foi abolida a 20 de Fevereiro de 1894 pelo Regimento de Administração da Justiça nas Províncias Ultramarinas.
Desse período resultou um espólio de mais de 3.600 documentos da Procuratura do Leal Senado de Macau, respeitantes às relações desta entidade com as autoridades chinesas no entre 1693 e 1886, e que estão depositados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Em Outubro deste ano Portugal e a RAEM decidiram promover uma candidatura conjunta da Colecção “Chapas Sínicas” ao Programa Memória do Mundo da UNESCO.
As chapas sínicas em chinês foram preliminarmente catalogadas pelo conhecido historiador Don Mauro Fan Hao nos anos 50 do século XX. Nos anos 60, o Prof. Pu Hsin-Hsien, da Universidade de Madrid, continuou com a catalogação deste núcleo documental e, a partir das chapas sínicas, fez um estudo sobre o comércio internacional de Macau no séc. XVIII. Baseado nalgumas transcrições feitas por Don Mauro Fan Hao, Li Weicheng defendeu em 1953 uma tese de licenciatura sobre as chapas sínicas na Universidade Nacional de Taiwan. Em 1992, de Abril a Junho, Tang Si Peng, do Instituto Cultural de Macau [ICM], fez alguns trabalhos complementares da catalogação. Em 1994, Li Dechao, num artigo sobre fontes existentes em Taiwan, reproduziu algumas transcrições feitas pelo primeiro catalogador das chapas sínicas.
O ICM publicou em 1997 dois catálogos das chapas sínicas, um em chinês e outro em português. Em 1998, Zhang Wenqing e Lau Fong realizaram um exaustivo trabalho sobre as espécies e valores documentais das chapas sínicas em chinês. Em Novembro de 1999, a Fundação Macau publicou uma colecção completa e anotada das chapas sínicas em chinês. 
Paralelamente à edição das chapas sínicas em chinês, a Fundação Macau decidiu publicar as traduções coevas da maioria das chapas sínicas em chinês e as minutas das respectivas respostas aos ofícios recebidos e os ofícios emanados do Leal Senado: o que denominamos “chapas sínicas em português”. Este fundo resultou directamente do caso de Li Tingfu e Jian Yaer e do consequente “Código de Qianlong”. Nele encontram-se registados praticamente todos os grandes eventos nas relações Cantão-Macau antes das Guerras do Ópio. São arquivos resultantes de um século de “jurisdição mista” de Macau, que nos permite reconstituir quase o dia a dia das relações oficiais entre Cantão e Macau. Trata-se dum núcleo completamente inédito, composto por mais de 6000 folhas manuscritas, das quais saíram apuradas umas 3500 páginas limpas. A diferença entre as fotocópias e o trabalho final deve-se principalmente à não inclusão de várias centenas de páginas de documentos em latim, à exclusão de duplicados e borrões e à eliminação de registos e peças muito fragmentadas ou truncada.
Sugestão de Leitura: Chapas Sínicas: Macau e o Oriente nos Arquivos Nacionais Torre do Tombo (documentos em chinês) de Isaú santos e Lao Fong. Edição do ICM de 1997
Os assuntos e temas abordados nesta vasta documentação são referentes aos mais diversos aspectos das relações entre as autoridades portuguesas e chinesas, nomeadamente no que diz respeito a questões de justiça e de jurisdição (aplicação da justiça chinesa em Macau, jurisdição sobre os estrangeiros de Macau, casos legais e de ordem pública), assuntos económicos e de comércio (fiscalidade, designadamente o foro do chão, a proibição do ópio, contrabando, mercadores), problemas religiosos (a missão clandestina na China, a repressão contra os católicos chineses, selecção de missionários e evangelização), as relações diplomáticas (entre Macau e os países asiáticos e europeus, nomeadamente a Inglaterra e a sua presença em Macau, circulação de estrangeiros, o envio de embaixadas), ou a navegação dos mares e utilização de portos (combate à pirataria, embarcações, naufrágios e náufragos, tributos à navegação),  obras em edificações, quer civis quer militares, e a construção clandestina.

sábado, 17 de outubro de 2015

A China e os Chineses vistos por um português (1937)

 
"A China e os Chineses vistos por um português" - capa e contra-capa em cima - é um livro da autoria do jornalista António Lopes editado em 1937 pela Livraria Popular de Francisco Franco (Lisboa, Portugal).

Bastante ilustrado, tem um total de 235 páginas e é dedicado "Aos Ex.mos. Srs. General Eduardo Marques e Artur Tamagnini Barbosa, ilustre Ministro das Colónias e Governador de Macau em 1930".
O autor dedica ainda a obra a a vários "distintos chineses de Macau e agradáveis companheiros de muitas horas de enlêvo e sonho"... Choi-Anok, Vong-Chio, Wan-Lin, entre outros.
Do índice consta: 
Mar da China; Chineses; Civilização; Mentalidade; Moral; A Nação; Família; Emigração; Piratas; Cou-laus; Jogo; Ópio; Prostituição; Usos e costumes; Estrangeiros; Revolução; Comunismo;  Generais;  Aspirações Nacionais; O Inimigo; Yin e Yang; Pán-Ku; O Dragão; Fenix; Unicorne; Tigre; Leão; Tartaruga; Peixe; Arvores e ornamentos; Oito tesouros; Templos; Bonzos; A Mulher; Beijos; Pei-pa-chais; Musica; Teatro; Literatura.
O livro surge na sequência de uma viagem do jornalista António Lopes à China em 1930 tendo passado por Macau.
Uma viagem que "teve objectivos puramente coloniais".
No regresso a Lisboa publicou vários artigos nos jornais Diário de Lisboa, Novidades, Diário da Manhã e A Voz de Macau e escreveu ainda o livro "Macau de ontem, de hoje e de amanhã, "oferecido à Liga Portuguesa de Hong Kong, que resolveu publicá-lo como propaganda nacional".
A páginas tantas pode ler-se: “A Ásia é a Pátria da cor. Se o leitor quiser ver cores lindas e maravilhosamente combinadas, qual sonho de luz e de alegria, meta-se num vapor e vá até ao Oriente, porque aí encontrará com certeza o que deseja, e ficará agradavelmente impressionado não apenas durante os dias da viagem mas toda a vida. (…) Tudo quanto a fantasia do homem pode inventar para embriagar as pessoas por meio das cores e suas combinações, tudo na Ásia se encontra em profusão, por toda a parte e em todos as coisas. (...) O resultado foi convencer-me de que a China tem para nós e para todo o Mundo um valor excepcionalíssimo, digno de ser considerado com o máximo carinho, e ficar conhecendo muitas coisas interessantes e merecedoras de serem publicadas."

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Beatriz Berta de Sousa "estabelecida em 1910"

Estabelecido em 1910 o estabelecimento comercial "Beatriz Berta de Sousa" ficava no nº 10 da Rua da Horta da Companhia. Era o equivalente ao que conhecemos por mercearia/supermercado.
Neste anúncio da década de 1940 a proprietária, cujo endereço telegráfico era "Beatriz Macau", informa tratar de "comissões, consignações e conta própria e Importação e Exportação". Vendia "vinhos e conservas portuguesas por atacado" e fazia "exportação de todos os artigos da China".
Assumia-se como representante das "agências" portuguesas de vinhos de diversas regiões: “Macieira & Ca. Ltda.” (brandy e macieira), “A. Romariz & Filhos” (vinhos generosos), “Real Companhia Vinícola do Norte de Portugal” (vinhos generosos, espumantes e de mesa), “C. Vinhas Limitada” (vinhos e azeite) e “Burjacas e Ca. Ltda.” (Colares).
O anúncio foi publicado no Anuário do Governo de 1941. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Eugen Böhringer: GP de 1964

O piloto alemão Eugen Bohringer (1922-2013) frente ao Mercedes 300SE - com o número 51 - no GP de Macau de 1964 (Corrida da Guia/Carros de Produção), prova que venceu a 15 de Novembro desse ano num total de 60 voltas e estabelecendo uma média de 105.2 Km/h. Tinha acabado de se sagrar vencedor no campeonato de rallys da Argentina poucos dias antes.

Böhringer na zona do circuito junto ao Reservatório. O Mercedes 300SE estava equipado com um motor de 6 cilindros em linha, 2.996 centímetros cúbicos e 210 cavalos de potência.
Böhringer tinha uma ligação quase umbilical à Mercedes. Nasceu ao lado da fábrica em Stuttgart e era lá que o seu pai trabalhava. Foi vice-campeão da Europa no campeonato de rallys em 1961 e campeão em 1962.
A meta numa altura em que o GP dava ainda os primeiros passos. A primeira prova realizou-se em 1954.

domingo, 11 de outubro de 2015

“Macau que Fausto Sampaio Sentiu”

Fausto Sampaio nasceu em Alféolas, Anadia a 4 de Abril em 1893. A incapacidade auditiva que o atingiu ao 22 meses de idade tornou-o surdo e dotou-o, de certa forma, de uma grande sensibilidade para se exprimir através da pintura.Possuidor de grande mestria técnica e de uma sensibilidade inigualável, Fausto Sampaio foi um impressionista de grande versatilidade e um paisagista nato; realizou obras únicas em que a rápida pincelada e a extrema facilidade de manejar a espátula, lhe permitiram captar a impressão dos momentos que viveu, instantes quase palpáveis, fazendo-os perdurar para sempre.
Imbuído no espírito da procura de uma identidade nacional, Fausto Sampaio atinge o auge da sua carreira artística nas décadas de 30 e 40 do século XX, época em que realizou grande parte das suas obras nas províncias ultramarinas e que lhe valeram o título de "Pintor do Império".
As suas obras, fruto da vivência nas terras por onde viajou, como Goa, Diu, Damão ou Timor, mas também daquelas em que viveu, como Macau, exprimem a atmosfera, os contrastes, a paisagem, a luz, as figuras e as formas próprias de cada uma. Foi discípulo de Jules Renard, tendo frequentado as academias de Paris.
Avenida Almeida Ribeiro à noite - Macau, 1937
Em Macau produz intensamente e regista uma "odisseia citadina" no ritmo movimentado das "ruas, becos e escadinhas em que inúmeros estabelecimentos ostentavam tabuletas com complicados caracteres chineses, as casas de chá, as centenas de tendas, nas ruas, onde se preparavam deliciosas iguarias de cozinha tradicional, os curandeiros e as típicas farmácias, os leitores de sina, os escribas, peritos em transcrever em belos caracteres as missivas dos clientes, as casas de Fan-tan, os fumatórios de ópio, a gente do mar, que nascia, vivia e morria nos airosos juncos (...)"."O Beco das Galinhas, a Rua 5 de Outubro, a Rua do Bazar, a Avenida de Almeida Ribeiro à noite e as imagens do Pagode da Barra revelam a preocupação pelos valores da luz e da cor, de tal modo que, mais importante que a representação, importa ao artista exprimir-se através da pincelada e das manchas de cor, afastando-se da hábil exactidão que já explorara, especialmente no retrato de encomenda e na representação de uma ideia colonial. Uma luz brilhante, explosões de cor e uma espécie de impressionismo e uma marcação expressionista, por vezes com fortes pinceladas curvilíneas e gestuais, provavelmente influenciadas pela observação de obras chinesas, como nos labirínticos traços negros da ramagem das árvores do pagode da Barra."
Sala de Jogo de Fan Tan- Macau, 1937
"(...) Aspectos diferenciados, entre Tancareiras, retratos anónimos de figuras serenas de bairros de pescadores, pormenorizadamente descritas, Lorchas e Tancares, Cais do Porto com chuva, onde se avista o "bairro aquático de prazer (...) fantasia mergulhada num mar de luz", também uma movimentada cena no porto, de ilustrativos quotidianos, e ainda uma sala de jogo expõem a diversidade dos aspectos tratados em Macau.
in Álbum fotobiográfico do pintor: “Macau que Fausto Sampaio Sentiu” Missão de Macau em Lisboa. Janeiro 1992, 1.ª Edição coord. Maria José Sampaio, Ana Maria Amaro

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

"Sentir Macau" de 9 a 11 de Outubro no Porto

A Renascença vai levar os portuenses numa “viagem” até Macau…. e de Fórmula 3. A propósito da 62ª edição do Grande Prémio de Macau, um dos circuitos urbanos mais famosos do mundo, que arranca já a 19 de novembro, a Renascença e o Turismo de Macau vão estar este fim de semana no Norteshopping, numa ação que vai proporcionar diversas experiências aos ouvintes e a todos os que passarem por aquele espaço comercial.
Esta sexta, sábado e domingo a Renascença e o Turismo de Macau vão dar oportunidade, a todos os que passarem pelo Norteshopping, de conduzir um carro num simulador de Fórmula 3 no percurso do Grande Prémio, de aprender caligrafia chinesa e ainda de levar para casa o nome escrito em caracteres chineses.
Sexta e sábado a repórter Marta Ventura vai convidar toda a gente a viver  esta experiência com a Renascença e no domingo, dia 11, é a vez de Paulino Coelho fazer um programa ao vivo, dedicado a Macau, com convidados especiais.
O Turismo de Macau e a Renascença oferecem assim uma oportunidade única para sentir e experienciar esta terra que partilha com Portugal mais de 450 anos de história, fazendo de Macau um destino multicultural e apaixonante.
Da história à gastronomia, das igrejas portuguesas aos templos chineses, da cultura às compras, da arquitetura moderna às casas mais tradicionais, com centro no maior evento desportivo do território – O grande Prémio de Macau – a Renascença tem tudo preparado para esta viagem apaixonante.
Press Release da RR

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Anúncio do Governo Provisório da República (1910)

Na edição de 19 de Novembro de 1910 o Boletim Oficial de Macau publicava o anúncio da constituição do Governo Provisório da República, através da Direcção Geral do Ultramar, e que tinha sido publicado no Diário da República em Portugal a 7 de Outubro.
"Hoje 5 de Outubro de 1910, às onze horas da manhã, foi proclamada a República em Portugal na Sala Nobre do Município de Lisboa, depois de ter terminado o movimento da Revolução Nacional. Constituiu-se imediatamente o Governo Provisório sob a presidência do Dr. Teófilo Braga." (...)
Ao Povo de Lisboa
“A atitude do Povo tem sido admirável de serenidade e cordura. Após o acto revolucionário, em que ele foi duma bravura antiga, sucedeu o entusiasmo da vitória, em que ele se tem comportado como um triunfador generoso, que fez da nobreza de sentimentos o mais belo padrão da sua glória legendária. Mas é preciso regressar ao trabalho fecundo, que será, com uma moralidade severa, a base da nossa regeneração.
Por isso o Governo Provisório convida todos os grupos revolucionários e forças populares não militarizadas a entregarem as suas armas às comissões paroquiais.
O Governo Provisório da República confia no bom senso do povo, no seu patriotismo e na sua dedicação à República. Por isso o exorta a que continue a ser generoso e cordato, e que respeite a vida e fazenda alheias, a que não persiga ninguém, a que dê enfim mais um alto e nobre exemplo da sua envergadura moral.
Cidadãos! O futuro da Pátria está nas vossas mãos. Não o zelar com o carinho que lhe devemos seria mais que perdê-lo, porque seria desonrá-lo. Ergamo-lo bem alto para que de todas as partes do mundo ele seja visto, e os países civilizados possam dizer, referindo-se a Portugal: eis um povo antigo pelas tradições heróicas, mas que pela serenidade, pelo amor ao trabalho e pela dignidade cívica é tão moderno que vai na dianteira de todos os povos”.

Arco comemorativo numa rua de Macau alusivo ao 5 de Outubro. No território a mudança de regime teve várias consequências, a começar pela toponímia. Mas o mês de Outubro registou também mudanças de regime na China e com 'ligações' próximas.
Agradecimentos a JD pela fotografia.

domingo, 4 de outubro de 2015

Fortifications of Macau: their design and history (1969)

Este livro da autoria de Jorge Graça foi editado pela primeira vez em 1969 (capa da primeira edição em cima) e foi sendo reeditado - com algumas revisões e com mais imagens - ao longo dos anos (1984 e 1990), quer em inglês, quer em português. Curiosamente o texto começou por ser publicado em separata no Boletim do Instituto Luís de Camões. - Vol. III, nº 3 e 4 (Outono e Inverno 1969).
Da edição em português destaco um excerto do texto do autor.
"A investigação acerca das fortalezas de Macau é um estudo fascinante, pois elas foram edificadas num dos mais significativos períodos da História da Humanidade, o período em que o Ocidente travou conhecimento directo com o Oriente e os laços desde então estabelecidos, tanto para melhor como para pior, nunca foram cortados.
Os caminhos abertos pelos descobridores e navegadores portugueses têm sido trilhados pelos restantes países ocidentais, mas, durante séculos, o único contacto directo com os mais importantes e fabulosos países do Oriente, a China e o Japão, foi a Cidade do Nome de Deus na China, Macau. A importância e consequências da influência recíproca e das ideias resultantes do contacto destas duas culturas diferentes, que ali se permutavam em todos os campos da actividade humana, transcederam a exiguidade do seu território e aquele a ser mais rapidamente afectado foi o da ciência militar tanto de ataque como de defesa. 
Macau, devido à sua situação e relações privilegiadas, tinha que resistir à esmagadora pressão do torno formada, do lado do Continente Chinês, pela reacção natural e inerente à xenofobia chinesa e pela resistência a mudanças da sua estrutura social e cultural estabelecida e, do lado do mar, pela ganância e inveja dos países ocidentais. Para resistir a estas forças poderosas Macau tinha que criar, à sua volta, uma dura concha capaz de absorver essas pressões sem se quebrar. Isto foi conseguido pela edificação de uma barreira de fortificações ligadas por fortes muralhas e protegidas por uma das melhores artilharias da época, servindo de escudo a toda a cidade.
A construção destas fortificações foi realizada quase em segredo, na esperança de que, quando o lento processo de informar Pequim chegasse à Corte Imperial, as autoridades chinesas estivessem perante um «fait accompli». As transformações sofridas por estas fortificações durante a sua longa e colorida existência dificulta muito o seu estudo. A negligência das autoridades na sua conservação, a ausência de registos ou planos, a destruição que a maior parte delas sofreu, juntamente com as convulsões políticas, tufões e incêndios que destruíram todo o material e documentos coevos, a acção das térmitas e as pobres condições em que são conservados os documentos remanescentes, tornaram a investigação sobre o assunto muito difícil e, por vezes, frustrante.
Ainda recentemente, em 1966, o Instituto Salesianos destruiu pelo fogo grande parte da sua biblioteca, juntamente com gravuras e estampas antigas. Parte da biblioteca do Seminário de S.José foi queimada pelo seu bibliotecário e, devido a dificuldades económicas, os restantes livros estão a ser rapidamente destruídos por peixe-prata e vermes. A Secção de Engenharia do Quartel-General Militar não possui quaisquer documentos ou planos de trabalhos militares anteriores a 1965. Nenhuns documentos ou planos existem no Repartição das Obras Públicas, pois a edificação das fortificações, manutenção e guarda de todos os trabalhos de carácter militar eram da responsabilidade do Comando Militar.
Durante os motins de 1966 muitas famílias locais venderam e deitaram fora livros de valor inestimável, estampas e fotografias antigas. Contudo, neste deserto de destruição e negligência, há ainda oásis de responsabilidade e abnegação.
O Rev. Padre Videira Pires, o sr. Luiz G. Gomes, o sr. Rosa do Departamento das Obras Públicas têm gasto muito do seu valioso tempo e dinheiro tentando registar e interpretar o material disponível antes que seja demasiado tarde, e fico-lhes grato pela amável assistência e ajuda desinteressada."

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Pessanha e a Loja Luiz de Camões

Reprodução de um atestado em nome do oficial do exército Joaquim Felizardo Adão Antunes, datado de 19 de Outubro de 1918, selado e assinado por Camilo Pessanha, na qualidade de venerável (Presidente), e por outros oficiais da loja. Pessanha chegou a Macau em Abril de 1894 e foi iniciado na maçonaria com o número 6980, a 27 (ou 29?) de Novembro de 1910, na Loja Luís de Camões II, nº 309 do GOLU, de Macau com o n.s. de “Angélico”, ascendendo a 6 de Junho de 1916 ao grau 15.º e em 22 de Julho ao grau 18.º (Cavaleiro Rosa-Cruz). Em 1918 tinha o grau 25.º e a 15 de Setembro de 1919 ascendeu ao grau 30.º. Os seus Irmãos são “José Vicente Jorge, Constâncio José da Silva e, eventualmente, Silva Mendes”. Na loja teve o cargo de Orador (1911 – cf. Boletim Oficial do GOLU, Janeiro-Março, 1911, p. 31) e foi Venerável da Luís de Camões nº 383. A loja reergueu-se em 1915, depois de abater colunas em 1914, explicando-se assim o novo número de registo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

1 de Outubro: dia da RPC

A 1 de Outubro de 1949 foi proclamada oficialmente a República Popular da China. Desde essa altura em Macau a data - 国庆节 - passou a ser assinalada com 'arcos comemorativos'  (pailou) como os aqui apresentados (agradecimentos a JD) das décadas de 1960, 1960 e 1970.#
 Numa pesquisa aqui no blogue poderá encontrar mais imagens destas comemorações.