quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A Expo de 1900






Na imagem, a capa do "Almanach Illustrado do Occidente" edição de 1901. Era editado pela Empresa do Occidente, Largo do Poço Novo, Lisboa.


Na capa surge uma ilustração do "Pavilhão Colonies Portvgaises (das Colónias), o nº 32A da Exposição Internacional de Paris 1900, da autoria do arquitecto Ventura Terra.


Para este certame foi criada em 1898 a Comissão de Macau para a Exposição Universal de Paris, de que fizeram parte, entre outros, o médico Gomes da Silva.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Flora de Macau e de Timor


Apontamentos para o Estudo da Flora de Macau e de Timor foi editado em 1934. É da autoria de Paulo Emílio Cavique Santos, engenheiro agrónomo e silvicultor, botânico do Jardim Colonial de Lisboa. 
Com 76 páginas é bastante ilustrado com reprodução de folhas do herbário das plantas de Macau e de Timor à escala. 
O livro contém contém ainda todas as proveniências e as referências cientificas das recolhas das plantas efectuadas no Extremo Oriente.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

"A Primeira Polícia de Macau"

Uma edição de 1962 - separata da revista "Religião e Pátria" - da autoria de Benjamim Videira Pires. O exemplar que possuo inclui uma dedicatória manuscrita pelo punho do autor e é dedicado a "S. Exa. O Governador da Província", 16 de Março de 1963.
Aborda a implementação da polícia em Macau, no período compreendido entre 1712 (primeiras referências) e 1788, e os esforços desenvolvidos pelas várias forças institucionais presentes no território para exercerem o controlo da dita. Na conclusão, o autor faz "uma derradeira observação: só cerca de 100 anos depois de Macau é que o Portugal Europeu, por meio do Intendente D. I. de Pina Manique, estabelecia um Corpo de Polícia Regular."(...)
No Canídromo: anos 50/60

Década 1980

domingo, 16 de setembro de 2018

Ilustração do período "China Trade"



Mid 19th century (1865-1870): 
Print photograph of a China trade painting of Macao. Reverse has the photographer Pun Lun advertisement. He worked in Hong Kong and Canton with a studio on Queen's Road Central in Hong Kong.


Ilustração de meados do século 19 (1865-1870):
Postal ilustrado que reproduz uma "pintura China Trade" com uma representação de Macau.
No verso da imagem surge o nome do estúdio de fotografia - Pun Lun - localizado na Queen's Road Central, em Hong Kong.

sábado, 15 de setembro de 2018

Os tufões de 1874 e 1875

A 22 e 23 de Setembro de 1874 Macau foi assolada pelo mais devastador tufão de que há memória. Mal refeita dos estragos causa, menos de um ano depois, a 31 de Maio de 1875 um novo tufão viria a atingir o território.
Artur Lobo d'Ávila, filho de José Maria Lobo de Ávila (1817-1889), governador entre 7 de Dezembro de 1874 e 30 de Dezembro de 1876), deixou um relato do que se passou nesse dia no Palácio do Governo.
“O Governador, Visconde de S. Januário, aconselhara a família do seu sucessor, a transferir-se para a ala direita do palácio, por ter sido a menos batida pelo tufão. Assim fizemos , mas com resultado exactamente negativo, pois foi essa ala a que ruiu com a nova tormenta de Maio de 1875.
O tufão começou, como de costume, por uma lestada. E quando da Secretaria da junta, quis regressar a casa, já os cules não puderam trazer-me na cadeira; e, de gatas, tive de atravessar o jardim na parte posterior do palácio para entrar em casa.
Os tufões ficam assinalados com os nomes dos governadores. No de S. Januário, o barómetro desceu tanto, que acabou por estoirar a coluna de mercúrio, a ponto de o oficial às ordens - 1.º tenente Júlio Elbão de Sampaio - dizer ao Governador, que a agulha doidejava, marcando o nome do fabricante.
Durante essas tormentas, os telhados são descosidos e, em pedaços, voam pelos ares. Quem se arrisca a sair, corre perigo de vida, mesmo resguardado com um tundum, espécie de capacete de duríssimo bambu. (...)
António de Azevedo e Cunha defendeu o palácio, enquanto foi possível. As janelas foram interiormente, revestidas com taipans de madeira e escoras. Mas, mesmo assim, o mar, rugindo furiosamente, despedaçou as da secretaria, instalada no rés-do-chão. Foi neste momento que o Cunha, o ajudante do Governador, a ordenança Carlos, - filho de macaístas - eu, alguns soldados e operários, descemos ao referido andar, onde a tremenda inundação começava a causar terríveis e trágicos efeitos.
O Cunha, que empunhava uma pequena lanterna, vendo os da frente atingidos por uma derrocadas, gritou aos que o seguiam: – Para trás, rapazes. . .
Quinze pessoas, entre europeus e chinas, ficaram soterrados nos escombros negros e tristes.  Quando foi possível, à luz de archotes desenterrámos o ajudante-de-ordens do Governador, Alferes Caetano Diniz Junior, que tinha ficado entre as ruínas, a sua figura era confrangedora e arrepiante. Tinha perdido os sentidos e ao recobrá-los todo ensanguentado e de olhos esbugalhados, muito a custo, disse-nos: - Lembrei-me de meu pai...  Vi-o...  Foi ele que me salvou...
Depois foram desenterrados e socorridos, como era possível, os demais sinistrados, que, entre ais e gemidos, aflitivamente, pediam que os salvassem. A ordenança de cavalaria, Carlos de Manila, achou-se também às portas da morte; o china, Paulo, morreu.
Um pesado banco chinês, revestido de mármore, depois de despedaçadas as janelas, deslocou-se com o furacão e veio bater nas pernas do Governador, meu pai, ferindo-o profundamente. Este desastre, porém, evitou que ele caísse do primeiro andar para o montão de ruínas que aumentava no pavimento inferior.
Até ao amanhecer, os que escaparam aos horrores desta tragédia e os feridos, estiveram refugiados num godão - pequena arrecadação, semi-subterrânea, em que entrava a água do amor, depois de ter galgado as ruínas do aterro da Paria Grande - sobre feixes de lenha.
A população de Macau, passada a tormenta, julgou que no palácio só havia cadáveres…E pela tarde, uma proclamação do Governador terminava assim:
“Macaenses – A cidade de Macau, que ia ressurgindo das ruínas do terrível tufão do ano passado, foi novamente experimentada por idêntico flagelo. Peço-vos serenidade, conformidade e trabalho, para vencermos esta nova crise, pois que, como vosso Governador, velarei por vós, assim como convosco partilhei os horrores do cataclismo que, como é notório, esteve a ponto de deixar sem família."

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Tufão "Ruby": 5 Setembro 1964

Tal como por estes dias, há 54 anos Macau era atingida por um tufão. As duas imagens deste post ilustram os estragos provocados por um dos mais violentos tufões que assolou o território no século XX.
Ao lado a primeira página do jornal "Notícias de Macau" que na primeira página titula: "O tufão Ruby causou grandes estragos em Macau". E acrescenta: "Um armazém completamente destruído por um dos maiores incêndio registados em Macau nos últimos anos. O Governador de Macau esteve no local do sinistro. Uma morta e seis feridos nos hospitais. Foram registadas rajadas de 211 quilómetros por hora." Destaque ainda para os danos causados no armazém-fábrica Tai Wah Hong avaliados em 400 mil patacas e para a destruição do parque coberto do Grande Prémio.
A pressão mínima registada foi de 954.6 com os ventos fortes a fustigarem o território durante seis horas. O centro da tempestade tropical esteve a menos de 185 km de Macau.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Macau por John Webber

John Webber (1751-1793) foi um artista inglês (pintor e autor das imagens neste post) nomeado pelo Almirantado para acompanhar a 3ª expedição de James Cook que começou em 1776 e terminou em 1780.
Nesta aventura participaram as embarcações "HMS Resolution" comandada por James Cook e a "HMS Discovery" comandada pelo capitão Charles Clerke. Estiveram em Macau desde 1 de Dezembro de 1779 até 13 de Janeiro de 1780
John Webber was the official artist appointed by the Admiralty to accompany Captain James Cook’s third voyage of discovery to the Pacific, a journey which began in 1776 and ended in 1780.
The brief was that he should record the places, people, objects and events encountered along the way because, explained the Admiralty, pictures ‘would give a more perfect idea thereof than can be formed from written descriptions only’. Webber’s work would then be turned into illustrations to accompany the published account of the trip. Webber painted A View in Macao when the two ships, Resolution and Discovery, were on their return journey from North America. 
Cook had been killed in Hawaii in 1779 and the ships had stopped at the Portuguese colony in order to take on supplies. The picture shows the mountainous landscape of Macau and its subtitle refers the home of the 16th-century poet Luis de Camoens, who wrote a celebrated Homeric epic there. On Webber’s return to England he used the watercolour as the basis for one of 16 etchings, which were later gathered together in the volume Views from the South Seas (1808/09)
Vista de Macau por John Webber ca. 1779 com o título original: "View in Macao, including the residence of Camoens, when he wrote his Lusiad.” A obra pode ser vista no Captain Cook Memorial Museum em Inglaterra.
View of Macao near the Canton River/Coastal landscape in Macau
View in Macao

Excertos do livro The Voyages of Captain James Cook Round the World - Cap. IX(1813):
At nine o clock the tide beginning to ebb; we again came to anchor in six fathoms water; the town of Macao bearing north west three leagues distant and the island of Potoe south half west two leagues distant. This island lies two leagues to th north north west of the island marked Z in Mr Dairy m pie's chart which we at first took to be part of the Grand Ladrone. It is small and rocky and off the west end there is said to be foul ground though we passed near it without perceiving any In the forenoon of the 2d one of the Chinese contractors who are called compradors went on board the Resolution and sold to Captain Gore two hundred pounds weight of beef together with a considerable quantity of greens oranges and eggs. A proportionable share of these articles was sent to the Discovery and an agreement made with the man to furnish us with a daily supply for which however he insisted on being paid beforehand. Our pilot pretending he could carry the ships no farther Captain Gore was obliged to discharge him and we were left to our own guidance. At two in the afternoon the tide flowing we weighed and worked to windward and at seven anchored in three and a half fathoms of water Alacaw bearing west three miles distant. This situation was indeed very ineligible being exposed to the north east and having shoal water not more than two fathoms and a half deep to leeward but as no nautical description is given in Lord Anson's voyage of the harbour in which the Centurion anchored and Mr Dalrymple's general map which was the only one on board was on too small a scale to serve for our direction the ships were obliged to remain there all night.
In the evening Captain Gore sent me on shore to visit the Portugueze Governor and to request his assistance in procuring refreshments for pur crews which he thought might be done on more reasonable terms than the comprador would undertake to furnish them.
At the same time I took a list of the naval stores of which both vessels were greatly in want with an intention of proceeding immediately to Canton and applying to the servants of the East India Company who were at that time resident there. On my arrival at the citadel the fort major informed me that the governor was sick and not able to see company but that we might be assured of receiving every assistance in their power. This however I understood would be very inconsiderable as they were entirely dependent on the Chinese even for their daily subsistence Indeed the answer returned to the first request. 
I made gave me a sufficient proof of the fallen state of the Portugueze power for on my acquainting the major with my desire of proceeding immediately to Canton he told me that they could not venture to furnish me with a boat till leave was obtained from the Hoppo or officer of the customs and that the application for this purpose must be made to the Chinese government at Canton. The mortification I felt at meeting with this unexpected delay could only be equalled by the extreme impatience with which we had so long waited for an opportunity of receiving intelligence from Europe It often happens that in the eager pur suit of an object we overlook the easiest and most obvious means of attaining it. 
This was actually my case at present for I was returning under great dejection to the ship when the Portugueze officer who attended me asked ine if I did not mean to visit the English gentlemen at Macao. I need not add with what transport I received the information this question conveyed to me nor the anxious hopes and fears the conflict between curiosity and ap prehension which passed in my mind as we walked toward the house of one of our countrymen. (...)

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

The Great Ship from Amacon / O Grande Navio de Amacau


The Great Ship from Amacon: Annals of Macao and the Old Japan Trade, 1555-1640, de C. R. Boxer. 
Edição: Centro de Estudos Históricos Ultramarinos, Lisboa, 1959.
Estudo de Charles Boxer sobre a história económica do Japão e suas relações com Macau. Inclui a transcrição de numerosos documentos.

Houve uma segunda edição poucos anos depois, em 1963. E ainda em 1988 pelo ICM e em 1989 (versão portuguesa por Manuel Vilarinho) pela Fundação Oriente/Museu e Centro de Estudos Marítimos).
Charles Boxer (1904-2000), foi doutor "honoris causa" pelas mais prestigiadas universidades do mundo e o historiador estrangeiro que mais escreveu sobre os Descobrimentos portugueses. Sem qualquer título académico, começou a carreira de investigador apenas aos 43 anos, já depois de deixar o exército com o posto de major. Publicou livros entre 1926 e 1984.
Em 1988 Charles Boxer estava no território para ser homenageado pelo governador e deu uma entrevista à Revista Macau (nº 12) onde disse que gostaria de morrer em Macau:
“Quando vi Macau pela primeira vez, em 1933, era uma ‘vila pacata’, talvez como uma terra portuguesa semi adormecida no Alto Alentejo, onde muita gente vinha para descansar. Agora, não posso deixar de sentir uma certa nostalgia desse tempo embora saiba que as coisas não podem parar. […] Gostava muito de poder fazer como George Chinnery e morrer aqui, mas nunca fiquei em Macau mais do 10 ou 15 dias seguidos. A curta duração das minhas visitas foi compensada pelas inúmeras vezes que cá tenho vindo e como Macau é bastante pequena deu para ficar a conhecer a cidade bastante bem.”
Curiosamente o seu primeiro trabalho sobre Macau foi escrito em 1926 - "O 24 de Junho, uma façanha dos portugueses" - quando ainda nem tinha ido a Macau. Tinha o posto de tenente e sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa. Este trabalho foi feito originalmente em inglês e seria publicado (a primeira parte) em português logo em Setembro desse ano na edição nº 15 do Boletim Geral das Colónias.
Em baixo o Ex Libris de Charles Boxer.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Descrição da Cidade de Macau por Marco d'Avalo (1638)

Alguns excertos da “Descrição da cidade de MACAOU ou MACCAUW, com as suas fortalezas, peças, negocio e costumes dos habitantes”, escrita por Marco D'Avalo, italiano, em 1638, com apenas oito páginas, tornadas públicas pela primeira vez em 1645 na obra impressa em Amesterdão "Begin ende Voortgangh van de Vereenighde Nederlantsche geochtroyeerde Oost-Indische Compagnie" e incluída por Charles Boxer no livro Macau na Época da Restauração / Macao Three Hundred Years Ago.
Gravura feita por holandeses reproduzida no livro "Begin ende Voortgangh", de 1646, onde se inclui o relato de Marco D'avalo, de que só se conhece o nome e a nacionalidade italiana. Vê-se a Porta do Cerco, igrejas e fortificações. Curiosa, também, a representação da Igreja Mater Dei.
"A cidade de Maccaou ou Maccauw está situada em uma das pequenas ilhas ao longo da costa do excessivamente rico império da China a 20,5 graus de latitude norte. ainda que chamada de ilha encontra-se tão próxima do continente que se pode atravessar a pé por uma pequena tira de terra entre a ilha e a costa chinesa existe uma muralha de  pedra com uma porta. (...) Esta ilha foi oferecida ou garantida aos portugueses pelos mandarins de Canton a fim de que pudessem aí edificar uma cidade, pois que eles primitivamente residiam na ilha de Hanpehoao (Lampacao). (...)
A dita cidade é cercada de fortes muralhas e baluartes e tem três montanhas com fortalezas nos cimos, situadas à maneira d eum triângulo. O principal e mais forte destes castelos é chamado De São Paulo (...) tem 34 canhões todos de bronze o mais pequeno dos quais dispara uma bala de ferro com peso de 34 libras.
Chama-se o segundo dos fortes Nostra Seignora de la Penna de Francia, porque tem dentro uma ermida com este nome. Está guarnecido com «6 pequenas peças, de 6 a 8 libras de balla (...) Desta Hermida descobre o mar da parte de Oeste, e tem hua peça de bronze de seis libras invocada N. Snr.ª de Penha, e correndo a ilha da parte de sudoeste a largo de tiro de peça está a Fortaleza da Barra. (...)
Baluarte de Santiago de la Barra, por onde os navios passam e que é muito bom e forte dando a aparência de ser por si uma pequena cidade quando visto à distância devido às grandes construções e aquartelamento existentes no seu circuito. Existe um reduto no tôpo da montanha que serve de refúgio, aonde há 16 peças pesadas 4 das quais têm bôcas largas para tiros de pedras, enquanto as restantes são de calibre para bala de ferro de 24 libras. Dentro dêste referido baluarte há um outro baluarte mais alto, provido de seis canhões, como os referidos, que têm um alcance muito longo.(...)
Todos os navios e juncos que desejam entrar esta barra ou pôrto têm necessariamente que passar dentro de 3 ou 4 alabardas de distância do forte [c. 6-7 metros] porque os portugueses bloquearam a restante parte do canal a fim de protegerem melhor o local. (...) O capitão deste baluarte é nomeado directamente pelo rei ou em seu nome e o capitão geral da cidade não pode substitui-lo por outro, excepto em caso de negligência manifesta ou então, provisoriamente até que seja recebida a aprovação do Rei.” (...)
Deste último forte recebe a cidade aviso dos navios que se avistam no mar, quer venham do Norte ou do Sul, do Japão ou de Manila, para entrar no seu porto. Logo que se avista qualquer , toca-se o sino na montanha e, segundo as maneiras como for tocado, indica de qual lado eles aparecem. (...)

A cidade de Macau tem cinco conventos dos quais 4 são de frades e 1 de freiras. (...) Há também 3 paróquias.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Sabia que...

... o que se conhece hoje por Biblioteca Chinesa (inaugurada em 1948) está num edifício que já existia e foi construído para outro fim? 
O espaço original foi projectado por Chan Kun Pui em 1921 e começou por ser salão de chá/café e sala de jogos e não tinha dois 'pisos' fechados como se pode verificar na imagem de cima. Na primeira versão, tinha um terraço. A estrutura foi alterada quando o edifício foi transformado em biblioteca da Associação Comercial de Macau. Foi o Ho Yin, na altura vice-presidente da Associação Comercial de Macau que comprou o espaço e o transformou em biblioteca. É conhecido em chinês por Pak Kok Ting.

domingo, 9 de setembro de 2018

"Macau Souvenir": 1938

"Macau Souvenir" é o título de uma pequena brochura (19cmx13,5cm) publicada em 1938 pela Comissão de Turismo (impressa na tipografia Mercantil). Tem 23 páginas com cerca de 20 imagens do território com legendas em português, inglês e chinês.

sábado, 8 de setembro de 2018

Blick auf den Hafen von Macao por Oswald Lübeck

Blick auf den Hafen von Macao / Vista do Porto de Macau
Foto de Oswald Lübeck (1883-1935). Ca. 1910
Nas primeiras décadas do século este alemão viajou como fotógrafo 'oficial' da empresa de navegação marítima Hamburg-America Line (fundada em 1847) tendo feito pelo menos 4 viagens em grandes navios de cruzeiro (Viktoria Luise, Vaterland, Cleveland, Imperator, etc)  um pouco por todo o mundo. Nesse âmbito passou por inúmeros países, incluindo Portugal (Madeira), Japão, China, Hong Kong e Macau, onde esteve em 1911/1912. No território registou para a posteridade várias imagens de que neste post apresento algumas. A primeira é uma vista parcial da baía da Praia Grande vendo-se ao fundo a Ermida da Penha e parte do hotel Boa Vista. A segunda foi tirada no topo da escadaria que dá acesso à fachada das ruínas de S. Paulo.
 Blick über die Stadt Macao zur Bucht
Vista sobre a cidade de Macau para a baía
(Neste caso, o Porto interior e a China ao fundo)
Cartaz da época alusivo aos cruzeiros à volta do mundo e o Viktoria Luise



sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Gazeta dos Caminhos de Ferro: 1904 e 1954

Em 1954, na edição nº 1600 (16.8.1954), a Gazeta dos Caminhos de Ferro - revista quinzenal fundada em 1888 - reproduzia uma notícia publicada naquele órgão 50 anos antes (16.8.1904). Intitula-se "Carta de Macau - Caminhos de ferro - Luz Electrica - O Atrazo da Colónia". É assinada por C. e diz respeito à 'febre' do caminho de ferro na China com alusões a um projecto de ligação ferroviária entre Macau e a China, falado ao longo de várias décadas mas que nunca se concretizou.
Macau, 15 de Junho - Em boa hora tomei o encargo de enviar-lhes d'aqui algumas noticias. Habitualmente nada ha que mereça referencia. Tudo se reduz a um funcionário que chegou, a outro que partiu, ou a alguma mesquinha intriga d'estas que nos incitam o ânimo a nós, que não tendo muito em que nos entretenhamos, mas que para ahi nenhuma importância merecem. D'esta feita, porém, e por isso dou graças aos deuses, tenho um fartote de notícias de sensação. Por toda a China lavra uma febre de caminhos de ferro que parece epidémica. A tradicional inércia chineza parece ter desaparecido. Vão vendo. (...) Até nós, na nossa pacatíssima colónia, fomos atacados do prurido da viação acelerada e fala-se de estudar nada mais nada menos do que uma linha férrea de Macau a Cantão. (...)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

“Úi di Galánti”, o doce linguajar de Carlos Coelho

“Néu-Néu” morreu no passado mês de Janeiro, mas nem por isso deixa de influenciar a comunidade macaense. Os textos que ficaram na memória dos macaenses foram recolhidos pelo Instituto Internacional de Macau e vão ser publicados para que o patuá não morra. O lançamento do livro “Úi di Galánti” acontece a 12 de Setembro, dia em que o actor faria 65 anos.
Foi no passado dia 19 de Janeiro que o professor e actor macaense Carlos Coelho morreu. O patuá ficou sem o seu “Néu-Néu”, um dos que mais preservaram este crioulo de base portuguesa. Para a posteridade ficaram os textos publicados pelo actor no Facebook e também os artigos publicados no portal do Partido Comes e Bebes, um grupo dedicado a manter a comunicação entre os portugueses de Macau. Para que não se percam na volatilidade da internet, o Instituto Internacional de Macau (IIM) recolheu os melhores escritos de Carlos Coelho e vai agora publicá-los num livro intitulado “Úi di Galánti”, que em português significa “muito extraordinário”. Esta compilação de textos de Carlos Coelho é lançada no Jardim de infância D. José da Costa Nunes, pelas 18 horas do dia 12 de Setembro, aproveitando o dia em que o homenageado faria 65 anos. Além do lançamento do livro, haverá ainda tempo para a visualização de um vídeo onde foram seleccionados alguns dos melhores momentos teatrais de “Néu-Néu”, recolhidos durante a sua participação em espectáculos da companhia Dóci Papiaçám di Macau. (...)
No livro agora editado com o apoio da Fundação Macau vão constar textos, todos eles em patuá, com algumas das tiradas mais memoráveis de Carlos Coelho, contando com o jargão menos próprio utilizado muitas vezes em ambiente descontraído entre a comunidade macaense, explica o responsável do IIM. “Será um reflexo do patuá entre os macaenses”, sublinha. Aqui, é também o crioulo macaense de base portuguesa que está em causa: “Este livro é também uma maneira de manter o patuá vivo. O público-alvo são as pessoas que ainda dominam o patuá, mas também queremos dar a conhecer o seu ‘doce linguajar’ a quem não o conhece. Queremos manter viva essa identidade”.
Nascido em Macau em 1953, Carlos Coelho, que era conhecido por ser um dos poucos falantes fluentes do patuá em Macau, fazia questão de o utilizar no dia-a-dia. Notabilizou-se também como professor do ensino básico e como membro de várias organizações macaenses, promovendo, ao longo da vida, encontros entre a comunidade macaense. Como actor, Carlos Coelho trabalhou no grupo “Dóci Papiaçam di Macau” durante a década de 1990. (...)
in Ponto Final, 4.9.2018

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Remembering Ljungstedt, father of sinology in Sweden

Born in 1759 into a poor family in southern Sweden, Anders Ljungstedt moved to Guangzhou in 1798 at the age of 39 to work in the China trade. After making a fortune, he wrote the first history of Macao, where he spent the last 20 years of his life.He moved to Macao in 1815 where he spent his remaining years and never returned to Sweden.
In Macao, he worked as a merchant and writer. In 1820 the King of Sweden appointed him as the countrys first consul-general in China and awarded him the Order of Vasa. He began to develop an interest in history, the field in which he left his greatest legacy.  He spoke and read English, French, Dutch and Spanish as well as Swedish, and spoke Cantonese and Mandarin but could not read Chinese easily. In Macao, he learnt Portuguese, to the point that he could read old documents and write letters in the language.
In 1832, Ljungstedt published 'An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China and of the Roman Catholic Church and Mission in China & Description of the City of Canton', the first comprehensive history of Macao. How he did it?
He became friend of a Portuguese priest named Dom Joaquim de Sousa Saraiva, who had arrived in Macao in 1804, with the intention of going to Beijing to serve as an assistant to the Bishop of Beijing. But he could not go because of the persecution of the church, and instead remained in Macao for the rest of his life as a professor at St Josephs Seminary. Saraiva collected many documents from the Macao Archives in order to write the history of Macao. However, he decided in the end to let Ljungstedt write the book in place of him. In the preface, Ljungstedt acknowledged his debt to his Portuguese friend.
 Índice da edição de 1836 do "Historical Sketch..."
The book was published in English in Macao in 1832. On November 10, 1835, he died there, alone. In 1836, James Munroe, a publishing house in Boston, brought out a collection of his works. In 1992, a new edition appeared by Viking Publications of Hong Kong, edited by Bengt Johansson, who was then the Swedish consul there. A Chinese edition appeared in 1997.
By writting Macau's first history book, Macao became internationally known. One of the most controversial statements in Ljungstedts book was that, based on historical documents, Macao had always been Chinese territory and that the Emperor had never given it to Portugal. For this, he was fiercely attacked by Portuguese historians, who insisted that the Emperor had ceded the territory to Lisbon. History proved Ljungstedt to be correct.
Anders Ljungstedt is buried in the Protestant cemetery in Macao. He is also remembered in a large secondary school, named after him, which he established in his native Linkoping. In Macau there is also a street named after him.
Ljungstedt also had a Chinese name (Long Si Tai. Long means dragon, a symbol of China, Si means thinking and Tai means peaceful.)

Em 2016 o jornalista e investigador João Guedes referiu-se assim a este historiador sueco no jornal O Clarim:
«Sendo um dos mais importantes, se não mesmo o mais importante elemento da comunidade comercial sueca por estas paragens, Ljungstedt não se limitava às suas actividades comerciais, pois mantinha relações de carácter político e de representação do seu país junto, não só das autoridades portuguesas, mas também das influentes comunidades inglesa e americana que exerciam actividades no Delta do Rio das Pérolas», disse a’O CLARIM o jornalista e investigador João Guedes.
«Neste âmbito, e ao que parece a pedido dos comerciantes americanos, iniciou um projecto destinado a estabelecer a legitimidade histórica da presença portuguesa em Macau. Para esse efeito, Ljungstedt contou com o precioso auxílio do bispo de Pequim, D. Joaquim de Sousa Saraiva», prelado que «escalou em Macau, em 1805, com destino à diocese de Pequim».
«As autoridades imperiais da China, no entanto, impediram que tomasse posse do cargo, pelo que teve de ficar a aguardar alguns anos em Macau [até ter] autorização imperial para o efeito. Durante esse período D. Joaquim dedicou-se a recolher e estudar os manuscritas que se encontravam nos arquivos da diocese macaense com o intuito de, tal como Ljungstedt, fazer uma história de Macau», explicou João Guedes.
«Diga-se, entretanto, que ambos estabeleceram relações de interesse mútuo pelo passado local, o que levou a que o bispo português acabasse por facultar, e provavelmente traduzir para Inglês, muita da documentação que tinha coligido e que facultou a Ljungstedt», continuou.
D. Joaquim chegaria a concluir a tarefa em que se empenhara, por «nunca ter publicado a sua almejada história de Macau». Ljungstedt, por seu turno, «publicaria um profundo estudo sobre a cidade, baseado nos manuscritos de D. Joaquim», que «acabaria por se constituir como a primeira história do Território».
«Este estudo viria a ser dado ao prelo em Boston, nos Estados Unidos, em 1836, com o título “An Historical Sketch of the Portuguese Settlements in China and the Roman Catholic Church and Missions in China & Description of the City of Canton”», recordou, acrescentando que «Ljungstedt viria a ser acusado de tentar, com aquela obra, minar a presença portuguesa em Macau, ao concluir pela inexistência de provas documentais sobre a alegada oferta de Macau a Portugal pela China em troca do auxílio na luta contra os piratas».
Excerto da edição
"Thopographical description
Macao is situated 22 deg 11 min 30 sec north latitude and 11 deg 32 min 30 sec east of Greenwich on a rocky peninsula renowned long before the Portqguese settled on it for its safe harbor; then by foreign writers denominated Ama-ngao, port of Ama in reference to an idol temple near the Bar Fort, the goddess of which is called Ama. In 1583 the Portuguese gave it the name "Porto de nome de Deos" and "Porto de Amacao" the etymology of Macao. Later it was also called Cidade do nome de Deos do porto Macao" at present it is "Cidade do Santo Nome de Deos de Macao". "
Sugestão de leitura:
“Anders Ljungstedt och breven från Kina”, em português, “Anders Ljungstedt e as Cartas da China", editado em 2015 pela Fundação Macau.
O livro tem 20 capítulos que cobrem parte da vida pessoal entre 1798 e 1835, nomeadamente a partida de Linköping para a Rússia e, posteriormente, da Suécia para Cantão e, mais tarde, para Macau. Ao longo destes anos, as suas funções foram mudando, tendo passado de Agente Comercial na Companhia Sueca da Índia Oriental para a seu último posto como Cônsul-Geral de Suécia na China. O livro original foi escrito em sueco e é de autoria de Harry Hellberg, antigo director da Escola Secundária Anders Ljungstedt de Linköping.
A tradução do livro para chinês é da autoria de Wang Mengda, a primeira estudiosa visitante da China no Museu Municipal de Goteborg, na Suécia.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Hotel Bela Vista: memories of a grande dame

"It is a magical place, it is a mythological place. It is somewhere which one cannot believe does not have a fantastic legend to its name, where you feel the presence of Bogart … or Bacall … or Loretta Young, or Hemingway …” Those were the words of French philosopher Bernard-Henri Lévy, who stayed at Macau’s Hotel Bela Vista in 1968.
The yellow-and-white building on Penha Hill has seen its share of fantastic times since William Clarke - the British captain and commander of the Heungshan steamer that travelled between Macau and Hong Kong - and his wife Catherine decided to open Macau’s first Western-style luxury hotel. They chose the three-story neoclassical building and called it the Boa Vista (Portuguese for “good view”).
Opened on July 1, 1890, it also had direct access to the beach, “hot, cold, shower and seawater baths, large and ventilated dining, billiards, reading room” and a “well supplied bar”. The hotel attracted a number of famous guests but revolutionary currents swirled through China and in November 1899, with hardly any customers, Clarke sold the hotel to the Hong Kong, Canton and Macao Steamer Company for 15,000 patacas.
The hotel later reopened under new management but police shut it down due to illegal gambling activities. From 1917 to 1923, it housed a school and Portuguese poet Camilo Pessanha was one of the teachers.
On December 23, 1936, the hotel reopened with a new name, Bela Vista (“beautiful view”), but, in the wake of the Sino-Japanese War, it was used instead to accommodate some of the thousands of refugees from Hong Kong and the mainland. After the war, Allied soldiers rested there.
In the early 1950s, the Bela Vista became famous for lavish balls that attracted hundreds of wealthy socialites and expatriates from Hong Kong and Macau. In 1967, Adrião Pinto Marques became the hotel manager. A fan of Napoleon, he decorated the site with memorabilia of the French leader. Pinto Marques, who was also known for lying on a chair on the verandah for hours at a time, died in 1985 and his son took over.
The hotel, with its “magical” setting and East-meets-West atmosphere, became a popular location for films and TV shows such as Around the World in 80 Days and Return to Paradise.
By the end of the 1980s, when the hotel was deteriorating, the Macau government declared the Bela Vista a historic monument.
After a major restoration, it reopened in 1992 as a boutique hotel, with a décor resembling that of a traditional Portuguese mansion with eight rooms.
Seven years later, as Macau was preparing to return to Chinese rule, the hotel bid its final guests farewell in a series of lavish parties and The Last Bela Vista Ball arranged by Hong Kong party host Ted Marr.
“Five hundred people, who have each spent HK$2,200, will dance until dawn observing the dress code, ‘black tie, gorgeous in gold or Walking on Sunshine’, the last a tribute to the song without which no Ted Marr event is complete”, reported the South China Morning Post at the time.
By the end of 1999, the Bela Vista was converted to the residence of Portugal’s consul for Macau and Hong Kong, which it remains today.
Article by João Botas for "Destination Macau" magazine (Hong Kong) March/April 2015.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Monte e Farol da Guia: foto e quadro de Marciano Baptista

Em cima o monte da guia com o farol numa imagem publicado em 1898 no Jornal Único
Em baixo o monte da guia e respectivo farol num desenho a lápis de Marciano Baptista
 

domingo, 2 de setembro de 2018

Macau (2) vs Hong Kong (1): Taça Spalding, 1968

Torneio Interport de Hóquei Macau-Hong Kong, Taça "Spalding" em 1968, tendo a equipa de Macau ganho por 2-1.
Legenda (esq. p/ dta.) - de cócoras: José Santos Ferreira, António Zeferino Souza, Herculano Ribeiro, Manuel "Gito" Jesus e Jorge Silva.

De pé: Luís Cunha, José "Zeca" Tavares, Alberto "Manga" Ritchie, Telmo Martins, Armando "Bíchim" da Silva, Amadeu Cordeiro, Álvaro Silva, Frederico "Dico" Cordeiro, Fernando Nascimento, Armando Ritchie e Rogério Couto.
Armando Sales Ritchie, que cedeu a imagem, recorda: "Na época havia anualmente um Interport entre Selecções de Macau e HK. Disputava a Taça "Spalding". O evento acontecia em cidades alternadas, e o vencedor do ano, detinha a taça até a próxima disputa no ano seguinte. Os resultados eram marcados ao redor da base da taça. Era o maior acontecimento desportivo do ano. A Caixa Escolar ficava totalmente lotada".

sábado, 1 de setembro de 2018

1.º Périplo aéreo do Império Colonial Português

4.º Cachet emitido pela S.I.C.
Comemorativo do 1.º Périplo aéreo do Império Colonial Português, feito pelos aviadores, Tenente Humberto da Cruz, piloto e 1.º Sargento Gonçalves Lobato, mecânico.
Vôo Macau – Goa – 27/11/934

Fourth Cachet issued by the S.I.C.
Commemorating the first intrepid aerial circumnavigation of the Portuguese Colonial Empire, by the fliers Lieutenant Humberto da Cruz, pilot, and air mechanic Gonçalves Lobato
Macau – Goa Flight – 27/11/934
O avião Dilly de regresso a Portugal, partiu do campo da Areia Preta (hipódromo) com destino a Goa, via Hanói, Bangkok, Akyab (Birmânia), Allahabad (Índia), tendo aterrado em Goa a 1 de Dezembro de 1934. Mais sobre esta aventura aqui.
Segundo o piloto: "Quási na hora da largada foram-nos entregues dois pacotes de cem cartas, cada, com envelopes especiais e devidamente selados. Um, dirigido a Gôa e, o outro , a Lisboa. alguém tivera a feliz ideia de aproveitar o avião para dar um início experimental ao correio entre colónias e entre Macau e a Metrópole…
Em cada um dos pacotes vinham duas cartas para os tripulantes do «Dilly» e , assim, em Gôa e em Lisboa, tivemos a satisfação de receber, quási à nossa chegada, cartas de Macau que nos eram dirigidas e que nós tínhamos trazido. Os envelopes ficarão, pelos seus dizeres e pelos seus gráficos e desenhos, não faltando a barra nacional verde-vermelha, a atestar para sempre, na posse dos colecionadores, êsse primeiro transporte de correio aéreo feito por um avião português". 
Nota: Imagens do 3º e 4º cachet, mas existiram outras. Cachet significa nesta caso selo, característica, uma marca distintiva... S.I.C. é a sigla de Sociedade Internacional de Coleccionadores. Era o primeiro correio aéreo a saír de Macau...

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Companhia de Artilharia: diligência na Taipa em 1931

Documento militar que atesta uma "diligência na Taipa" à Companhia de Artilharia onde um soldado - António Duque - recebeu tratamento a uma cárie dentária a 9 de Outubro de 1931. O documento é assinado pelo comandante da unidade.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Núcleo museológico da Santa Casa

Macau tem actualmente mais de duas dezenas de museus. Entre eles figura o da Santa Casa, porventura o mais pequeno em tamanho, mas não em importância, já que a SCMM é uma das instituições mais antigas do território (1569).
O Núcleo Museológico da Santa Casa foi inaugurado em 2001. Fica na Travessa da Misericórdia, em pleno centro histórico, junto ao edifício da sede da SCM de Macau (Largo do Senado) e classificado como Património da Humanidade pela UNESCO em 2005. Contém uma colecção de relíquias católicas de valor incalculável, com peças que datam do século XVI e que testemunham o percurso da cultura ocidental introduzida na China através de Macau. 
A maior parte das peças em exposição foram gentilmente cedidas pelos Irmãos da Santa Casa.

 Peças de porcelana com o símbolo dos Jesuítas (JHS)
e o livro do "Compromisso" de 1662

O acervo é constituído principalmente por objectos de arte religiosa que serviam de suporte à actividade litúrgica, imagens e esculturas para exposição em altares, bem como outras peças acumuladas ao longo dos séculos com natural destaque para o manuscrito original do Compromisso da Santa Casa da Misericórdia de Macau datado de 1662.
A invulgar colecção de porcelana e de cerâmica chinesa, japonesa e europeia, exibindo o monograma da Companhia de Jesus, revela um misto artístico-religioso único e representativo da herança multicultural de Macau. 
Destaque ainda para peças como a caveira do D. Belchior Carneiro e a Cruz com que foi sepultado; o retrato a óleo de corpo inteiro do D. Belchior Carneiro (séc. XVIII) e o sino de bronze do antigo Hospital S. Rafael, que sucedeu ao hospital da SCM, no século XVI.
Entre as peças de Arte Sacra realce para: estátua do Sagrado Coração de Jesus (produção local do início séc. XIX); estátuas de Nossa Senhora da Anunciação e do Cristo Crucificado (em marfim de produção indo-portuguesa séc. XVIII); e os vários exemplares de porcelana e de cerâmica chinesa, japonesa e europeia com o monograma da Companhia de Jesus.