quinta-feira, 24 de setembro de 2020

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Sociedade Philarmonica Macaense

"A Sociedade Philarmonica Macaense creada no principio do anno de 1845, no meio de difficuldades, que pareciam insuperaveis, chegou a contar perto de cem associados, dos mais escolhidos moradores da cidade: os quaes da melhor vontade se prestaram sempre ás necessarias despezas para o engrandecimento desta associação, que dava regularmente, de quinze em quinze dias, um baile, um concerto, ou uma representação theatral. Tem apresentado reuniões assás luzidas, bem ordenadas e numerosas; e até agora tem egualmente existido num estado prospero. Não sabemos o que será para o futuro, mas podemos assegurar que se esta sociedade decair a cauza virá de alguma influencia estranha à indole dos macaenses. A sociedade pois póde considerar-se verdadeiramente util ao estabelecimento de Macao. É o unico recreio publico: é o centro de reunião dos moradores e suas familias; é o meio mais efficaz de fraternisar uma povoação reputada dissidente; é finalmente, uma associação por todos estes motivos digna da attenção do governo de SM, a quem recomendamos a sua conservação pelo interesse moral, civil, político e commercial, que della pode provir tanto ao governo como aos governados." 
in Memoria sobre a Franquia do Porto de Macao, de José António Maia, 1849

A este propósito refiro um excerto da obra "Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os Povos Christãos" de António Marques Pereira e editado em 1868.
"7 de Março de 1857
Até esta data algumas tentativas dramaticas que varios curiosos tinham feito em Macau haviam tornado de cada vez mais desejado o estabelecimento de uma casa do theatro apropriada e exclusivamente des tinada ao intento. Na encosta de Mato mofino que deita sobre a chamada rua da Prainha, na porção de terreno da praia do Manduco depois occupada pelo jardim do barão de S José de Portalegre, na assembléa philarmonica que existiu no largo de Santo Antonio, no edificio do hospital da Misericordia e até na residencia do juiz de direito Sequeira Pinto e no retiro campestre chamado de Santa Sancha etc... tinham se armado em diversas epochas vistosos theatrinhos que a sociedade macaense festejăra com alegria mas que desappareciam logo com o destroçar dos grupos de amadores da arte que os animavam e deste modo se renovava continuamente a principal difficuldade para a realisação de tão uteis e agradaveis divertimentos.
Foi essa falta que no dito anno de 1857 alguns cavalheiros aqui residentes trataram de fazer cessar propondo a organisação de uma sociedade de subscriptores para a edificação de um theatro destinado não só ás recitas de curiosos como tambem a ser concedido mediante rasoaveis condições aos artistas de profissão que viessem a Macau e bem assim para servir de centro de reunião ou de club para os socios que ahi quizessem entreter se com leitura jógos ou conversação. Com tal fim se convocou pois n este dia uma assembléa de varios habitantes e ahi foi nomeada uma commissão composta dos srs João Damasceno Coelho dos Santos, coronel João Ferreira Mendes, José Bernardo Goularte, José Maria da Fonseca, Francisco Justiniano de Sousa Alvim Pedro Marques e José Joaquim Rodrigues Ferreira.
Não foi desde logo indicado o lugar en que teve effeito a construcção do theatro pois que o primeiro pensamento foi colloca lo no edificio do hospital de S Rafael ideia que em breve se abandonou. Nos fins de março a commissão pediu ao governo terreno no campo de S Francisco perto da rampa que ahi conduz a entrada do quartel mas foi lhe indeferida a pretensão offerecendo se lhe a cerca do extinto convento de S Domingos. A commissão não julgando este local apropriado requereu em sessão de 2 de abril o terreno preciso no largo de S Agostinho que por fim obteve.
Correndo immediatamente a subscripção em Macau e Hongkong em março de 1858 o edificio podia já dizer se concluido no principal graças especialmente á diligencia do cirurgião mór da provincia, Antonio Luiz Pereira Crespo, de Pedro Marques e de Francisco Justiniano de Sousa Alvim. Do cidadão macaense Pedro Marques é quasi todo o risco e a direcção da obra. (...)" 
O que é acima referido é o Teatro D. Pedro V...

terça-feira, 22 de setembro de 2020

"Estabelecimentos Comerciaes Chineses": 1896

Segundo o Censo de 1896 em Macau existiam 895 "estabelecimentos comerciaes chineses" que davam emprego a 6.042 pessoas.
According to 1896 census there were 895 Chinese shops in Macao for 6.042 employees.
Destes dados destaque para:
Existiam 38 fábricas de ópio (opium factories), 26 casas de penhor, 19 casas de jogo de fantan, 64 lojas de venda de pacapio.
O maior número de empregados estava na transformação do ópio (opium) com cerca de 700; 188 nas Casas de Penhores (Pawnshop); 68 na indústria de panchões (firecracker); 297 no jogo do fantan (fantan gambling); 225 na lotaria pacapio (pacapio lottery); 265 na salga de peixe (salt fish); 247 no fabrico de tecidos de seda e algodão (silk and cotton); 146 na transformação de madeira (timber); 108 no calçado (shoes); 110 nos pivetes  e 197 no fabrico de artigos de bambu (bamboo).
Casas de Jogo no final do século 19 em Macau.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Carta de 1882

Carta enviada de Lisboa a 16 de Abril de 1882 com selo carimbado no valor de 80 réis tendo como destinatário Bernardino Raposo "Digníssimo Official de Fazenda a bordo da canhoneira de serviço n'aquelle porto". 
O carimbo que prova a chegada da carta a Macau a 24 de Maio de 1882 tem escrito "Macao" e o símbolo da coroa/monarquia.

sábado, 19 de setembro de 2020

Real Colégio de S. José

Real Colégio de S. José é o nome pelo qual era conhecida a instituição - que mais vulgarmente se conhece como Seminário - quando foi fundada em 1747 no âmbito da missionação católica e do Padroado Português, iniciado no século XV.
Nas imagens o "Diccionario Portuguez-China" de Joaquim Afonso Gonçalves, sacerdote da Missão M. H. R. S. A. "No estilo vulgar Mandarim e Clássico geral", impresso no "Real Collegio de S. Jose" em 1831.
A imprensa/tipografia do Real colégio de S. José (Seminário) foi fundada em 1818. A edição acima, de 1831, é tida como sendo o primeiro dicionário do género a ser impresso. Mas já antes tinham sido impressas outras obras do género, nomeadamente gramáticas de língua chinesa.


Joaquim Afonso Gonçalves, nasceu em Cerva a 23 de Março de 1781, foi uma grande figura na importância das relações entre Portugal, Macau e China.
Entrou no Seminário de Rilhafoles, Lisboa a 17 de Maio de 1799 e tomou os votos em 18 de Maio de 1801.
Partiu de Lisboa em 1812 com o objectivo de fundar o Observatório Astronómico de Pequim. Chegou a Macau a 28 de Junho de 1813 mas devido à conjuntura política que se vivia na corte imperial não pôde prosseguir. 
Entrou então no Real Colégio de S. José ensinando português aos alunos chineses. Foi também assim que aprendeu mandarim e contribuiu para que se abrisse o ensino gratuito a toda mocidade. Em S. José ensinou gramática portuguesa, latina, francesa e inglesa, retórica, lógica e teologia para os eclesiásticos; aritmética, álgebra e geometria.
Publicou várias obras com a chancela do Real Colégio tais como “Grammatica Latina Ad Usum Juvenum” em 1828, “Arte China Constante Alphabeto e Grammática em 1829 (custava quatro patacas), “Diccionário Portuguez-China” em 1831 e “China-Portuguez” em 1833, “Vocabularium Latino-Sinicum” em 1837, “Lexicon Manuale Latino-Sinicum” em 1839, “Lexicon Magnum Latino-Sinicum” em 1841, e os volumes “Versão do Novo Testamento em Língua China”.
Joaquim Afonso Gonçalves foi membro da Real Sociedade Asiática de Calcutá, da Academia de Ciências de Lisboa e também Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.
O seu corpo foi sepultado no cemitério de S. Paulo e depois transladado para um túmulo na Igreja de S. José, que ostenta um epitáfio latino, cuja tradução é: 
“A Deus Ótimo e Máximo. Aqui Jaz o Reverendo Sr. Joaquim Afonso Gonçalves, Português, Sacerdote da Congregação da Missão, exímio professor Real Colégio de São José, membro estrangeiro da Real Sociedade Asiática. Solicito pelo bem das missões chinesas, compôs e publicou obras muito úteis nas línguas sínica, latina e portuguesa; foi de costumes irrepreensíveis e exímios pela doutrina, sendo de vida ilibada; cheio de dias, descansou no Senhor, em 3 de Outubro de 1841, aos 60 anos de idade. Os seus amigos e discípulos dedicaram esta lápide em memória de tão ilustre Varão”.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

1954: memórias de uma visita turística

Fotos gentilmente cedidas por Stuart James. 
Pertenceram aos pais que viviam em Hong Kong na época
Baía da Praia Grande
Vauxhall Velox matrícula M428 na Praça Ferreira do Amaral
Convento das Carmelitas (já não existe)
Ferry atracado no Porto Interior
Fortaleza do Monte
Interior do templo de Kun Iam Tong  
mesa em pedra sobre a qual foi assinado o primeiro tratado sino-americano em 1844
Pousada Macau Inn e Palácio do Governo 
Riquexó (direita) e Austin Devon 40 (esquerda)
Ponte-cais nº12 do Tak Shing: carreira Macau-Hong Kong
Ponte-cais nº 11 da fábrica de Panchões Kuong Hing Tai
Istmo Ferreira do Amaral: Porta do Cerco ao fundo
Zona da Barra: entrada no Porto Interior
Ruínas de S. Paulo
Vista sobre o Porto Interior

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Portugal e China: curiosidades da diplomacia

Até à Segunda Guerra Mundial, Portugal apenas tinha embaixadores em Londres, Madrid e Rio de Janeiro. Os representantes diplomáticos nos restantes Estados eram ministros plenipotenciários, chefiando legações. Seguindo a tendência internacional, entre a Segunda Guerra Mundial e 1966, todas as legações de Portugal foram promovidas ao estatuto de embaixada e os respectivos postos de ministro plenipotenciário ao de embaixador, excepto nos países com os quais Portugal não tinha relações diplomáticas oficiais. Com a China, por exemplo, o cargo de Embaixador só surgiu em 1979 com João de Deus Pereira Ramos.
Mas voltemos ao início...
Alexandre Metelo de Sousa e Meneses, entre Maio e Julho de 1727 esteve como "embaixador" de Portugal na China. Seguiu-se Francisco Xavier Assis Pacheco e Sampaio Melo em 1753 apenas entre Maio e Junho. A partir de 1862 passa a denominar-se Legação na China (Japão e Sião) dirigida por um Ministro Plenipotenciário, não residente, já que eram os governadores de Macau. Alguns exemplos: José Rodrigues Coelho do Amaral, José Maria da Ponte e Horta, António Sérgio de Sousa...
No início do século 20 houve um Ministro Plenipotenciário em Missão Especial e a partir de 1904 é aberta a Legação em Pequim que se iria manter até 1947.
No início do século 20, um total de 19 nações tinham tratados com a China que permitiam o estabelecimento de jurisdição consular extraterritorial sobre seus cidadãos. Portugal era uma dessas nações. Assim foi desde 1862 e até 1947.
Ao todo, mais de 100 cidades chinesas permitiam a residência de estrangeiros e faziam comércio com países estrangeiros. Um privilégio que, até então, só Macau tivera.
Tudo começou com o final da segunda guerra do ópio...
Treaty Port (Porto de Tratado - todas cidades portuárias), Settlement (assentamento/estabelecimento and Concession (concessão) eram os termos usados no mundo da diplomacia internacional sobre a China.
Entre os Porto de Tratado estavam: Amoy (Xiamen)(1842), Canton (Guangzhou)(1842), Changsha (1904), Chefoo (Zhifu [Tantai])(1858), Chinkiang (Zhenjiang)(1858), Chungking (Chongqing)(1890), Foochow (Fuzhou)(1842), Gartok (Garyarsa)(1904), Gyangtse (Gyangze)(1904), Hami (Kumul)(1881), Hangchow (Hangzhou)(1895), etc...
Amoy, Hankow, Peking Legation Quarter, Shameen (Canton), Shangahi, Tientsin foram algumas das cidades onde existiram vastas áreas com jurisdição de países estrangeiros e onde muitos portugueses e macaenses vieram a estabelecer-se. Em baixo pode ver-se a bandeira de Portugal (da monarquia) entre os vários países que tinham concessões em Shangai.
Shanghai International Settlement - Wikipedia

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Robert Morrison no Cemitério Protestante

SACRED
to
THE MEMORY
of
ROBERT MORRISON, DD
The first Protestant missionary to
CHINA
Where after a service of twenty-seven years
cheerfully spent in extending the kingdom of the blessed Redeemer
during which period he compiled and published
A DICTIONARY OF THE CHINESE LANGUAGE
founded the Anglo Chinese College at Malacca
and for several years laboured alone on a Chinese version of
THE HOLY SCRIPTURES
which he was spared to see complete and widely circulated
among those for whom it was destined
he sweetly slept in Jesus.
He was born at Morpeth in Northumberland
January 5th 1782
Was sent to China by the London Missionary Society in 1807
Was for twenty five years Chinese translator in the employ of
The East India Company
and died in Canton August 1st 1834

Blessed are the dead which die in the Lord from henceforth
Yea saith the Spirit
that they may rest from their labours
and their works do follow
them

Ao lado do túmulo de Robert Morrison no Cemitério Protestante de Macau está uma lápide com inscrições em chinês que data de 1934, o centésimo aniversário na morte de Morrison, mandada fazer pela Chinese Christian Church of Guangdong Association e onde pode ler-se:

"We erect this stone on the one hundredth anniversary of the passing of Mr. Morrison. From all the members of the Chinese Christian Church of Guang-Dong Association, in remembrance of a past giant, to express our highest admiration and sincerest, humble sadness and to express our eternal gratitude.
The great Mr. Morrison had a Christ-centered heart. Through the will of God he spread the Gospel. By the guidance of the Holy Spirit he went through dangers to arrive at his destination. Through him came many blessings to the Chinese people like the rains are to the ground. In suffering and trails he remained firm. He never gave up and was always dedicated. Great is his humbleness beyond any past generations. The memory of him will last in eternity.
1934 August 1st Epitaph respectfully made by all the members of the Chinese Christian Church of Guangdong Association. Your humbleness Pastor Zhang Zhu-Ling wrote with respect."

Curiosidade: junto ao túmulo de Robert está o o do seu filho (imagem acima), John Robert Morrison, nascido em Macau em 1814. Foi intérprete de mercadores e da Companhia das Índias Orientais e ainda funcionário secretário do governo britânico em Hong Kong, mas por pouco tempo. Morreu de febre a 29 de Agosto de 1843.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Relatório do Serviço de Saúde... relativo ao anno de 1886


Excerto de um longo relatório (10 capítulos) da autoria José Gomes da Silva, chefe do Serviço de Saúde de Macau e Timor, relativo a 1886 feito a 2 de janeiro de 1887e publicado em várias edições do Boletim da Província de Macau e Timor nesse mesmo mês e no mês seguinte. Gomes da Silva começa por escrever:
"A provincia de Macau e timor, geograficamente considerada, é incontestavelmente a provincia mais absurda que Portugal possue; e difícil será encontrar-se no mundo político outro absurdo geográfico do alcance d'Este". 
A referência é, claro, à distância entre as duas províncias: mais de 600 léguas em linha recta numa viagem que em barco a vapor, com escala nas filipinas, demorava entre 8 a 12 dias, mas "as viagens ordinnarias pelos paquetes da mala hollandeza e por via de Java, dispendem de 80 a 48 dias".
O relatório inclui informações sobre Topographia, meteorologia, história natural, anthropologia, hygiene publica, hygiene privada, nosologia, necrologia, serviço de saúde, estatística e catalogo de plantas das duas províncias. Entre as informações prestadas refere-se o último censo realizado, em 1878, com um total de 68 mil habitantes. Gomes da Silva é muito crítico na avaliação que faz do estado da saúde em Macau, quer nos edifícios quer nos serviços prestados, apontando o dedo não só ao Leal Senado como também ao governador, Firmino José da Costa.



segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Administradores de Hong Kong residentes em Macau

A 20 de Janeiro de 1841 Hong Kong era cedido à Grã-Bretanha pela China de acordo com a Convenção de Chuenppi (não ratificada pela China). Seis dias depois os britânicos tomaram posse de Hong Kong mas a cedência formal pela China só viria a ocorrer pelo Tratado de Nanking a 29 de Agosto de 1842 e ratificado a 26 de Junho do ano seguinte, quando surgiu o cargo de Governador.
Nestes primeiros anos de Macau a autoridade máxima dos britânicos chamava-se "Administradores" com a curiosidade dos primeiros três (e únicos) residirem de facto em Macau: foram eles Charles Elliot (imagem acima), Alexander Robert Johnston e Sir Henry Eldred Curwen Pottinger. Em simultâneo, nestes anos, os "Comandantes e, Chefe" residiam em Hong Kong.
Residência de Charles Elliot em Macau junto ao Jardim de S. Francisco num desenho de George Chinnery 


domingo, 13 de setembro de 2020

Carta de 1861

Carta enviada de Lisboa a 21 de Setembro de 1861 - marca postal com o nº 150 carimbado - "pelo Correio d'Alexandria" dirigida a Gonçalo Ayres da Costa Campos, oficial da Marinha "embarcado na Corveta D.João I em Macao".
Outro exemplar pode ser visto aqui

sábado, 12 de setembro de 2020

Macarira, Mackkarira, Mackkareera, Toi Ko Ke Tou, D. João

No delta do rio das pérolas existem inúmeras ilhas com nomes tão variados como "Monte de Trigo", "Ilha dos Veados", "Ilha dos Merus", "ilha dos Ladrões", etc... e claro, a Taipa, Coloane, Lapa, Montanha, Montanha, D. João... Quanto a esta última, situada entre a Taipa e a Lapa, é também conhecida por Macarira, Mackkarira, Mackkareera, Toi Ko Ke Tou, D. João de Macarira, St. John
Numa breve pesquisa fico com a ideia que o nome original foi mesmo Macarira (e não D. João). James Horsburgh, hidrógrafo da Companhia das Índia Orientais escreve "Mackkareera" numa obra publicada em 1817 intitulada "India Directory, Or, Directions for Sailing to and from the East Indies, China, New Holland, Cape of Good Hope, Brazil and the interjacent ports".
Aqui fica um excerto:
Macao Harbour formed between the peninsula and the large island Twee lien shan to the westward is narrow at the entrance but has 21 and 20 feet at low water to Fort St Jago which is situated on the East point and from hence along the shore to the town the depths continue nearly the same.
A ship proceeding to the harbour must pass through the Typa there being 13 feet at water in the fair track between the Typa and the entrance of the harbour but only 12 11 feet in the large space betwixt Kai kong and Macao.
The channel lies in a direct from the anchorage in the Typa to the harbour's entrance and to avoid Pedro meo a rock about 4 mile to the eastward of the NE point of Mackkareera the NE point Montanha must be kept open to the eastward of Mackkareera or in passing it keep more than mid channel toward Kai kong.
From hence steer direct for the entrance of harbour there being no other danger except Pan lung shee a rock on the East side of channel from which the outer point of Great Mal low chow bears W 16 S and the of Fort St Jago N 41 W distant about 4 a mile.
Great Mal low chow is the of 2 high islets situated to the SW of the harbour's entrance.
The NE point of on with the East point of Mackkareera leads clear to the westward of Pan lung shee and a ship will not be too near it if she do not get to the eastward of a line drawn from West point of Kai kong to Fort St Jago point.
This point should be rounded pretty close in entering the harbour and the eastern shore kept nearly a board to the anchorage abreast of the town By obtaining permission from the governor a disabled ship may be hove down and repaired in this harbour and in such case a pilot will be granted to bring her from the road or from the Typa to the harbour but any navigator by adhering to the preceding directions or being in possession of Captain P Heywood's excellent plan of this place pub lished by Laurie and Whittle in 1809 may run safely into the Typa without a pilot.
Excerto de um mapa de 1834 com o nome "Mackkarira"
Quanto à origem do nome "Macarira" continuo à procura de uma explicação...

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Pinturas "China Trade": espólios em Portugal

Museu de Marinha (onde existe a Sala do Oriente), Museu do Oriente, Museu do Centro Científico e Cultural de Macau, Museu Etnográfico da Sociedade de Geografia de Lisboa e Arquivo Histórico Ultramarino são as instituições em Portugal que possuem nos espólios exemplares de pinturas do período denominado "China Trade", entre os séculos 18 e 19.
Macau surge em muitas dessas pinturas, mas não só. Existem reproduções de várias cidades chinesas e das múltiplas embarcações da Marinha que serviram em Macau. 
Para este post seleccionei alguns dos quadros que representam Macau. Neste caso, óleos sobre tela.
"Praya Pequena", leia-se Porto Interior ca. 1830
"Praya Grande" ca. 1870
Porto Interior
Praia Grande
Praia Grande

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

Travessa e Calçada da Fundição

A Travessa e Calçada da Fundição são dois topónimos de Macau que já não existem mas que remetem para os séculos 16 e 17 quando a fundição em Macau deu cartas em todo o mundo, nomeadamente com Manuel Tavares Bocarro na Rua do Chunambeiro.
A Calçada da Fundição começava na Calçada das Chácaras e acabava na topo da Penha, correspondendo à actual Rua do Comendador Ko Hou Neng. Para além de canhões também foram fundidos âncoras e sinos.
Sugestão de leitura: N. Valdez dos Santos – "Manuel Bocarro o Grande Fundidor". Lisboa, Comissão de História Militar, 1981
Excerto:
"Em 1625, Manuel Tavares Bocarro, filho de Pedro Tavares Bocarro, chefe dos fundidores de Goa, de onde partiu, chegou a Macau para reformular e dirigir uma fundição sino-portuguesa. A fábrica ficou localizada numa zona designada por Chunambeiro, junto à Fortaleza do Bom Parto e no sopé da colina da Penha. O encontro das técnicas metalúrgicas ocidentais e orientais tornou famosa a oficina tendo produzido inúmeros canhões, sinos e estátuas.
O cronista António Bocarro, falando de Macau em 1635, escrevia: 'Este lugar possui uma das melhores fundições de canhões no mundo, quer de bronze, que já tem ha muito ou de ferro, que foi feita por ordem do Vice-rei, Conde de Linhares, e onde é fundida continuamente artilharia para todo o seu Estado (da India), a preço muito razoável' (Boxer: Macao Three hundred years ago, in 'Tíen Hsia Monthly', April, 1938, Vol. VI, no. 4)."

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

“Pirates in the Waters of Macao (1854-1935)”

A propósito do post de ontem, acrescento o essencial da informação em inglês e algumas das fotos em exposição (do Arquivo de Macau) bem como o cartaz da mostra e mais alguns links para outros posts já publicados sobre o tema.
Organised by the Archives of Macao, under the auspices of the Cultural Affairs Bureau, an exhibition entitled “Pirates in the Waters of Macao (1854-1935)” wil be on display until 31 January 2021, “presenting the phenomenon of piracy in the surrounding waters of Macao and the multiple meanings it had for Macao.” 
The exhibition features a selection of over 100 documents, maps and photographs from Macao Archives’ collection that addresses the issue of piracy in the Pearl River Delta, “thereby revealing the diversity and thematic amplitude of the documentation, as well as developing knowledge about the multiple meanings of the phenomenon of piracy for Macao in the second half of the 19th century to the first decades of the 20th century.”
Cartaz da exposição

Tam Kong Temple (Coloane)
Preparation to fight pirates
Pirates arrested after 1910 combats

 Military manouvres in Coloane
Gunboat "Macau" used in fights against pirates

terça-feira, 8 de setembro de 2020

"Piratas nos Mares de Macau (1854-1935)"

Macau tem patente uma exposição sobre piratas nos seus mares, uma história que remonta ao século XIX, contada com documentos na maioria dos casos escritos em português.
Durante uma visita guiada aos jornalistas, a diretora do Arquivo de Macau (AM), Lau Fong, contou que para além do fundo documental do AM, esta exposição 'Piratas nos Mares de Macau (1854-1935)' só foi possível ser feita através da consulta de jornais da época de língua portuguesa.
Pensa-se que em 1899 existiam cerca de 60.000 piratas nos mares circundantes de Macau, explicou.
O documento mais antigo é datado de 1844, em língua portuguesa, sobre "Ofícios dos comandantes da lancha Amazona, tenentes José Eduardo Scarnichia e João da Silva Carvalho tratando da "captura de piratas que infestavam o mar da China".
Durante a exposição é possível ler testemunhos de pescadores assaltados, cartas de 1920 do secretário do Governo de Macau, documentos de comissários da Polícia de Macau, como Daniel Francisco Júnior, em 1916, sobre o assalto de sete piratas a uma embarcação, cartas de resgates e várias histórias sobre a pirataria nos jornais portugueses da época.
"Roubo audacioso: Cerca das 20 horas de segunda-feira passada, um grupo de mais de dez piratas efetuou o seu desembarque no porto Interior e foi assaltar uma tenda de cambistas, estacionada à porta de uma farmácia chinesa, na Rua do Almirante Sérgio, tendo conseguido, sem dificuldade de maior, levar mais de mil patacas", pode ler-se num transcrito do jornal O Macaense, do dia 18 de julho de 1920.
Durante a visita, Lau Fong explicou ainda que dois acontecimentos, um em 1910 e outro em 1912 revelaram como Portugal e a China mantiveram o respeito pelos tratados assinados em torno da definição dos limites de Macau, através de uma expedição conjunta lusa-chinesa contra os piratas.
Em 1910, após um rapto de estudantes, as tropas portuguesas desembarcaram na ilha de Coloane. Registaram-se mortos dos dois lados, mas os portugueses conseguiram resgatar cerca de 26 crianças raptadas pelos piratas.
Em 1912, "depois de ações militares em Coloane [ilha de Macau], a atividade dos piratas continuou a fazer-se sentir em toda a região do Delta do Rio das Pérolas. Um ataque de piratas em ilhas próximas de Hong Kong desencadeou um conjunto de contactos entre governos de Cantão, Macau e Hong Kong, que culminaram com a realização de uma exposição militar de forças portuguesas e chinesas às ilhas da Montanha e D.João", pode ler-se numa das telas da exposição.
A exposição sobre os primórdios da pirataria em Macau estará patente até 31 de janeiro de 2021.
Agência Lusa: 26.8.2020
NOTA: sobre este tema sugiro um documento ainda mais antigo: