domingo, 10 de março de 2019

Chonca, Talu, Bafá



"Três Jogos Populares de Macau: chonca, talu, bafá"  de Ana Maria Amaro, ICM, 1984.

O grupo dos macaenses que é verdadeiramente original, fruto de polihibridismo, um isolado parcial por homogamia, manteve padrões culturais muito característicos, provenientes dos mais remotos pontos da Terra e não apenas da China e de Portugal, como muitos, erradamente, supõem.
Testemunho dessa cultura tão híbrida e tão rica como o fundo genético dos macaenses são, por exemplo, os seus jogos tradicionais, hoje praticamente perdidos em crescente diluição, principalmente nos novos padrões importados do ocidente.
Neste trabalho são estudados três antigos jogos macaenses que se mantiveram vivos quase até aos nossos dias: a chanca, jogo africano, cujo nome parece apontar para uma introdução via Malaca e cuja estrutura, por outro lado, nos leva a admitir a influência dos escravos africanos; o talu, jogo que, pelo menos, ainda no século XVIII era praticado em Portugal e que supomos ter sido introduzido em Macau pelos padres jesuítas, devido à origem do nome, que perdurou entre os macaenses, e o bafá, uma curiosa adaptação dum jogo de cartas chinês, que nos revela até que ponto as antigas nhonhas macaenses ignoravam o dialecto cantonense, ou, pelo menos, sobre-estimavam o português, utilizando o seu sab'roso patois, mesmo quando adoptavam um passatempo das suas velhas amas.
 Emissão filatélica de 1989

sábado, 9 de março de 2019

Correio Registado: 1898

Esta carta foi registada em Macau a 21 de Abril de 1898 e tinha como destino Hong Kong onde chegou no dia seguinte. Foi dirigida à empresa Graça Co. que se dedicada ao comércio de selos e bilhetes postais. Tem ainda a particularidade de incluir selos feitos nesse ano para celebrar os 500 anos da viagem de Vasco da Gama à Índia.

sexta-feira, 8 de março de 2019

A 'Cidade China' há cem anos

Até ao fim do século XIX notava-se, com clareza, a delimitação de Macau em duas cidades relativamente distintas: a cristã ou europeia e a chinesa. A primeira, com habitações e palacetes de arquitectura portuguesa, os seus jardins e árvores de fruta ocidentais, espalhava-se pelo centro e sueste da península, à volta das igrejas e conventos antigos, na parte que antes formava o velho burgo "intra muros". O contínuo repique dos sinos, desde as Avé-Marias do alvorecer até ao toque das almas, às 21 horas, o retumbar dos tambores e o soar dos clarins dos quartéis da guarnição, davam a Macau uma fisionomia que a diferenciava de outras urbes da região, "onde predominava (e predomina) o espírito prático dos ingleses (e chineses) e em que a actividade comercial absorve todas as outras manifestações de vida".
Fora dessa área da pólis, mosquejavam as chácaras ou quintas dos macaenses ricos e dos estrangeiros, a sul, entre a Barra e o Nilau (Penha) e, ao norte, na Flora, Cacilhas, Solidão e D. Maria II, bem como as colónias balneares da, já aterrada, Areia Preta. Que as (pelo menos) dez estâncias da Ilhas da Lapa, donde provinham legumes e carne, haviam sido abandonadas, cerca de 1764. As chácaras mais importantes, dentro da península, eram a de S. José (ou do Manochai), a de Santa Sancha, a de Maria Filipa, a Leitão (esta, em frente do cemitério dos Parses) e a das Madres Canossianas (na Areia Preta). Havia também as Hortas da Mitra, do Patane, do Volong (até 1894), da Companhia, do Bom Jesus, dos Mouros e o Horto do Espírito Santo.
A "cidade china" abrangia a orla ribeirinha do Porto Interior, desde o pagode da Barra ao de Lin-fông, penetrava no Bazarinho e na Rua da Alfândega, no Bazar e em S. Lázaro, e espraiava-se até à colina de Mong-há, incorporando e engrossando as três aldeias, de agricultores e pescadores do arrabalde nortenho.

Em cima a Igreja de S. Domingos numa ilustração de George Chinnery. Em meados do século 19 onde se podem ver chineses a fumar ópio, jogadores, mercadores que fazem das bancas mesas de jogo, venda ambulante, camponeses com gado, senhoras de dó que vão à Igreja acompanhadas de criados que carregam um guarda sol. Nesta época a "cidade cristã" estava dividida da "cidade china", cuja fronteira começava logo detrás da Igreja de S. Domingos.
Pela mão de quatro guias coevos (Manuel de Castro Sampaio, o brasileiro Henrique C. R. Lisboa, o Conde de Arnoso e Bento da França), vamos percorrer os bairros chineses de Macau de há cerca de um século, fixando-nos no tipo dos seus habitantes, no seu trajo, casas, alimentação, usos e costumes. No percurso descritivo, teremos ocasião de observar que, em determinados quarteirões, como o Manduco, faldas do Monte (Si-shén = monte dos dióspiros), Travessa dos Diabinhos (hoje dos Anjos) e principalmente S. Lázaro e S.to António as comunidades portuguesa e chinesa conviviam, paredes meias, em boa harmonia.
Entre os grupos étnicos ou sub-raças que povoam a província do Kuongtông, assinalam-se, por ordem decrescente em número e importância, os Han, os Lai (da ilha de Hainão, afins dos Tailandeses), os O, os Miu ou Meao (que predominam no norte do Laos), os Yueh, os Wui, os Chong e os escassos Keng. 
Em Macau, encontram-se exemplares de todos, mas sobressaem os Han, chineses mais puros, que desceram do norte e se miscigenaram com os Yueh (196 a. C.) e os malaios da costa, durante a dinastia Han Posterior (25-220 p. C.). Falam o Punti (nativo) ou cantonense, língua somente oral, que era mais castiça no povo das cidades e campos dos distritos de Cantão e Siu-hing (Kou-yiu). A actual democratização do ensino, porém, nivelou mais a pronúncia, mormente nos grandes centros urbanos: Cantão, Fat-shán, Macau e Hong Kong.
Apresentavam os cantonenses (Han), há um século, face carnuda, tez trigueiro-pálida, lábios grossos e descorados, nariz achatado, pupilas escuras ou castanhas em olhos de amêndoa, barba rala e cabelo preto e luzidio. O regime alimentício e a higiene europeias, todavia, têm-lhes esbranquiçado a pele, suavizado gradualmente as fisionomias e aloirado levemente o próprio cabelo. Por imposição dos Manchus, os chineses rapavam o cabelo à navalha, excepto desde o alto da cabeça à nuca, onde o deixavam, formando o rabicho, que um retrós negro apertava na extremidade e tornava mais longo. Enquanto trabalhavam, os operários, criados e tancareiras enrolavam o rabicho em volta da cabeça e as últimas cobriam-se com um lenço.
As senhoras de distinção apanhavam o cabelo todo atrás, entufavam-no, erguiam-no em forma de duas asas, junto às orelhas, e prendiam-no com um travessão de prata ou oiro (penteado de borboleta). As mulheres solteiras enfeixavam o cabelo numa trança que lhes descaía pelas costas abaixo. Com frequência, prendiam-no num botão, do lado direito do fato.
Muitos dos chinas ricos de Macau eram mandarins honorários, que aqui se tinham acolhido de guerras civis ou na sua reforma. Isto mesmo aconteceu, em Kowloon, com os oficiais civis e do exército chineses, após 1911. Vestiam aquelas cabaias compridas de seda, calção do mesmo tecido, meias de algodão fino e sapatos de seda preta, com base alta de papel branco, fazendo bico na ponta. De inverno, enfiavam sobre a cabaia um gabão, acolchoado com algodão em rama (min-nap). Ordinariamente, quando saíam à rua, faziam-se transportar em cadeirinhas ou liteiras, algumas delas de luxo, que dois ou quatro cules carregavam aos ombros, por meio de dois varais de marmeleiro seco ou pingas.
As damas de distinção sobressaíam pelas cabaias de "mangas perdidas" ou muito largas, pelo corte mais elegante da roupa e pelo abuso dos cosméticos e jóias, sobretudo de jade.
Os trabalhadores e lojistas trajavam calças largas de ganga preta ou de côr, caminhavam descalços e de tronco nu, durante o verão, e andavam em cabelo. Os cules usavam chapéus de palha de grande circunferência (tudum) e serviam-se de alpercatas sem meias.
As mulheres de classe baixa vestiam a cabaia curta (blusa) de ganga preta ou azul, e calças folgadas da mesma fazenda. Quase todas andavam descalças, costume que hoje abandonaram.
O sombreiro ou guarda-chuva era de papel oleado, com armação de bambu e cores garridas, como nas clássicas aguarelas japonesas, mas já se iam então introduzindo chapéus de sol europeus.
As habitações da "cidade china" de Macau, há um século, eram de um ou dois andares, sem luz nem ventilação suficientes. As casas ricas assemelhavam-se umas às outras, na traça. No exterior, rodeava a vivenda um muro alto de pedra ou tijolo. Formavam, às vezes, o portal de entrada três arcos consecutivos de cantaria, ou madeira esculpida. Vinha depois o vestíbulo, ao fundo do qual se abria outra portaria tríplice, que dava acesso a um pátio, onde estavam as salas de visitas. Sucessivamente em vários corpos de edifícios, desenvolviam-se os apartamentos para habitação, intermeados de implúvios quadrados, com árvores miniaturais (p'un-ch'oi) e um tanque de água e correspondendo-se por corredores de portas circulares. Os aposentos destinados às mulheres situavam-se sempre nos pavilhões mais recuados.
Os pobres residiam nos subúrbios, em barracas com muros de adobes e tectos de palha. Nas partes alagadiças de Sank'iu e Sá-Kóng, levantavam-se tugúrios em estacaria. As tancareiras e suas famílias, originárias de Fu-Chau, ocupavam o escalão ínfimo da sociedade. Viviam confinadas aos seus barcos, ancorados no Porto Interior ou na Praia Grande, com os filhos, maridos (que podiam trabalhar na cidade), cães, galinhas, porcos e cozinha.
O Bazar era um amontoado de ruas tortuosas e estreitas, muitas das quais perduram hoje, moradias baixas e coladas umas às outras, numa irregularidade que perturba a vista, pelos inúmeros paus, tabuletas, roupas a secar, cordas e utensílios de toda a espécie, dispostas nas fachadas ou atravessando as ruas ao alto.
A densidade altíssima da população, a continuidade das casas, com janelas apenas na frontaria, a estreiteza das vias públicas, a promiscuidade em família de homens e animais, a falta de separação entre bairros comerciais e de residência, a avidez de aproveitamento de quase todos os rés-dos-chãos para o negócio e o atávico desleixo e pouco asseio dos chineses, à sua volta, transformavam a sua enorme área habitacional numa emanação constante de cheiros de almíscar, ópio, verniz, azeite e sobretudo peixe e esterco. Ainda hoje, a passagem, pela Travessa do Soriano, Rua dos Mercadores, Beco das Caixas e outras artérias, tem de fazer-se depressa e de nariz tapado...
"A mobília das habitações chinesas tinha uns longes da que no século XVIII se usava na Europa. Ostentavam-se ali belos móveis, magníficas madeiras, mármores notáveis, relevos, recortes e doirados primorosos, pois em obras de talha têm os chins muita perícia".
Nos talhos, viam-se suspensas as grandes peças de carne e as aves, já sem penas. Debaixo de toldos, na rua e ao lado de bancos, preparava-se o chá e cozinhava-se em fogareiros, como nas tascas das romarias. Vendedores ambulantes apregoavam frutas, as belas lechias, de cor de tijolo como os abrunhos e com o delicado sabor de uvas moscatéis. Outros apregoavam hortaliças. Um formigueiro de chinas atulhava as ruas numa grande azáfama. De vez em quando, elevava-se a uma grande altura um hão, casa de penhores, (como) a do sr. Chung-Volong que tinha nada menos de seis andares. No pavimento térreo, estavam os empregados ocupados na escrituração; os cinco andares para onde se subia por uma estreita escada, não tinham nenhuma divisória e eram, em toda a sua extensão, ocupados de alto a baixo e a todo o comprimento por filas paralelas de magníficos armários de madeira, onde se conservavam os penhores. Entre cada fila, havia apenas o espaço necessário para dar serventia aos armários. Estas casas eram tão bem organizadas, que mesmo gente que não necessitava de dinheiro, depositava nelas, nas diferentes estações, para melhor os conservar, os vestuários de que não precisava. Os ferros-velhos ou tin-tins lembravam as instalações da nossa feira da ladra, em Lisboa.
Os colaus, casas de pasto, tinham largas e luxuosas escadarias e os espelhos dos degraus sempre dourados. Havia alguns que eram ao mesmo tempo hospedarias, pois dispunham de quartos para dormir. Era nos colaus que os chinas faziam as suas parties fines. Os criados gritavam do cimo da escada os nomes das iguarias escolhidas, tal como quem diz: "Sala meio bife!"
Eram numerosas as casas de fan-tan. Iluminadas com balões e lanternas, estavam abertas durante todo o dia e até à meia-noite. Os chinas ricos e os europeus, para se não misturarem com a gentalha, subiam ao andar superior e jogavam sentados em volta duma balaustrada que se elevava do sobrado roto desse pavimento. O dinheiro das paradas fazia-se subir e descer, em cestos de palha suspensos de cordas, atadas à balaustrada. O arrematante do exclusivo do fan-tan pagava à Fazenda a quantia de cento e vinte mil patacas por ano.
A lotaria do Vae-Seng era também outro vício do china (de há um século, em Macau). Sempre que havia exames de Estado em Pequim e provinciais em Cantão, de 3 em 3 anos, cada bilhete da lotaria incluía 20 apelidos de candidatos. Cada colecção de mil bilhetes formava uma série e cada série constituía uma lotaria com três números. O prémio era ganho pelo bilhete que contivesse maior número de apelidos de candidatos premiados. Havia bilhetes de meia pataca, uma, duas, três, cinco e dez. Com um bilhete de dez patacas, podiam ganhar-se seis mil. Desde que o governo chinês permitiu a venda dos bilhetes em Cantão, o arrematante do Vae-Seng em Macau pagava apenas trinta e seis mil patacas anuais (ao governo português).
Prosperavam, então, neste Território, várias indústrias: bastantes fábricas de chá, que faziam excelente negócio, uma de tabaco, uma de cozedura de ópio, a de cimento da Ilha Verde e três de desfiar seda, a maior das quais era a Hap-Keng-Lun, em que se empregavam quatrocentas e tantas mulheres. Isto fez baixar consideravelmente o número das infelizes que se entregavam à prostituição. A pesca e a salga de peixe ocupava em Macau, nas últimas décadas do século XIX, pelo menos dez mil pessoas e o seu valor elevava-se em cada ano a oitocentas mil patacas.
Exportavam-se, finalmente, para a Europa "as tranças cortadas aos cadáveres dos chinas", donde se fabricavam cabeleiras postiças. Havia ainda um clube chinês para fumar ópio, que o Conde de Arnoso descreve com pormenor.
A alimentação dos chineses de Macau, nos fins do século passado, constava de tim-sâm (despertar o coração) ou yam-ch'á (beber chá), pela manhã, nas "casas de chá" ainda existentes na Rua Nova de El-Rei (Cinco de Outubro), de duas refeições cheias, uma por volta do meio-dia e outra cerca das 18 horas, e do siu-yé (noite alta), antes de deitar e depois do jogo do mahjong.
O chá da manhã (hoje europeizado pelo café)era uma ocasião de convívio com amigos, parentes e sócios, em andares pejados de comensais, que falavam mais em voz alta do que propriamente comiam. Tomava-se canja e, entre libações de chá sem açúcar, provavam-se bolinhos de camarão, de carne picada, ma-t'ai-cou, ló-pá-cou (bebinca de nabos), arroz "glu-glu" (nó-mai) com recheio de galinha, etc., ser-vidos aos quatro, em cestinhos redondos de vime e trazidos em carros de rodas. Ainda hoje, o delicioso yam-ch'á é assim. As duas refeições principais compunham-se, como ainda hoje, de arroz cozido em banho-maria sem sal, conduto de peixe ou carne e hortaliça, com fruta e caldo quente no fim. Os chineses nunca bebiam água fria, nem comiam carne de animais agrícolas: vaca, búfalo, cavalo. Um acompanhamento apreciado era (e é) o dos ovos gelatinosos, conservados em lodo. Não se usavam toalhas, nas mesas.
Nos dias de festa, a ementa constava de dezenas de pratos (mais do que agora), regados com lipum ou sio-chau (vinho destilado do arroz). Entre as delicadezas mais saborosas, contavam-se: o bicho do mar (hói-sam), que era uma espécie de enguia gelatinosa e curta, as barbatanas de tubarão demolhadas (yue-ch'i), saliva de andorinhas dos Parcéis (yin-vó), pato assado (a que os macaenses sentiam nojo), "borrachinhos" cozidos em molho de sutate (especialidade do restaurante Fat-Sio Lau), etc..
Não desdenhavam os chineses de certos pratos macaenses, sobretudo dos seus doces, como o baji (arroz doce à indiana), ondi-ondi (bolinhos de farinha recheados de jagra), alua (bebinca de unto de vaca), camalenga (abóbora ralada e açúcar candi), os fios de ovos ("cabelos de anjo") que Mme. Phaulcon levou para a Tailândia, etc..
As festas do Ano Lunar, que duravam duas semanas, a procissão do deus da guerra (Kuan-Tai), do Cheng Meng (5 de Abril) e do Chông Yeung, dos barcos Dragões e do Bolo Bate-Pau, os galos de porcelana nos telhados contra a formiga branca, os mendigos, o auto china, as visitas aos templos, o hotel de Pedro Yen-Ke, com quartos especiais para os ingleses se embriagarem nos fins-de-semana, os combates de grilos e de galos (estes trazidos da Indonésia) e outras muitas coisas mais, pouco ou nada mudaram, desde então.
Se acabaram os rabichos e os pés descalços, dum modo geral, também desapareceram a elegante cabaia comprida, que um modista de Xangai modernizara para as senhoras, os sapatos de seda e tantas modas chinesas de outrora.
Em 1878, fez-se um recenseamento, que atribuiu a Macau 68.086 habitantes, mas que Bento da França crê subiriam a 100.000. O tráfico dos cules chineses, de 1851 a 1874, deu aos agentes espanhóis, peruanos e cubanos fortunas rápidas e colossais. Após a última data, porém, a animação e prodigalidade dos europeus (as senhoras, como a baronesa do Cercal, chegavam a mudar de vestido e toilette três vezes numa soirée, como praticam ainda as noivas chinesas, no banquete de núpcias) esmoreceram muito.
Cédula de um cule de Macau: 1876
A "cidade china" principiou a dar o tom, a côr, o gosto e a azáfama dominantes à velha urbe. Os locanes, aquartelados principalmente no antigo convento de S. Domingos, completavam a falta de praças europeias. Usavam o sapato e a meia china apolainada, calção largo e azul, casaco da mesma fazenda, largo também e apertado por um cinturão. Na cabeça traziam o chapéu de palha chinês, com as armas reais pintadas na frente e as palavras "Guarda Policial de Macau". A tiracolo, uma espingarda "Remington". Deste quartel, situado no centro da "cidade china", se originou o nome cantonense Yeng-Tei Kai (Rua do Quartel), por que é conhecida a Rua dos Mercadores.
Artigo (texto em itálico): "A 'Cidade China' há cem anos", da autoria de Benjamin Videira Pires, publicado na Revista de Cultura, Vol. 2, nº 7/8 (Outubro/Março 1988/1889).

quinta-feira, 7 de março de 2019

Vídeo Mapping "Macau, uma Viagem Lendária",


Entre 12 e 16 de Março no Terreiro do Paço em Lisboa recebe durante 5 noites consecutivas, um espectáculo de vídeo mapping alusivo a Macau que assinala este ano o 20º aniversário do estabelecimento da R.A.E. de Macau e o 40º aniversário das relações diplomáticas entre Portugal e a China.
Com 3 sessões diárias, às 20, 21 e 22 horas, o espectáculo de luz e cor "Macau, uma Viagem Lendária", segundo a organização "parte da lenda da Deusa A-Má, divindade chinesa protectora dos pescadores e marinheiros, para nos levar a percorrer a história da cidade, desde a chegada dos marinheiros portugueses no século XVI, até ao seu extraordinário desenvolvimento do presente."
Recorde-se que Macau será o Destino Internacional Convidado da BTL, que decorre entre 13 e 17 de Março, e a Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo nomeou o território como Destino Preferido 2019. Na Fil em Lisboa Macau vai estar representado num expositor denominado "Sentir Macau Ao Seu Estilo", onde vai divulgar "o património da cidade classificado pela UNESCO" e a gastronomia do território.
Em paralelo, vai haver uma exposição com trabalhos de mais de 30 artistas de Macau, no dia 13 de Março, na Delegação Económica e Comercial de Macau, em Lisboa. A 14 de Março, grupos de dança de rua de Macau vão atuar na Praça do Rossio, Rua Augusta, Praça do Comércio e Ribeira das Naus.
No dia 15 de Março, no Porto, será inaugurada uma exposição no Edifício Paços do Concelho, com "40 desenhos do talentoso jovem artista autista de Macau, Leong Ieng Wai, que retratam monumentos, praças e a vida da cidade".

quarta-feira, 6 de março de 2019

Rua Direita do Cume do Dragão


A Rua Central começa na Travessa do Paiva e vai até à Av. Almeida Ribeiro.
Em cima uma imagem da década de 1960 vendo-se a escadaria ao lado do edifício dos Correios - depois de atravessar a Av. Almeida Ribeiro - que dá acesso à Rua da Sé. Antes de existir a Av. almeida Ribeiro (ca. 1918) era na Rua Central que se concentrava o comércio da chamada cidade cristã. Em baixo a mesma perspectiva numa imagem do século 21.
À semelhança do que acontece com outros nomes de ruas, a designação em português é bem diferente do nome em chinês: Leong Sang Cheng Kai, isto é, Rua Direita do Cume do Dragão.
Dois anúncios da década de 1920: Agência Luso-Americana e Barbearia Filipina... dois exemplos dos muitos espaços comerciais que existiram na Rua Central.
Anúncio de 1882 (jornal O Macaense):
Consultas (grátis para os pobres) do Dr. Magalhães,
com consultório no nº 9 da Rua Central
Na parte lateral das escadas acima indicadas fica uma Casa de Banho pública



terça-feira, 5 de março de 2019

Edital sobre o Carnaval... há 100 anos

Publicado no Boletim Oficial em Fevereiro de 1919 este edital da Administração do Concelho de Macau (leia-se Leal Senado) diz respeito às proibições declaradas para os dias 2, 3, e 4 de Março de 1919. Entre outras, proíbe-se "atirar das casas, ruas e outros lugares, objectos que possam molestar, sujar ou incomodar os indivíduos ou deteriorar as suas propriedades". Os mascarados estavam ainda proibidos de "divagar" no bairro chinês; os grupos carnavalescos não podiam solicitar "esmolas ou dádivas"; as "danças, músicas, paródias e grupos carnavalescos" tinham de ter autorização prévia da Secretaria Geral do Governo.

segunda-feira, 4 de março de 2019

O muro do quartel de S. Francisco ao longo de um século

Século 21
Década 1940: após os aterros
ca. 1900/10
A foto que deu origem ao postal ilustrado acima
Século XX vs Século XXI
O muro manteve-se até aos dias de hoje. Desapareceu a parte da frente relativa à zona onde foi construída a bateria rasante 1º de Dezembro, destruída aquando dos aterros das primeiras décadas do século XX.


domingo, 3 de março de 2019

A Voyage in the 'Sunbeam'

Num post publicado em 2012 referi-me a "A Voyage in the Sunbeam, our Home on the Ocean for Eleven Months", um livro editado em Londres em 1878 da autoria de Annie Brassey.
Nest post publico alguns excertos relativos à passagem do "Sunbeam" por Macau no âmbito de uma viagem à volta do mundo ao longo de 11 meses, entre Julho de 1876 e Maio de 1877.

Baroness Brassey (1839-1887) and her husband Thomas, Baron Brassey (1836-1918), decided to undertake a circumnavigation in the Sunbeam, their 531-ton, three-masted, topsail schooner, with a 350-horsepower steam engine. The Sunbeam embarked on 1 July 1876 with a complement of forty-four comprising the Brasseys and their children, a small party of friends, a professional crew, and a complete domestic staff. Their voyage took them 'across the south Atlantic, through the Strait of Magellan into the Pacific Ocean. Their arrival at Hastings on 27 May 1877 completed the eleven-month voyage. The voyage was to make Annie Brassey a celebrity not because she had been round the world in a luxury yacht, but because she struck exactly the right note in her book about the adventure, using the entries in her journal to describe rambles ashore and daily life afloat.
Excertos:
A viagem rumo a Macau começa em Hong Kong onde apanham a embarcação "Flying Cloud"... Já no território que poucos anos tinha sido bastante afectado por um tufão (1874)  destaque para a visita às ruínas de S. Paulo e ao Jardim e Gruta de Camões.
Tuesday, March 6th 
The little girls and I went ashore at 7.30, to collect all our purchases with the help of a friend. We glanced at the museum too, which contains some curious specimens of Chinese and Japanese arms and armour, and the various productions of the two countries, besides many strange things from the Philippine and other islands. I was specially interested in the corals and shells. There were splendid conch shells from Manilla, and a magnificent group of Venus flower-baskets, dredged from some enormous depth near Manilla. There were also good specimens of reptiles of all sorts, and of the carved birds heads for which Canton is famous. They look very like amber, and are quite as transparent, being carved to a great depth. I believe the bird is a kind of toucan or hombill, but the people here call it a crane.
It was now time to say goodbye to Hongkong and to our kind friends, for we had to go on board the Flying Cloud which starts for Macao at two o'clock precisely, and our passages had been taken in her. Tom could not go with us, as he had fixed tonight for the dinner at which the Chinese gentlemen proposed to entertain him; but he came to see us off. (...)
The town of Macao is situated on a peninsula at the end of the island of the same name. It was the first foreign settlement in China belonging to the Portuguese, and was once a fine, handsome town, with splendid buildings. Unfortunately Macao lies in the track of the typhoons, which at times sweep over it with a resistless force, shattering and smashing everything in their career. These constantly recurring storms, and the establishment of other ports, have resulted in driving many people away from the place, and the abolition of the coolie traffic has also tended to diminish the number of traders. Now the town has a desolate, deserted appearance, and the principal revenue of the government is derived from the numerous gambling-houses. 
We landed at the pier soon after five o'clock, and were carried across the peninsula through the town to the Praya on the other side. Here we found a large unoccupied man- sion, situated in a garden overlooking the sea, and, having delivered our Chinese letters, were received with the greatest civility and attention by the comprador and the servants who had been left in charge of our friend's house. The rooms upstairs, to which we were at once shown, were lofty and spacious, opening into a big verandah. Each room had a mosquito room inside it, made of wire gauze and wood, like a gigantic meat-safe, and capable of containing, besides a large double bed, a chair and a table, so that its occupant is in a position to read and write in peace, even after dark. 
This was the first time we had seen one of these contrivances. By the direction of the comprador the house chairs were prepared, and coolies were provided to take us for an expedition round the town, while our things were being unpacked, and the necessary arrangements made for our comfort. 
Macao is a thoroughly Portuguese- looking town, the houses being painted blue, green, red, yellow, and all sorts of colours. It is well garrisoned, and one meets soldiers in every direction. We passed the fort, and went up to the lighthouse, which commands a fine view over land and sea; returning home by a different way through the town again, which we entered just as the cathedral bell and the bells of all the churches were pealing the Ave Maria. On our return we found a fire lighted and everything illuminated, and by half-past eight we had a capital impromptu dinner served. Chinese Tommy, who waited on us, had decorated the table most tastefully with flowers. Macao is a favourite resort for the European resi- dents of Hongkong who are addicted to gambling. 
The gentlemen of our party went to observe the proceedings, but tonight there were only a few natives playing at fan-tan - a game which, though a great favourite with the natives, appears very stupid to a European. The croupier takes a handful of copper cash and throws it upon the table; he then with chop-sticks counts the coins by fours, the betting being upon the possible number of the remainder. It takes a long time to count a big handful, and you have only one, two, three, or four to back - no colours or combinations (...).
At Macao the sleep-disturbing watchmen, unlike those of Canton, come round every hour and beat two sharp taps on a drum at intervals of half a minute, compelling you to listen against your will, until the sound dies away in the distance for a brief interval. (...)
- We started soon after ten o'clock on another exploring expedition, going first in chairs through the town, and across the peninsula to where we left the steamer yesterday. Here we embarked - chairs, bearers, and all, in a junk, evidently cleaned up for the occasion, for it was in beautiful order, and mats were spread under an awning upon deck. All along beneath the deck was a cabin, between two and three feet high, which contained the altar, the kitchen, and the sleeping and living apartments of the family. There was also a dear little baby, two months old, which seemed to take life very quietly, while its mother assisted its grandfather to row. We soon reached the island of Chock-Sing-Toon, and disembarked at a small pier near a village, which looked more like sampans pulled up on the shore than huts or cottages. The children and I rode in chairs, while the gentlemen walked, first over a plain covered with scrubby palms, then through miles of well-cultivated plots of vegetable ground, till we reached a temple, built at the entrance to the valley for which we were bound. Thence the path wound beside the stream flowing from the mountains above, and the vegetation became extremely luxuriant and beautiful. Presently we came to a spot where a stone bridge spanned the torrent, with a temple on one side and a joss-house on the other. It was apparently a particularly holy place, for our men had all brought quantities of joss-sticks and sacred paper with them to burn. There was a sort of eating-house close by, where they remained whilst we climbed higher up to get a view. The path was well made, and evidently much used, judging from the large number of natural temples we found adapted and decorated among the rocks. As usual, our descent was a comparatively quick affair, and we soon found ourselves on board the junk on our way back to Macao, beating across the harbour. (...)
We went all round the town, and then to see the ruins of the cathedral, and the traces of the destruction caused by the typhoon in 1874. Next we paid a visit to the garden of Camoens, where he wrote his poems in exile.* The garden now belongs to a most courteous old Portuguese, with whom I managed, by the aid of a mixture of Spanish and French, to hold a conversation. The place where Camoens' monument is erected commands, however, an extensive prospect, but we had already seen it, and as Tom was anxious to get clear of the islands before dark we were obliged to hasten away. On reaching the yacht, after some delay in embarking, we slipped our anchor as quickly as possible, and soon found ourselves in a nasty rolling sea, which sent me to bed at once. Poor Tom, though he felt so ill that he could hardly hold his head up, was, however, obliged to remain on deck watching until nearly daylight; for rocks and islands abound in these seas, and no one on board could undertake the pilotage except himself. 
* Luiz de Camoens, a celebrated Portuguese poet, bom about 1 520; fought against the Moors, and in India; but was often in trouble, and was frequently banished or imprisoned. During his exile in Macao he wrote his great poem 'The Lusiads', in which he celebrates the principal events of Portuguese history. 

sábado, 2 de março de 2019

Uma "soirée" carnavalesca em 1896

O relato que se segue é de uma "Soireé no Palácio do Governo de Macau" no Carnaval de 1896 publicado no jornal Echo Macaense. Foi uma noite bem animada com as "salas do palácio vestidas de gala" onde se destacou a mulher do governador Horta e Costa que "ostentava um rico vestido de seda branco com finos ramos bordados a fio d’oiro" e onde  a última valsa "dançou-se às 6 horas da manhã"...
Baía da Praia Grande numa pintura do século 19. Autor anónimo
Sempre que esta colónia tem occasião demostrar a s. exa. o sr. governador Horta e Costa o quanto o estima e como bem avalia o seu carácter alevantado e correcto, corre pressurosa a manifestar lhe a sympathia que lhe dedica e o respeito que lhe consagra. Teve s. exa. occasião de tal apreciar, quando em Outubro, por occasião do seu anniversario natalício, recebeu de toda a cidade a ovação mais sincera e espontânea que jamais se fez em Macau; no primeiro de Janeiro, quando, apezar de não haver recepção official, toda a colónia correu ao palácio a apertar, n’um impulso de sympatia, a mão leal que dirige os destinos da província; na noite de 15 do corrente, quando tudo o que havia de importante na colónia, quer portuguez, quer estrangeiro, accorreu ao palácio a cumprimentar o sr. Horta e Costa e sua Esposa.
Os salões regorgitavam de convidados, e o sr. Horta e Costa e a sra. D. Adelaide Horta e Costa, tendo para cada um as attenções mais delicadas, a todos deixaram gratíssimos pela maneira como bizarramente foram recebidos e acolhidos no palacio do governo.
As salas do palácio vestiam de gala e estavam requintada e luxuosamente guarnecidas, offerecendo um aspecto deslumbrante. Muita flor, muita luz, aqui e além por entre macissos de verdura, um quadro de fino gosto, colchas de seda de cores delicadamente combinadas, cloisonées artisticamente trabalhadas, etc. O gabinete causerie ornado de plantas tropicais, iluminando discretamente, offerecia os seus sophas voltaireanos cómodo descanso aos valsistas offegantes.
Às 11 horas a soireé estava no seu maior deslumbramento e mal se podia valsar, tantos eram os pares que se entre-chocavam nas duas amplas salas de baile… Às duas horas foi servida uma opípara ceia na casa de jantar, que estava elegantemente ornamentada.
As senhoras (quasi 100) trajavam ricas e elegantes toilletes, havendo muitas dellas que vestiam lindos costumes, destinguindo-se a esposa de s. exa. o governador que elegantíssima no seu costume – Margarida de Vallois – ostentava um rico vestido de seda branco com finos ramos bordados a fio d’oiro.
A ultima valsa dançou-se ás 6 horas da manhã aos primeiros raios de sol, que curioso espreitava por entre as nuvens pardacentas os bustos dos elegantes valsistas, que offegantes principiavam a sentir saudades de uma noite que jamais esquecerão.
in Echo Macaense, 23.2.1896

sexta-feira, 1 de março de 2019

Livros para aprender mandarim

Para este post seleccionei quatro obras do início do século 20 feitas em Macau e que tiveram como público alvo os portugueses que pretendiam aprender mandarim, quer a título particular quer nas instituições de ensino onde o idioma chinês foi ensinado, nomeadamente em Macau. Claro que já antes foram publicados livros semelhantes* em Macau, nomeadamente pouco depois de meados do século 16, por via dos jesuítas após o 'estabelecimento' de Macau.
Por ordem cronológica de edição:
- "Manuel da Língua Sínica escripta e falada" compilado por Pedro Nolasco da Silva, Tip. Mercantil, Macau, 1903. (obra dividiu-se em duas partes)
- "Novo Methodo de Leitura", 1.º Livro traduzido e annotado por
José Vicente Jorge, Macau, 1908, Typ. Mercantil de N.T. Fernandes e Filhos.- "國文教科書 Livro para Ensino da Litteratura Nacional Kuok Man Kau Fo Shu" traduzido em portuguez por P. Nolasco da Silva.- "Kuok Man Kan To Shu  Leituras Chinesas" de J. V. Jorge e Camilo Pessanha, Tipografia Mercantil de N. T. Fernandes e Filhos, Macau, 1915. Trata-se de um livro escolar para aprendizagem do mandarim. Embora a autoria seja atribuída a Pessanha e a J.V.J., segundo os especialistas a maior parte do trabalho é da autoria de J.V.J. e Pessanha fez apenas a revisão das expressões em português.
Nas primeiras páginas do "國文教科書 Livro para Ensino da Litteratura Nacional Kuok Man Kau Fo Shu", de P. Nolasco da Silva fica-se a saber um pouco mais sobre este tipo de livros:
"É este o segundo volume do compendio chinez de leitura intitulado 初等小學國文教科書 (ch´on-tang-siu-hoc-kwok-man-kau-fo-shu), a saber, Livro para ensino da litteratura nacional nas escolas de instrucção primaria.
O compendio consta de uma serie de 10 volumes, abrangendo cada volume sessenta lições, todas aproximadamente da mesma extensão, contendo noções uteis e contos moraes. Foi methodicamente preprarado por uma sociedade de literatos chinezes que teem a sua sede em Shanghae. É destinado para as escolas primarias de toda a China, e tem conquistado grande popularidade, tanto assim que é hoje adoptado nas escola de Shanghae, Hong Kong, Cantão, Macau, etc.  Foi aprovado pelo ministério da instrucção publica de Peking.  Depois da publicação do primeiro volume, no qual indicamos o numero de caracteres chinezes diferentes que contem os 6 primeiros volumes, pudemos apurar os caracteres differentes que contem os quatro últimos volumes de modo que o total dos characteres chinezes diferentes que existem nos 10 volumes da serie sobe a 3559 (…) Vê-se, pois, que para descrever a imensidade de assumptos diversos que os 10 volumes d´este compendio contem, não foi necessário em pregar mais que 3559 caracteres chinezes diferentes, que equivale a 3559 palavras. É esta mais uma demonstração que prova que o numero de caracteres chinezes que são de uso comum e que é preciso conhecer não é tão grande como se tem ditto com grande exageração.”
* Só tendo por base os livros da autoria de Pedro Nolasco da Silva, aqui ficam as referências das suas obras publicadas no século 19:
- Círculo de conhecimentos em portuguez e China, 1884;
- Fábulas, 1884;
- Phrases usuaes dos dialectos de Cantão e Peking, 1884;
- Grammatica práctica da lingua chinesa, 1886;
- Vocabulario e frases dos dialectos de Cantão e Peking para uso dos alumnos da Escola Central de Macau, 1889;
- Compilação de phrases usuaes e de dialogos nos dialectos de Peking e de Cantão. Para uso dos alumnos da Escola Central de Macau , 1894;
- Os rudimentos da língua chinesa. Para uso dos alumnos da Escola Central do Sexo Masculino, 1895.